Supremo surgiu como uma história tapa buraco da revista Yongblood 3. Criado por Rob Liefield, era provavelmente o pior personagem da Image – o que não é pouca coisa. O herói não tinha uma origem ou poderes definidos. Posteriormente, quando finalmente ele ganhou uma origem a coisa era de uma confusão tremenda. Assim, em 1996, quando Alan Moore foi convidado para assumir o personagem, ele exigiu esquecer tudo que veio antes e recomeçar do zero... e transformou a série numa belíssima homenagem ao Super-homem. De fato, há quem diga que o Supremo de Moore é a melhor série do Homem de aço de todos os tempos.
A série, antes da entrada do bardo inglês no título, era
desenhada pelo paraense Joe Bennett, e ele continuou com a entrada de Moore. No
roteiro da história, Alan Moore dizia que tinha percebido que o desenhista era
muito bom em desenhar cenários expressionistas e que colocaria muito disso na
história. De fato, haveria muitas possiblidades para Bené exercitar essa
predileção.
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| O herói se depara com versões de si mesmo... |
Na história, Supremo está chegando à terra depois de uma
longa ausência e encontra o planeta sobreposto, como se fossem dois planetas se
unindo ou se separando. Ao se aproximar, encontra casas, carros, pessoas,
variando entre versões de si mesmas.
É quando alguém se aproxima dele pelo alto e só vemos os
braços. Os diálogos, repletos de fina ironia, são metalinguísticos, e refletem
diretamente os quadrinhos Image. “Olha só o tamanho do filho de d´uma égua! Não
tinha ninguém musculoso assim na nossa época!”, diz um dos que se aproximam enquanto
outro responde: “Deve ser um modelo anos noventa. Seus poderes podem ser tão
mal-definidos quanto ilimitados!”.
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| ... incluindo uma versão camundongo que é uma óbvia referência ao Supermouse. |
Quando viramos a página, nos deparamos com três versões do
Supremo, uma dos anos 30 e duas dos anos 70, incluindo uma mulher negra.
Como é regra nos quadrinhos, sempre que super-heróis se
encontram, eles saem no soco, especialmente se for um herói da Image Comics. E
é isso que acontece, até Supremo ser nocauteado por um rato antropomorfizado –
uma clara referência ao Supermouse. “Bom trabalho, Guincho! Seus poderes vindos
do queijo gorgonzola supremium funcionam melhor que os meus!”.
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| Os cenários grandiosos foram um agrado ao desenhista. |
Com os ânimos mais calmos, os heróis convidam o Supremo a
segui-los a um portal dourado antes que aconteça a “revisão”. A tal revisão é
uma referência direta à saga Crise, em que várias terras paralelas da DC foram
unidas em uma só (daí o efeito terra sobreposta que o Supremo havia visto no
início), mas também se referia a todas as mudanças no Super-homem ao longo do
tempo, quando, por exemplo, a versão era de ouro foi trocada pela versão era de
prata.
Aliás, nitidamente Alan Moore reverenciava a era de prata,
tanto que quando os heróis atravessam o portal dourado e vão parar em Supremacia,
ela é governada pelo Supremo da era de prata, que Joe Bennett, muito
apropriadamente, desenha como se fosse o super-homem de Curt Swan.
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| O Supremo da Era de Prata é o rei de Supremacia. |
Lembram que eu me referi aos cenários expressionistas que
apareciam no roteiro? Eles vão aparecer principalmente em Supremacia. Imagine
uma cidade criada por semi-deuses. Tudo é grandioso e distorcido em sua
grandiosidade.
Essa terra é povoada pelas mais diversas versões do Supremo,
incluindo um cavalo, uma versão branca e dourada e um supremo gênio, com macrocefalia.
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| Aparece até um Cavalo Supremo. |
No final, supremo atravessa novamente o portal para chegar
em uma terra finalmente estabilizada de acordo com a nova revisão.
É um começo grandioso que prometia momentos épicos.
Ps: Apesar da qualidade geral, nem tudo é perfeito. Nessa
época, Joe Bennett tinha que imitar o estilo de Rob Liefield.






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