sábado, novembro 02, 2024

A arte única de Brian Bolland

 


Brian Bolland é um desenhista britânico que ficou famoso na revista 2000 AD. Nos EUA seu primeiro trabalho de impacto foi a série Camelot 3000. Outro trabalho marcante dele foi a graphic Piada Mortal, com roteiro de Alan Moore. Na década de 1990 ele se dedicou principalmente a produzir capas para diversas revistas DC. Dizia-se que qualquer revista com uma capa sua venderia.













sexta-feira, novembro 01, 2024

Como as estrelas na terra

 


Como as estrelas na terra, filme indiano de 2007 lançado recentemente aqui pela Netflix é uma obra que entrará para qualquer lista de melhores obras sobre a educação.

O filme conta a história de Ishaan Awasthi, um menino de nove anos que já reprovou a terceira série e irá reprovar novamente de ano, o que faz com que os pais o coloquem num colégio interno.

Visto como rebelde e preguiçoso, o garoto na verdade sofre de dislexia. As letras “dançam” na frente dele, o que faz com que ele seja incapaz de ler ou escrever.

A história do garoto muda quando o professor de artes do colégio interno percebe o problema do garoto e começa a ajudá-lo (a sequência em que ele ensina contas usando uma escada é um dos momentos mais interessantes). Mais ainda: o professor descobre que  Ishaan não só não é burro, como é um gênio da pintura.

A primeira parte peca por um problema que dizem ser comum nos filmes indianos: o excesso de musicais. Há momentos em que eles funcionam, como quando estão mesclados com animações. Mas chega num ponto de exagero em que tudo vira motivo para um musical. O garoto está triste? Música. A família vai deixá-lo no colégio interno? Música. Entra o novo professor de música? Música com dança.

A história engrena de fato quando o diretor  Aamir Khan  se concentra em contar a história, deixando as sequências de música mais pontuais.

Descontado esse exagero nos musicais, Como as estrelas na terra é um filme divertido e emocionante que aborda perfeitamente o assunto dislexia.

Sherlock Time

 


Héctor Oesterheld é um dos maiores roteiristas de todos os tempos. Alberto Breccia é um dos mais revolucionários desenhista que já pisaram em uma editora de quadrinhos. Qualquer colaboração entre esses dois mestres só poderia ser uma obra-prima. E, desde a primeira HQ, Sherlock Time, essa dupla se mostrou genial.
O personagem foi criado em 1958 para a revista Hora Cero, editada por Oesterheld.
Como o próprio nome sugere, Sherlock Time é um detetive temporal (ou do espaço-tempos, pois ambos são indissociáveis, como explica o herói).
Oesterheld usa um expediente que seria repetido em várias outras obras: a de um mundo fantástico ou de aventuras sendo contado pela ótica de um homem comum. Na história, um homem chamado Julio Luna compra uma mansão por uma pechincha apenas para descobrir que o local parece assombrado. Um vizinho lhe conta que todos os outros moradores desapareceram misteriosamente e é possível que esteja enterrados no quintal ou na própria casa.


Ao adentrar em sua nova propriedade, Luna vê sangue pingando no chão. Isso é o início de uma longa sequência em que Oesterheld faz o seu melhor: esticar o suspense até o seu máximo. A isso junta-se a habilidade Breccia para não só retratar imagens, mas dar significado a elas. As árvores do quintal, por exemplo, parecem fantasmas ameaçadores. As sombras, opressivas, parecem fechar-se sobre o personagem. As gotas de sangue caindo marcam o ritmo de suspense e mostram o quanto Breccia era inovador: sua primeira representação é de fato uma gota de nanquim sobre a página.
Este é, provavelmente, o trabalho com maior influência de Jorge Luís Borges. Oesterheld era fã de Borges. Mas podemos perceber outros elementos aí, em especial Edgar Alan Poe e Conan Doyle. Assim, a história é estruturada sempre através de contos nos quais aparece inicialmente uma situação fantástica, seja um ídolo que é amado e odiado por seu comprador a um tesouro escondido nos jardins, que se revela uma armadilha. Finalmente, termina com Sherlock Time explicando o acontecimento para Luna. A dupla consegue levar essa estrutura a níveis altíssimos, fazendo um trabalho que nitidamente era focado no leitor adulto – muito antes de existirem as graphic novels.
Há também contos soltos, como o do homem que cai em um planeta desconhecido e acaba descobrindo que está em uma rina extraterrestre.
A edição da Colihue, em formato de álbum, é bem melhor que a diminuta publicação do Clarin, cujo formato comprometia tanto o texto de Oesterheld quanto a arte de Breccia. Mas peca em um detalhe essencial: a impressão foi feita a partir das edições do Hora Cero e não dos originais – e não foi feito nenhum tratamento nas letras. O resultado é que em alguns pontos as falhas de impressão tornam quase impossível ler o que está escrito.

Holambra – a cidade das flores

 


Holambra é a maior cidade de colonização holandesa do Brasil, daí seu nome, que mistura Brasil com Holanda. Localizada no interior de São Paulo a poucos quilômetros de Campinas, é uma das principais atrações turísticas da região e a principal produtura de flores do Brasil, respondendo por mais de 40% da produção nacional.

É uma cidadezinha pequena, com pouco mais de 12 mil habitantes, mas com ótima infra-estrutura e serviços públicos. A cidade é muito limpa (eu não vi lixo na rua em lugar algum) e conta com ótimo serviço de saúde. Eu tive uma alergia referente a um remédio que estava tomando e procurei a políclina do município. Fui muito bem atendido: não só recebi o anti-alérgico na veia, como ainda saí de lá com um remédio para substituir o que estava tomando. É também um local muito calmo, onde é possível andar mexendo o celular na rua de noite sem risco de assalto.

O grande problema da cidade é transporte. Nós fomos de ônibus e sofremos com a falta de Uber e os poucos taxis. O ideal é pegar um contato de um transporte (a maioria dos restaurantes e cafés tem cartões). Nós usamos o serviço de um motorista chamado Luís (19-991601836), que foi muito atencioso. Também é interessante contratar os serviços de um guia, especialmente se você for passar pouco tempo na cidade. Nós ficamos apenas dois dias e conseguimos ver tudo graças à guia Liliane (19 – 992724522).


Ficamos em um hotel muito bom, mas longe do centro. Ideal para quem está de carro. 


Nós ficamos no Parque Hotel Holambra, um local maravilhoso, muito agradável, como ótimo café da manhã, mas longe do centro. Perfeito para quem está de carro. Para quem está a pé o ideal é pegar um hotel ou pousada no centro da cidade. Há vários.

Holambra é a cidade das flores e a maioria das atrações estão relacionadas a elas ou à imigração holandês. A maioria dos pontos turísticos ficam próximos, como o corredor dos guarda-chuvas e o Deck do amor (onde os casais costumam colocar cadeados com seus nomes).



O Parque Van Gogh é outra parada obrigatória. É um belo lago circundado por casas no estilo holandês nos quais é possível tomar café ou saborear o sorvete de flores.

Outro ponto turístico é o Boulevard Holandês, uma rua na qual estão vários restaurantes típicos holandeses e lojinhas. Nas proximidades do Boulevard há vários mini-shoppings com vendas de flores e artesanato.

O moinho holandês reproduz um moinho típico. Os turistas podem subir, conhecer a estrutura por dentro e tirar fotos com a bela paisagem. Ao lado do moinho há um galpão com vários vendendores de artesanato.



As fazendas de flores sempre foram pontos obrigatórios dos turistas. Mas eram fazendas, não locais apropriados para turismo. Assim, uma família local criou o Bloemen Park, que reproduz uma fazenda de flores, mas com toda a estrutura para turistas. Esse parque é visita obrigatória.

Uma curiosidade é que a cidade é ponto de encontro de ciclistas das cidades próximas. Já na estrada para Holambra já é possível ver vários grupos. E, como não poderia deixar de ser, todas as ruas da cidade têm ciclovia.

COMO CHEGAR DE ÔNIBUS: O ônibus para Holambra sai de Campinas no terminal de ônibus (ao lado da rodoviária). Pegue o coletivo Arthur Nogueira e desça na rodoviária de Holambra. A passagem sai por R$ 8,50.  





A cidade é ponto de encontro de ciclistas - e boa parte da ornamentação é feita com bicicletas. 


Os tamancos holandeses são um dos símbolos de Holambra. 

O parque homenageia o famoso pintor holandês. 

O Parque Van Gogh é um dos principais pontos turísticos da cidade. 

Uma das atrações da cidade é saborear o sorvete de flores. 

Não deixe de parar na entrada da cidade para tirar foto no portal. 

O moinho reproduz um moinho holandês. 

O Deck do amor é ponto obrigatório para os casais apaixonados. 


Os casais colocam os nomes em cadeados e prendem na ponte. 




Os orelhões da cidade reproduzem os famosos tamancos holandeses. 

As lojinhas de comidas imitam o estilo arquitetônico holandês. 

A rua dos guarda-chuvas é uma das grandes atrações da cidade. 





O Bloemem Park reproduz uma fazenda de flores. 



Os ambientes da estufa do Bloemen são temáticos. Um homenageia Van Gogh...

Outro homenaageia o circo... 

... e outro homenageia o Rio de Janeiro. 


O parque tem o mais variado tipo de flores. 

O fim da eternidade, de Isaac Asimov

 

Quando pensa em ficção científica, a grande maioria das pessoas costuma lembrar em grandes batalhas espaciais e tramas repletas de ação. Existem obras, no entanto, que se baseiam principalmente nas questões lógicas e científicas relacionadas ao desenvolvimento tecnológico. São obras que têm como principal objetivo desafiar o leitor, estimular sua imaginação e raciocínio. O fim da eternidade, de Isaac Asimov (lançado no Brasil pela editora Aleph), é um ótimo exemplo disso.
Publicado originalmente em 1955, O fim da eternidade trata de viagens no tempo. Mas o enfoque é totalmente original. Imagine se o ser humano, ao descobrir as viagens temporais, não se contentasse em vagar para o passado ou futuro, mas se dedicasse a mudar a história. Pequenas modificações poderiam criar novas realidades, menos danosas ao ser humano. Para isso, é fundada toda uma sociedade de viajantes do tempo, centrada nos observadores, técnicos e computadores (a expressão aqui não é no sentido de pessoas que coordenam todo o processo de mudança da realidade).
Ao contrário do que a maioria das pessoas poderia imaginar, as mudanças na realidade têm como base pequenas, sutis modificações.
Um exemplo:
“Ele havia alterado a realidade. Havia adulterado um mecanismo (a embreagem de um carro) por alguns minutos do século 223 e, como resultado, um jovem não conseguiu assistir a uma palestra sobre mecânica à qual deveria ter comparecido. Nunca estudou engenharia solar e, em consequência, um invento perfeitamente simples teve seu desenvolvimento adiado por dez anos cruciais. Uma guerra no 224, espantosamente, sumiu da realidade como resultado”.
Asimov, muito à frente de seu tempo, antecipa alguns conceitos fundamentais da teoria do caos, como o efeito borboleta, também chamada de dependência sensível das condições iniciais. Esse conceito costuma ser exemplificado com a frase: uma borboleta batendo suas asas na mulhara da China pode provocar uma tempestade em Nova York.
O interessante é que esse fenômeno só foi observado pela primeira vez pelo metereologista Edward Lorenz, em 1963, e só se tornaria popular com o coletivo de sistemas dinâmicos, na década de 1970. Ou seja: Asimov antecipa, na ficção, o que a ciência só viria a observar de fato, quase dez anos depois. Mais, ele lança a ideia, hoje comum nos meios científicos, de que a realidade é feita de diversas bifurcações, pequenas escolhas. Eu vou para o trabalho usando a rua da esquerda ou da direita? O resultado dessa escolha pode provocar grandes alterações na realidade. A cada bifurcação, é como se uma nova realidade estivesse sendo escolhida. Então, o real seria resultado de uma quantidade infinita de bifurcações e, portanto, de uma infinidade de realidades paralelas.
O fim da eternidade, é, portanto, um livro sobre lógica e sobre como o desenvolvimento tecnológico afeta a realidade. O conflito aqui não está na ação, no embate de punhos, mas no embate de ideias, teorias e conceitos. Asimov se aventura até mesmo na teoria da evolução, ao postular que as constantes mudanças na realidade, ao criarem as melhores condições para a humanidade, emperrariam a evolução do ser humano, uma vez que a evolução decorre do ajustamento às situações ambientais desfavoráveis.
Surpreendentemente, o autor consegue transformar essa trama puramente cerebral em um verdadeiro triller de suspense. Passadas as primeiras páginas, dedicadas quase que exclusivamente à descrição da eternidade e seus agentes, o leitor logo se vê em uma trama complexa cheia de reviravoltas.
O fim da eternidade é um daqueles livros que exercitam o cérebro.

Mosquito, Mosquete e Moscardo

 


Mosquito, Mosquete e Moscardo é um desenho animado da Hanna-Barbera exibido pela primeria vez em 1964.

Os personagens principais são três cachorros mosqueteiros atrapalhados que servem a um rei. Os três são tão patetas que muitas vezes acabam se dando mal sozinhos, sem a necessidade de nenhum inimigo, seja dando de cara com uma porta fechada ou ferroando um amigo com a espada sem querer.

As histórias giram normalmente em torno de ordens recebidas pelos mosqueteiros e a forma desastrada com a qual agem – o que acaba colocando o soberano em situações dolorosas. O bordão do rei, aliás, é “preciso de guardas para me salvar dos meus guardas”.

Em A bruxa bucho, uma bruxa transforma o rei em sapo, o que faz com que os mosqueteiros levem o soberano para convencer a bruxa a transformá-lo em humano de novo e só conseguem o intento quando a bruxa, sem querer toma uma porção que a transforma numa bela e boa donzela.

Em O fora da lei na lei, a rainha decide que seu irmão deve se tornar um mosqueteiro. Mas durante todo o processo de instrução do rapaz, o máximo que ele consegue é machucar o rei das mais variadas formas possíveis, seja atingindo-o com uma flecha, com uma bola de canhão ou aplicando-lhe golpes de judô.

O desenho teve uma temporada com 23 episódios curtos. 

Homem-Animal – O demônio e o mar profundo

 

Uma das histórias mais interessantes da fase de Grant Morrison à frente do Homem-Animal é um conto singelo sobre como o personagem tenta impedir a caça a golfinhos nas ilha Faroe.

Chamada de  'grindgráp', essa caçada é feita há séculos. Barcos formam um semi-círculo em volta de golfinhos em migração, forçando-os na direção da praia. Lá eles ficam encalhados na areia e se tornam presas fáceis. Centenas às vezes milhares de golfinhos são mortos, fazendo com que a água fique tingida de sangue. Embora essa atividade antigamente fosse uma forma de conseguir comida, hoje em dia é apenas uma diversão sangrenta.

Algumas páginas trazem a narrativa de um golfinho. 


Na história, o Homem-Animal se une a um grupo de ecologistas que pretende sabotar a caçada daquele ano. Uma segunda heroína, chamada Delfim, se une ao grupo.

Morrison traz algumas sequências com a narrativa de um golfinho e simula seu pensamento em um texto sem pontuação: “Harmonias de dor uma tempestade de ruídos confusão sofrimento frenesi agonia”.

A história é sobre o massacre de golfinhos na ilha Faroe. 


Esse golfinho, aliás, tem a companheira e o filho mortos por um dos pescadores, justamente aquele que o Homem-Animal, enfurecido, leva pelos ares e joga no meio do oceano. E o golfinho, que tinha todos os motivos para se vingar, acaba salvando o pescador. A narrativa do golfinho diz que o modo de ser dos tristes homens é a matança, o demarramento de sangue de inocentes: “O nosso modo é diferente”.

O roteiro surpreende o leitor ao mesmo tempo em que constrói uma fabula moral e deixa em aberta uma pergunta: somos de fato os seres mais inteligentes do planeta?

Os heróis tentam impedir a caçada afastando os golfinhos da costa.


Tudo isso é feito sem as tramas complicadas que caracterizariam Morrison no futuro. A história é comovente em sua simplicidade. Embora seja pouco lembrado, vale destacar o papel dos desenhistas Chas Troug e Doug Hazlewood nesse resultado. O traço aqui não tem nada de revolucionário ou chamativo. É um traço unicamente a serviço da história que está sendo contada.

Essa história foi publicada no número 15 da edição americana e, no Brasil, no número 26 da DC 2000.