sexta-feira, junho 08, 2018

Combate inglório

Em 1965, James Warren estava transformando uma paixão em negócio. Ele havia lançado com sucesso uma revista sobre monstros e sua revista de quadrinhos de terror, a Creepy, era um sucesso. Ele resolveu então aumentar seu catálogo de publicações com uma revista sobre guerra e chamou para isso o seu único funcionário, o roteirista e editor Archie Godwin.
Godwin tinha um método próprio de trabalho: ele conversava com cada desenhista e descobria o que ele gostava de desenhar. E fazia histórias a partir dessas preferências. Isso garantia que os desenhistas tivessem algumas das suas melhores performances em revistas editadas por ele. Por outro lado, Archie Godwin era um dos melhores roteiristas dos comics americanos de todos os tempos, com uma incrível capacidade de criar histórias envolventes, poéticas quando necessário e acima de tudo profundas.
O resultado disso, a revista Blazing Combat, só poderia ser um sucesso.
Mas foi um fracasso.
A razão disso foram as histórias sobre a guerra do Vietnã. Na década de 1970 essa guerra se tornaria extremamente impopular, mas naquela época a opinião pública norte-americana era a favor da guerra. E as histórias de Godwin (e Joe Orlando, nos desenhos), mostravam uma visão nada gloriosa da guerra, como a história de um camponês vietnamita que perde tudo, de sua família ao arrozal por conta da guerra.
Os distribuidores de quadrinhos viram a história e começaram a boicotar a revista. Como os relatórios de vendas demoravam a chegar, Warren continuou publicando o gibi até o número quatro, mas o prejuízo quase fecha a editora – que só se sustentou graças ao sucesso absoluto da Creepy.
Apesar de ter tido apenas quatro número, Blazing Combat entrou para a história como a melhor revista de guerra de todos os tempos.
Em 2011 a editora Gal publicou um encadernado com essas histórias com o título de Combate Inglório. A edição de mais de 200 páginas traz, além de todas as histórias em quadrinhos publicadas na revista, uma entrevista com James Warren e outra com Archie Godwin. É uma edição imperdível para qualquer um que goste de quadrinhos de qualidade. Além do texto simplesmente brilhante de Godwin, a lista de desenhista é impressionante: Joe Orlando, Al Williamson, John Severin, Wallace Wood, Alex Toth, Gene Colan, Reed Crandal, Angelo Torres, Gray Morrow.

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