domingo, abril 19, 2026

Perry Rhodan - Cinco Homens da Crest

 


Nove em cada dez fãs consideram os números 241 e 242 como alguns dos melhores volumes da série Perry Rhodan. Curiosamente, ambos os livros não se concentram em histórias grandiosas ou personagens importantes. O sucesso se deve ao talento do escritor William Voltz e à sua capacidade de criar descrições poéticas, desenvolver personagens e demonstrar que uma armadilha aparentemente inofensiva pode ser o maior perigo de todos.

Na trama, os Senhores da Galáxia identificaram a presença dos humanos no sistema de Andro-Beta e colocaram em marcha um plano de extermínio com mobys (seres do tamanho de planetas) devastando a região com bombas nucleares. Rhodan envia oito grupos para tentar descobrir o transmissor que está despertando os mobys. A história desses volumes é focada em um desses grupos, chefiado pelo Capitão Don Redhorse.

A peculiaridade é que Redhorse escolhe os tipos mais “imprestáveis” da Crest: “Pode-se sair com um grupo de astronautas bem-comportados; nesse caso, a gente tem de contentar-se com as brincadeiras sem graça e sua imaginação subdesenvolvida. Ou então, a gente se cerca de tudo quanto é patife encontrado em uma nave e espera que surjam os problemas”, pensa o Capitão em certa altura.

A capa original alemã. 


Entre os “patifes” escolhidos encontra-se Brazos Surfat, um cabo que chegou ao posto de sargento pelo menos dez vezes, mas foi rebaixado em todas elas.

A primeira aparição de Surfat já é memorável. O sargento tinha sido preso em seu camarote por ter aprontado algo: “A luz acendeu, e Redhorse viu um homem incrivelmente gordo deitado na cama. Estava com a barba por fazer. Parecia ter dormido com o uniforme do corpo. O homem piscou os olhos e seu rosto assumiu uma expressão de contrariedade”.

Surfat é um fanfarrão que conta histórias impossíveis a respeito de glórias imaginárias. “Lembro de uma missão semelhante desempenhada no Cinturão das Plêiades”, conta ele em certa altura. “Estava trancado sozinho em um carro voador e tive que defender-me contra cem nativos amotinados”. Ao que é corrigido por Redhorse: “Brazos, pare de contar mentiras. O único combate que o senhor travou no Cinturão das Plêiades aconteceu na cantina de uma nave de abastecimento, quando o senhor entrou em luta com o cozinheiro para conseguir mais uma refeição”.

A equipe inclui um aspirante a oficial obcecado por um ovo recolhido no planeta Horror, que ele tenta, a todo custo, chocar para descobrir qual é o animal que dele sairá.

O grupo, contrariando ordens, acaba pousando em um planeta onde desconfiam estar o transmissor, iniciando uma jornada bizarra que inclui desde ameaças típicas de uma space opera, como seres gigantescos que atacam os astronautas, até situações surreais, como robôs de segurança que fazem um duelo e se autodestroem.

William Voltz acrescenta a essa mistura descrições poéticas e vivas, que fazem o leitor visualizar com perfeição o planeta dos pântanos: “Ouviu o farfalhar fraco do vento que descia das montanhas e atravessava o vale. Se prestasse muita atenção, chegava a ouvir o estalo fino do musgo esmagado por suas botas, e que voltava a erguer-se aos poucos. Para Redhorse, a noite estava cheia de ruídos abafados. Era um zunido, um vozerio e um farfalhar ininterruptos.”

Ao final do volume, surgem os habitantes do planeta – e com eles, uma ameaça totalmente inusitada, mas muito mais perigosa.

Eu tive a sorte de este ter sido o primeiro livro que li da série, em 1986, o que provavelmente foi a razão pela qual me tornei fã. Eu o comprei em um sebo de rua e anotei a data e o número 23. Era o 23º livro da minha biblioteca.

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