segunda-feira, abril 27, 2026

Quarteto Fantástico – Pais e filhos


O arco narrativo publicado nos números 271 a 273 da revista do Quarteto Fantástico é dedicado à busca pelo pai de Reed Richards, que está desaparecido há dez anos.

Na trama, escrita e desenhada por John Byrne, Reed retorna à mansão de seu pai, mantida intacta graças ao mordomo e sua esposa. Lá, eles descobrem uma máquina do tempo e decidem ativá-la, na esperança de encontrar o Senhor Fantástico.

Byrne começa a história com um flash back. Uma desculpa para homenagear as histórias de monstros da Marvel, com direito a traço imitando Jack Kirby. 


Assim como seu ídolo e maior influência, Jack Kirby, Byrne apresenta conceitos interessantes e inovadores, mas peca ao não aprofundá-los ou costurar as pontas soltas. Um exemplo disso é a máquina do tempo que, em vez de viajar no tempo, transporta o Quarteto para outro planeta ou dimensão – e, curiosamente, ninguém se mostra muito espantado com a situação.

Neste novo local, eles se deparam com pistoleiros do Velho Oeste montando cavalos eletrônicos. Sue chega a usar seus poderes para impedir um duelo. Pouco depois, são atacados pelos vaqueiros, que os confundem com capangas de um tal "Senhor da Guerra".

A solução gráfica de Byrne para mostrar a máquina do tempo funcionando é simples e criativa. 


É a suspeita de que o Senhor da Guerra seja o próprio pai de Reed que o leva a invadir a fortaleza do vilão. No caminho, a equipe enfrenta valquírias montadas em aves mecânicas, em uma intensa cena de combate.

Após a batalha, Byrne utiliza a rainha das valquírias para um longo diálogo expositivo, que explica toda a história daquele mundo. Segundo o Senhor Fantástico, a "grande interrupção da ciência, entre os anos 300 e 1.300 na nossa terra, foi preenchida com descobertas que só tivemos no século 19 e 20" naquele planeta. Se isso fosse verdade, o mundo teria se desenvolvido como uma continuidade do mundo antigo, com deuses gregos tecnológicos, por exemplo.

Byrne queria desenhar cowboys... 


No final, a história transmite a impressão de que Byrne simplesmente acordou com o desejo de desenhar cowboys, valquírias e robôs, e encontrou uma maneira de colocar todos esses elementos na mesma aventura, sem grande preocupação com a verossimilhança.

Apesar desses furos, a história é inegavelmente divertida, graças ao traço limpo e à narrativa límpida de Byrne, facilmente compreensível e, por isso mesmo, eficiente.

... mas também queria desenhar valquírias e robôs. 


Essa história foi publicada pela editora Abril em Grandes Heróis Marvel 25. Os editores deixaram só a primeira splash page, cortaram as outras, e deixaram parecendo que era uma história só.

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