O número 232 da série Perry Rhodan traz uma surpresa e um aparente paradoxo. Grek1 revela que Gucky é uma figura lendária entre o povo maahk, pois mil anos antes havia ajudado esse povo em uma batalha contra os Senhores da Galáxia. Mas como isso seria possível se Gucky nem mesmo era nascido nessa época?
Clark Darlton, escritor do volume, usa o texto para
explicar essa aparente contradição.
Na trama, os terranos estão tentando se apoderar do
transmissor que poderá levar as naves para a galáxia de andrômeda, situado no meteoro
Califa de Bagdá. Em um passado distante, o sistema de sois gêmeos tinha apenas
um planeta gigante habitado pelos maahks, mas uma expedição punitiva dos Senhores
da Galáxia havia destruído o planeta, formando um cinturão de asteroides em
volta dos sois gêmeos.
Gucky se transporta para o planeta para destruir a
barreira, mas quando tenta descobrir onde fica o controle do transmissor, ele e
sua equipe são arremessados para o passado, exatamente para o período em que o
planeta gigante estava sendo atacado pela expedição punitiva. É quando Gucky
resolve intervir, lutando contra os invasores, o que vai gerar a lenda do ser
peludo que surgiu do nada para ajudar os maahks.
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| A capa original alemã. |
É uma explicação um pouco forçada, mas que acaba
funcionando bem graças à prosa fluida de Darlton e ao carisma do rato-castor.
Não bastasse a leitura divertida, temos, em pelo menos dois
momentos, a ideologia pacifista do autor. À certa altura, por exemplo, Gucky
diz: “Guerra! Por que as raças inteligentes não têm nada melhor a fazer senão
destruir-se umas às outras? Usam a primeira centelha de inteligência para
construir uma arma e não param até atingir o ponto culminante da civilização. O
último feito brilhante é a autodestruição”.
No final no diálogo entre Rhodan e o comandante maahk, esse
discurso é ainda mais pungente. “Sua raça e a nossa nunca terão motivos para
brigar por um mundo. Nós só sobrevivemos num mundo de hidrogênio, cuja
atmosfera é venenosa para os senhores. Os senhores vivem em mundos de oxigênio,
que são veneno para nós”, diz Grek1, ao que Rhodan concorda: “Nosso exemplo
prova que as diferenças raciais e de estilo de vida servem antes para ligar que
para separar as pessoas”.
Uma bela mensagem, atual até os dias atuais.


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