O Gavião Negro e a Mulher Gavião são dois dos personagens mais interessantes da DC Comics. Na sua versão moderna, criada por Gardner Fox e Joe Kubert, os personagen oscilavam entre dois gêneros: o policial e a ficção científica. Anos depois, em 1985, uma minissérie escrita por Tony Isabella e desenhada por Richard Howell (com arte-final de Alfredo Alcala) resgatou essas características em uma trama que ressignificava o planeta Thanagar, abrindo caminho para abordagens mais sombrias do personagem.
Na trama, um ladrão é contactado por seres misteriosos que
o coagem a invadir a casa na qual moram Katar Hol (Gavião Negro) e sua esposa
Shayera (Mulher Gavião). Enquanto o Gavião Negro vai para casa verificar o que
está acontecendo, outro grupo dos seres misteriosos invade o museu e mata a
Mulher Gavião, sobrando dela apenas o reflexo na parede.
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| O texto de Isabella se destaca pela síntese e pela qualidade. |
Tony Isabella escreve surpreendentemente bem, fugindo da
verborragia comum entre os autores de quadrinhos da época. A sequência em o
Gavião Negro descobre a morte da esposa é um ótimo exemplo da competência do
roteirista: “No salão de exibição do museu de Midway City, um homem chama pelo
nome da esposa... sabendo que ela nunca mais responderá. Ele é poderoso. Chore
por ele”.
Junto com a morte da esposa, o Gavião Negro descobre que os
responsáveis são seu próprio povo, já que os Thanagarianos pretendem invadir a
Terra, e para isso precisam roubar a tecnologia de antigravidade, que havia
sido perdida no planeta natal.
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| A história é um conto sobre um casal apaixonado. |
Claro que a Mulher Gavião não morreu e a explicação para
isso é bastante forçada, mas o roteiro é tão fluído que o leitor deixa passar a
falta de verossimilhança.
O desenho não fica nada a dever ao roteiro. Richard Howell tem
um traço bonito e uma diagramação pouco convencional. Destaque para a sequência
em que o herói relembra a amada, agora morta e os dois, nas lembranças dele,
bailam nos céus de Thanagar. Alfredo Alcala no início carrega muito nas tintas,
o que poderia funcionar para uma história com um pé no terror, mas parece
deslocado numa HQ de ficção científica e super-heróis. Mas, aos poucos, vai
ajustando a tinta, até que a arte-final passa a se encaixar bem no traço de
Howell.
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| A tensão sexual entre o casal se revela até nos momentos de ação. |
No final, A guerra sombria do Gavião Negro é acima de tudo,
um conto sobre um casal apaixonado. A tensão sexual entre os dois fica
implícita em várias situações, inclusive no momento em que os dois precisam
entrar em um transportador apertado para conseguirem chegar à nave. “Em outra
situação eu acharia isso divertido”, diz o herói.
Considerando os méritos, é surpreendente que a Abril não
tenha cogitado publicar essa história. Talvez a razão tivesse alguma relação
com a cronologia da editora.




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