quarta-feira, março 08, 2017

O quadrinho europeu


            A Europa sempre foi um re­duto das HQs de qualidade. Na década de 30, Hergé havia cria­do o Tin Tin e, com ele, a escola belga de quadrinhos. Mas o grande  boom da oitava arte na Europa viria mesmo depois da II Guer­ra.
            Na época da guerra, os italianos e alemães proibiram que fossem importados quadrinhos americanos, que poderiam incentivar os jovens a entrarem na resistência.
            O desenhista Edgar Pierre Jacobs foi chamado para terminar uma história de Flash Gordon. Como não conhecia exatamente o personagem, fez modificações que depois levariam à criação dos personagens Blake e Mortiner, dois aventureiros que se envolvem em diversas situações perigosas e estranhas.           
            Surgiram vários outros heróis, seguindo a chamada linha clara (com um desenho limpo e elegante): Jijé fez, para a revista Spirou, o cowboy Jerry Spring, que influenciou toda a uma geração de personagens de faroeste.
            Já estava ali, em Jerry Spring, a essência do quadrinho franco-belga: desenho limpo, detalhamento de cenários, muitos quadros por página e muita pesquisa. O autor chegou a viajar para os EUA e para o México, a fim de conhecer de perto o cenário no qual se passariam as histórias.
            Em 1949, o editor Georges Dargaud adquiriu os direitos de publicação da revista Tintin na França, abrindo espaço para desenhistas locais. Com isso, os mercados francês e belga se aproximaram (a ponto de se tornarem uma só escola) e evoluíram muito.
            Seguindo a linha de faroeste, mas com foco no humor, Morris criou um cowboy que viria a se tornar célebre: o cowboy Lucky Luke (conhecido por ser mais rápido que sua própria sombra). Ao visitar os EUA para fazer pesquisa para seu personagem, Morris conheceu Goscinny, um francês que migrara para o novo mundo e passara pela Argentina antes de ir para a terra de Tio Sam. Diante da qualidade do texto do amigo e do humor ferino, Morris convidou-o a escrever as aventuras de Lucky Luke. Mais tarde, em parceria com Uderzo, Goscinny viria a criar o mais importante personagem da escola franco-belga: o gaulês Asterix.
            Outro personagem de sucesso desse início da HQ européia foi Alix, com histórias que se passavam na época do Império Romano e envolviam tramas muito bem elaboradas.

            Uma curiosidade sobre os quadrinhos europeus é que as histórias são publicadas em revistas seriadas e depois unidas em álbuns de luxo, o que deu ao quadrinho europeu status de arte. 

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