terça-feira, março 19, 2024

Blueberry - Águia solitária

  


O terceiro volume da série Tenente Blueberry apresenta uma estrutura interessante, que lembra uma trama policial. 

Na história, Blueberry lidera a escolta de um comboio de armas e munições. Mais do que levar essas carroças em segurança, ele pretende chegar até o forte no qual está o general que comanda a guerra contra os índios. Blueberry pretende informá-lo que os apaches são inocentes do ataque aos colonos. 

Mas, conforme a caravana marcha, coisas estranhas começam a acontecer. Uma peça de toucinho desaparece, por exemplo. Quem está por trás dessas ações aparentemente sem sentido e com que objetivo? 

Mistério: por que alguém roubaria toucinho? 


Charlier manobra o roteiro de forma inteligente, mantendo o suspense e, quando descobrimos o que está acontecendo tudo faz sentido. É o tipo de coisa que lemos e pensamos: não poderia ser de outra forma, é óbvio. 

Quando esse mistério é solucionado, a trama se transforma num intenso triller de perseguição com os soldados fugindo de um verdadeiro exército de indígenas e tentando sobreviver mesmo com uma absoluta inferioridade numérica. 

Aqui destacam-se as estratégias inteligentes de Blueberry, que aproveita tudo, inclusive as dificuldades do terreno, como forma de defesa. 

Gir mostra seu talento em quadros como este. 


Há uma estratégia comum entre roteiristas de fazer os personagens agirem de forma tola como forma de fazer a história avançar.

Embora um ou outro dos militares aja de maneira idiota, Blueberry jamais o faz. Aqui cada personagem age de acordo com aquilo que o leitor espera sobre eles a partir das pistas deixadas pelo roteirista. Até mesmo quando erram, esses erros da consequência direta dessas pistas, e exemplo do soldado beberrão. 

Blueberry usa tudo a seu favor, inclusive as dificuldades do terreno. 


As dificuldades aparecem como parte das circunstâncias e nunca se maneira forçada, assim como as soluções para as mesmas.

Se Charlier dá uma aula de roteiro, Gir vai se mostrando um desenhista casa vez mais maduro e competente. Embora ainda esteja à sombra do mestre Jijé, ele já começa aqui a apresentar algumas das características que o fariam famoso, a exemplo do impressionante quadro do ataque dos índios à caravana, repleto de personagens e detalhes.

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