sábado, fevereiro 21, 2026

Perry Rhodan – A casta dos trombas brancas

 


Um bom escritor pode escrever um livro interessante mesmo partindo de uma trama fraca. É o que acontece com o volume 235 da série Perry Rhodan, de autoria de  William Voltz.

No livro anterior a nave terrana havia sido puxada para um Moby morto e aprisionados pelos seres de duas trombas. Em tempo: os mobys eram seres tão grandes que se alimentavam de pequenos planetas.

A história do número 235 trata, basicamente, da viagem de trem com eles sendo levados para trabalhar em fazendas de bioparasitas, usados como alimentos pela população local. Ou seja: dois terços do livro é apenas uma viagem de trem, mas Voltz consegue fazer esse mote se tornar interessante com uma boa escrita e principalmente com um bom desenvolvimento de personagens.

A capa original alemã. 


Para isso, ele foca sua narrativa no sargento Kendall Baynes, que diz ser descendente de nobres e é chamado de Lorde pelos colegas em alusão ao seu perfil convencido. Conforme a história – e o trem – avançam, vamos conhecendo cada vez mais desse personagem, até descobrirmos, por exemplo, que ele foi criado em um orfanato, depois de se tornar órfão. Embora o texto não entre em detalhes, ele dá a entender que Baynes foi maltratado lá, o que o levou a criar a persona de um nobre como forma de compensação por todas as humilhações recebidas na adolescência.

Voltz também faz um bom trabalho ao descrever a organização social dos alienígenas, cuja sociedade é dividida em castas. Na base estão os trombas brancas, trabalhadores braçais. Acima deles, os trombas azuis, que exercem a função de vigilância e polícia, e no topo os trombas vermelhas, os governantes. Quando descobre que os trombas azuis e vermelhas apenas pintam seus apêndices, Rhodan comenta com um tromba branca: “Quer dizer que a única coisa que o senhor precisa fazer para subir de casta é pintar sua tromba?”, ao que o outro reage violentamente, ameaçando matá-lo.

Em um trecho extremamente crítico, o escritor pondera que é extremamente difícil libertar uma inteligência dos preconceitos que pairam sobre ela.

Nas mãos de um escritor mediano, A casta dos trombas brancas seria um volume insuportável, mas William Voltz faz dele um boa leitura.

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