sexta-feira, julho 28, 2017

O super-brasileiro


- Oi Gian, eu adicionei você porque gosto muito dos seus roteiros. 
- Obrigado. 
- Olha, eu tenho uma proposta irrecusável para vc. 
- Ah, tá. Beleza. 
- Eu tenho um personagem chamado Super-brasileiro e podia ter escolhido qualquer roteirista, mas escolhi você para escrever as primeiras histórias. 
- Er... bem... obrigado. Mas vai sair como revista? Já tem editora?
- Cara, presta atenção: eu estou falando do Super-brasileiro! As editoras vão correr atrás da gente. Ontem mesmo mandei um e-mail para a Panini oferecendo e só estou esperando a resposta. 
- Cara, obrigado pelo convite, mas ando bastante ocupado. Estou fazendo doutorado, já estou em outros projetos... 
- Gian, você não está entendendo! É o Super-braileiro, cara! O Super-brasileiro! É um super-herói nacionalista que se veste como o mosquito da dengue para picar políticos corruptos! É sucesso garantido! Só vou precisar que você escreva as três primeiras revistas para eu desenhar e apresentar para as editoras. São só 60 e poucas páginas! 
- Olha, obrigado pelo convite, mas tenho aqui na centenas de páginas de roteiros que escrevi para personagens de outras pessoas. No final, a revista não saiu e nem posso aproveitar para outra coisa, já que o roteiro era para o personagem específico daquela pessoa. Já perdi muito tempo assim. 
- Gian, você não está entendendo: é o Super-brasileiro, é genial, cara. E eu vou te pagar pelos roteiros! 
- Vai pagar? 
- Assim que as revistas saírem cara. Vou te pagar muito bem. Estou te dizendo, mandei ontem e-mail para a Panini. As editoras vão correr atrás desse personagem. 
- Cara, obrigado pelo convite. Mas vou ter que declinar. Se ainda fosse algo pequeno... não tenho tempo para escrever três revistas.
- Tá bom, seu arrogante FDP!
E assim eu ganhei mais um inimigo no Facebook.

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