domingo, janeiro 11, 2026

O Coringa – O gato e o palhaço

 


Curiosamente, a primeira revista de super-heróis que eu vi não era uma revista de super-heróis, mas de vilões. Eu devia ter uns seis anos quando vi, na casa de conhecidos, um exemplar do gibi O coringa número 6. Embora não tenha tido oportunidade de pegar a revista para ler (provavelmente foi uma visita rápida), eu lembro que fiquei fascinado com a capa, que mostrava o Coringa em um circo, no seu uniforme padrão da década de 1970, com o terno roxo e a calça listrada. Ele manejava um chicote e adestrava dois tigres e uma “tigresa”: tratava-se da Mulher-gato, que mostrava as garras e, estrategicamente, mostrava a perna direita por baixo do vestido.

Hoje em dia parece óbvio o aspecto erótico da imagem, mas provavelmente esse aspecto deve ter passado batido. Mas, mesmo para uma criança de seis anos, parecia algo fora do comum para se encontrar numa revista com os personagens que apareciam no desenho dos Superamigos.

O ator se disfarça de Coringa, o que gera uma briga entre os dois. 


Só consegui ler o conteúdo recentemente, quando baixei o scan e o resultado é história tanto chavão quanto divertida, mas muito distante de todo o contexto sugerido pela capa.

Na trama, um ator de comédia vai estrear um filme chamado O gato e o palhaço e tanto o Coringa quanto a Mulher Gato resolvem sequestrar ele e o gato. Naquela época todos os vilões do Batman deviam ser autistas, pois todos tinham algum tipo de hiper-foco. O do coringa era a comédia, a da mulher gato eram felinos, de modo que obviamente um filme chamado O gato e palhaço iria chamar a atenção dos dois.

Alguns diálogos chegam a ser constrangedores. 


Mas no meio da trama, há uma reviravolta: o ator veste a roupa do Coringa e passa a imitá-lo, inclusive durante uma briga insana – e caberá à Mulher Gato descobrir quem é o impostor.

Escrita por Elliot S, Maggin e desenhada por Irv Novick e Tex Blaisdell, a história passa longe de ser uma obra prima. Na verdade, o roteiro chega a ser constrangedor durante o duelo dos dois Coringas, quando todo mundo precisa repetir a cada página que tudo aquilo é uma loucura, como se fosse obrigatório definir a principal característica do palhaço do crime o tempo todo. A solução encontrada pela Mulher Gato é interessante, mas o plot twist decorrente disso é forçado.

Caberá à Mulher Gato decidir quem é o verdadeiro palhaço do crime. 


No final, o melhor da edição parece ser mesmo a capa de Ernie Chan, que eu gostei tanto quando era criança.

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