domingo, julho 09, 2017

Jim Starlin e a Marvel cósmica

A Marvel sempre teve um pé na ficção científica. Quarteto Fantástico, o principal gibi da era de prata da editora, era uma série de FC. Mas nenhum autor explorou tão bem as sagas cósmicas quanto Jim Starlin, o autor que levou a editora ao infinito.
O primeiro trabalho de Starlin para a Marvel foi uma edição do Homem de Ferro, personagem que seu colega de quarto, Mike Friedrich, escrevia. Starlin aproveitou a oportunidade para colocar ali vários personagens que haviam surgido para ele em sonho quando estudava psicologia na faculdade. Stan Lee viu a história, achou o resultado péssimo e afastou Starlin da série.
Mas Roy Thomas achava que o artista tinha futuro e lhe passou a revista do Capitão Marvel, que ele mesmo escrevera. A revista vendia mal, o personagem era praticamente uma página em branco, com uma personalidade insípida. Se não desse certo, era só cancelar a publicações.
Starlin reformulou completamente o personagem e o transformou em um sucesso entre a geração hippie. A história metamorfose, publicada na edição 29 da revista marcou os quadrinhos da Marvel para sempre e mostrou o quanto Starlin poderia ser revolucionário.
Nela, o herói é transportado para uma realidade onde é confrontado por uma criatura chamada Eon. Starlin encheu a história de cenas de luta, mas os leitores mais espertos perceberam que toda aquela ação era na verdade uma grande metáfora para um processo de transformação do personagem que, a partir dessa experiência iria adquirir consciência cósmica.
As vendas não paravam de subir e a redação da Marvel começou a receber cartas destinadas a Starlin que vinham com cigarrinhos de maconha.
Starlin trouxe para a série um conjunto de personagens que havia testado na história do Homem de Ferro, entre eles aquele que viria a se tornar o maior vilão cósmico da Marvel: o titã Thanos, um personagem poderosíssimo, apaixonado pela morte. Dizem que Starlin queria copiar um dos personagens que Jack Kirby tinha criado para a DC, Metron. Ao saber disso, Roy Thomas teria lhe dito: já que vai copiar, copie logo o Darside! Thanos se destaca não só pelo seu poder, mas principalmente por sua motivação: ele é apaixonado pela Morte e pretende destruir planetas inteiros para agradá-la. Essa motivação torna o personagem complexo: embora seu objetivo seja o assassinato em massa, ele o faz movido pelo amor.
Se o Capitão Marvel serviu para testar os conceitos lisérgicos e cósmicos de Starlin, foi outro personagem, Warlock, que lhe rendeu seus momentos mais inspirados (e mais “viajantes”).
Warlock havia sido criado como personagem secundário do Quarteto Fantástico pela dupla Stan Lee e Jack Kirby e teve uma revista própria escrita por Roy Thomas com arte de Gil Kane, sem muito destaque.
Starlin introduziu na série um novo vilão, o poderoso Magus, que é, na verdade, o Warlock do futuro. Magus dominou a galáxia, impondo um regime totalitário baseado na sua igreja, a Irmandade Universal e uma espécie de inquisição, que arrasa mundos que não seguem seu credo. O artista começou aí a abordar um dos seus temas mais caros: os perigos do fanatismo religioso e a religião como forma de alienação e totalitarismo. Uma das primeiras histórias produzidas por Starlin já aborda o assunto, com o personagem sendo submetido a uma lavagem cerebral para se adaptar aos sistema.
A série ganhou dois personagens secundários que conquistaram os fãs: Gamorra, a mulher mais perigosa da galáxia e o troll Pip, e trouxe de volta o grande vilão criado por Starlin: Thanos.

O gibi fez tanto sucesso que o capítulo final, o confronto definitivo com Thanos, teve a participação dos Vingadores e do Homem-aranha, duas das séries mais populares da Marvel – e até hoje essa história está entre as melhores dos Vingadores. 

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