domingo, fevereiro 15, 2026

Supremo – Um grande épico em três partes

 


Supremo surgiu como uma história tapa buraco da revista Yongblood 3. Criado por Rob Liefield, era provavelmente o pior personagem da Image – o que não é pouca coisa. O herói não tinha uma origem ou poderes definidos. Posteriormente, quando finalmente ele ganhou uma origem a coisa era de uma confusão tremenda. Assim, em 1996, quando Alan Moore foi convidado para assumir o personagem, ele exigiu esquecer tudo que veio antes e recomeçar do zero... e transformou a série numa belíssima homenagem ao Super-homem. De fato, há quem diga que o Supremo de Moore é a melhor série do Homem de aço de todos os tempos.

A série, antes da entrada do bardo inglês no título, era desenhada pelo paraense Joe Bennett, e ele continuou com a entrada de Moore. No roteiro da história, Alan Moore dizia que tinha percebido que o desenhista era muito bom em desenhar cenários expressionistas e que colocaria muito disso na história. De fato, haveria muitas possiblidades para Bené exercitar essa predileção.

O herói se depara com versões de si mesmo... 


Na história, Supremo está chegando à terra depois de uma longa ausência e encontra o planeta sobreposto, como se fossem dois planetas se unindo ou se separando. Ao se aproximar, encontra casas, carros, pessoas, variando entre versões de si mesmas.

É quando alguém se aproxima dele pelo alto e só vemos os braços. Os diálogos, repletos de fina ironia, são metalinguísticos, e refletem diretamente os quadrinhos Image. “Olha só o tamanho do filho de d´uma égua! Não tinha ninguém musculoso assim na nossa época!”, diz um dos que se aproximam enquanto outro responde: “Deve ser um modelo anos noventa. Seus poderes podem ser tão mal-definidos quanto ilimitados!”.

... incluindo uma versão camundongo que é uma óbvia referência ao Supermouse.


Quando viramos a página, nos deparamos com três versões do Supremo, uma dos anos 30 e duas dos anos 70, incluindo uma mulher negra.

Como é regra nos quadrinhos, sempre que super-heróis se encontram, eles saem no soco, especialmente se for um herói da Image Comics. E é isso que acontece, até Supremo ser nocauteado por um rato antropomorfizado – uma clara referência ao Supermouse. “Bom trabalho, Guincho! Seus poderes vindos do queijo gorgonzola supremium funcionam melhor que os meus!”.

Os cenários grandiosos foram um agrado ao desenhista. 


Com os ânimos mais calmos, os heróis convidam o Supremo a segui-los a um portal dourado antes que aconteça a “revisão”. A tal revisão é uma referência direta à saga Crise, em que várias terras paralelas da DC foram unidas em uma só (daí o efeito terra sobreposta que o Supremo havia visto no início), mas também se referia a todas as mudanças no Super-homem ao longo do tempo, quando, por exemplo, a versão era de ouro foi trocada pela versão era de prata.

Aliás, nitidamente Alan Moore reverenciava a era de prata, tanto que quando os heróis atravessam o portal dourado e vão parar em Supremacia, ela é governada pelo Supremo da era de prata, que Joe Bennett, muito apropriadamente, desenha como se fosse o super-homem de Curt Swan.

O Supremo da Era de Prata é o rei de Supremacia. 


Lembram que eu me referi aos cenários expressionistas que apareciam no roteiro? Eles vão aparecer principalmente em Supremacia. Imagine uma cidade criada por semi-deuses. Tudo é grandioso e distorcido em sua grandiosidade.

Essa terra é povoada pelas mais diversas versões do Supremo, incluindo um cavalo, uma versão branca e dourada e um supremo gênio, com macrocefalia.

Aparece até um Cavalo Supremo. 


No final, supremo atravessa novamente o portal para chegar em uma terra finalmente estabilizada de acordo com a nova revisão.

É um começo grandioso que prometia momentos épicos.  

Ps: Apesar da qualidade geral, nem tudo é perfeito. Nessa época, Joe Bennett tinha que imitar o estilo de Rob Liefield.

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