segunda-feira, março 31, 2008

Boa idéia

Poderíamos fazer um Zombie Walk aqui em Macapá em homenagem aos políticos que transformaram a cidade em um cenário de filme de terror...
O Liber, em seu blog, fez um post sobre zumbis e aproveitou para divulgar o Zombie Walk, um evento em que pessoas normais se vestem de zumbis e saem pelas ruas das grandes cidades grunhindo (e provavelmente procurando cérebros para comer). A imagem acima é do cartaz do Zombie Walk de Curitiba.
Compre o filme A noite dos mortos-vivos no Submarino.
O site 100 grana mostra que já inventaram uma versão pirata até do Indiana Jones. Leia mais

domingo, março 30, 2008


Este é a novo logo deste blog. Foi criada pelo meu amigo Antonio Eder, um dos melhores artistas que conheço. Eu queria algo que lembrasse os ideogramas japoneses e ao mesmo tempo falasse do ato de escrever. O Antonio fez algo simples e bonito. Agora todo o material publicitário do blog vai ter essa logo (estou vendo aqui como faço para colocar a logo abrindo este blog. Se alguém souber como, avise).

Grupo muçulmano assinala que Alá criou o homossexualismo

Jacarta, 28 mar (EFE).- O homossexualismo foi criado por Alá e é algo natural, por isso deve ser permitido dentro do Islã, concluiu um grupo de estudiosos muçulmanos na Indonésia.
O grupo afirmou que a rejeição sofrida pelos homossexuais na Indonésia por questões religiosas não faz sentido e se deve, em grande medida, a certas interpretações intolerantes do Corão, informou hoje o jornal local "The Jakarta Post".
Siti Musdah Mulia, membro da Conferência de Religiões e Paz do país, explicou que o livro sagrado para os muçulmanos diz que é uma bênção que todos os seres humanos sejam iguais, independentemente de sua raça, riqueza, posição social ou inclusive sua orientação sexual. Leia mais

sábado, março 29, 2008

Filosofia teen


Na época da faculdade, tivemos uma discplina chamda Introdução à filosofia. Eram duas horas de tortura. Ninguém, absolutamente ninguém na turma conseguia entender o que a professora falava. Ela pulava de Platão para Descartes, dele para o taxista da esquina e dele para as eleições presidenciais. Um colega definou filosofia como tentar encontrar uma pedra de gelo num campo de neve. Essa visão aterradora tem acompanhado muitos jovens ao longo de todos esses anos. A filosofia, ou é vista como algo indecifrável, sem qualquer nexo com a realidade, ou é ensinada de maneira totalmente descontextualizada, consistindo apenas em fazer os alunos discutirem determinados assuntos, sem qualquer embasamento.
Assim, qualquer tentativa de trazer a filosofia para o mundo dos jovens deve ser aplaudida. Já houve alguns exemplos notáveis, como o Filosofando (de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins) , ou O Mundo de Sofia (de Jostein Gaarder), e agora temos mais um exemplo. Trata-se de Filosofia para adolescentes, de Yves Michaud (Escala educacional, 2007, 134 páginas).
Yves Michaud é filósofo, professor de Filosofia da Universidade de Rouen, ex-diretor da École Nationele de Beaux Arts de Paris. Ele maneja bem o assunto, mas faz abordagem diferente de livros predecessores, como O Mundo de Sofia. Ao invés de apresentar o assunto através de uma história da filosofia, Michaud prefere dividir o livro em temas de interesse dos jovens, em reflexões filosóficas, como ¨Por que precisamos de amor?¨, ¨Será a morte o fim de tudo?¨, ¨Somos livres?¨, ¨Pode a ciência explicar tudo?¨.
Cada capítulo inicia com um diálogo entre o autor e um grupo de adolescentes sobre o assunto em questão. É um ponto positivo, já que o volume parece ser direcionado a objetivos didáticos. A mesma discussão que o filósofo estabelece com os jovens pode ser travada em sala de aula, entre professor e alunos.
Para tornar a leitura mais agradável, o texto é entremeado de ilustrações cômicas (de autoria de Manu Boisteau) e de boxes com notas sobre filosófosos famosos. O recurso dos boxes permite aprofundar os temas, dando um embasamento sobre o que se está lendo. Espera-se que o leitor fique curioso e decida conhecer melhor o filósofo e suas idéias sobre o tema em reflexão no capítulo.
O livro seria todo excelente, uma ótima introdução para quem está dando os primeiros passos no assunto, não fossem por alguns pequenos detalhes. Não há, por exemplo, nenhuma informação biográfica sobre o autor. Além disso, o volume peca na revisão. Há erros bobos de digitação, como ¨engrançada¨ no lugar de ¨engraçada¨.
A capa também não parece muito chamativa para um livro que se pretende direcionado aos jovens.
Colocando na balança, os pontos positivos pesam mais que os pontos negativos. Filosofia para adolescentes pode ser uma boa introdução ao pensar ao mostrar que as a reflexão filosófica pode ser usada em assuntos de interesse dos jovens.
Compre O Mundo de Sofia no submarino
Roberto Causo, na sua coluna no Terra, fez uma interessante resenha do filme 10.000 a.c. Parece que o diretor de Independence Day ainda não tomou jeito... Trecho: ¨Os recursos da computação gráfica de última geração aparecem não a serviço da construção de um realismo potencialmente inédito no cinema (...), mas como o suporte de enredos fracos¨

quinta-feira, março 27, 2008

O blog do Alcilene Cavalcante está fazendo 3 anos. Parabéns. Em outubro este blog é que vai estar fazendo aniversário. Cinco anos.

O site 100 grana lembra a versão do filme da Liga da Justiça da década de 1970. Trash é apelido. Para se ter uma idéia, os heróis participam de um programa humorístico na TV. Confira.
Compre o DVD do desenho animado da Liga no Submarino

Psicopatas: vidas de mentira

A principal característica de um psicopata é a mentira. Todas as pessoas mentem, em uma situação ou outra, mas os psicopatas mentem o tempo todo, às vezes só pelo prazer de mentir, sem ganhar nada em troca, e é comum que eles mesmos acreditem em suas próprias mentiras. As mentiras são aliadas a uma grande capacidade de convencimento. Eles são capazes de dizer que já saltaram de para-quedas para logo em seguida dizer que nunca andaram de avião e ainda assim convencerem os interlocutores.
Eles não só se contentam em dizer que são neurocirurgiões ou advogados. Eles usam e abusam dos termos técnicos das profissões que fingem ter.
Alessandro Marques Gonçalves fingia que era médico e, forjando documentos, conseguiu empregos em três grandes hospitais de São Paulo. Quando foi descoberto, em 2006, já havia aleijado 23 pessoas e é suspeito da morte de 3. "Ele usa termos técnicos e fala com toda a naturalidade. Realmente parece um médico", disse o delegado que o prendeu.
Marcelo Nascimento Rocha fingiu ser filho da companhia aérea Gol e enganou diretores de novelas, atrizes, repórteres. Dono de muita lábia e simpatia, ninguém jamais desconfiou que ele não fosse quem dizia ser.
A professora carioca Ana (nome fictício) conheceu um rapaz que parecia ser o sonho de toda mulher: era bonito, atencioso e dizia ser diretor de uma multinacional, por isso vivia viajando para os EUA e Europa. "Em 5 meses a gente estava quase se casando, então a mãe dele revelou que era tudo mentira, que o filho dela enganava as pessoas desde criança. Depois que descobri as mentiras que ele me contou, passei um tempo me perguntando como tinha sido tão burra para acreditar naquilo.".
Ted Bundy costumava fingir que estava com o braço engessado e pedia ajuda de suas vítimas para levar livros até seu carro. Quando elas estavam sem ter como reagir, ele as atacava. Aparentemente nenhuma vítima jamais desconfiou que ele estava fingindo.
Além da incrível capacidade para mentir (ou incapacidade para dizer a verdade), os psicopatas são envolvidos por uma aura de simpatia e magnetismo.
Mesmo tendo matado e mutilado dezenas de mulheres, Ted Bundy tinha um fã clube que protestava contra seu julgamento e, na prisão, acabou se casando com uma fã.
Essa máscara de sociabilidade é criada para torná-los pouco suspeitos. Seu charme faz com que eles se saiam bem em entrevistas de emprego e acredita-se que haja muitos psicopatas espalhados em profissões como políticos, altos executivos e policiais.
Ted Bundy era um político respeitado e muitos acreditavam que ele seria candidato ao governo da Califórnia, antes de serem descobertos seus crimes.
John Wayne Gacy Júnior era membro do conselho católico inter-clubes, membro da defesa civil de Ilinois, capitão comandante da defesa civil de Chicago, membro da Sociedade dos Nomes Santos, Homem do Ano, presidente do Jaycees (sociedade beneficente), tesoureiro do partido democrata. Quando a primeira dama Rosalind Carter visitou a cidade de Chicago, fez questão de tirar fotos com ele. Todas as pessoas que o conheciam estavam certos de que ele seria candidato a algum cargo pelo partido Democrata. Além disso, Gacy Júnior costumava vestir-se de palhaço para alegrar crianças em hospitais. O tipo de homem que qualquer mãe deixaria cuidando de seu filho... até encontrarem seu porão cheio de corpos de garotos.
Esse verniz de civilidade faz com que constantemente as autoridades estejam muito perto de prendê-los, mas não o façam, mesmo depois de interrogá-los. O psicopata parece alguém acima de qualquer suspeita.
O charme e a capacidade de mentir despudoradamente faz com que eles conquistem a confiança de chefes, que demitem aqueles que atrapalham a ascensão profissional do psicopata.
Exemplo disso é Dave, um executivo de uma empresa de tecnologia. Logo na primeira semana de trabalho, o chefe notou que ele gastava mais tempo fazendo picuinhas entre funcionários do que trabalhando. Além disso, ele plagiava descaradamente relatórios de colegas. Quando o chefe recomendou sua demissão, Dave foi reclamar na Diretoria e acabou conseguindo a demissão do chefe. Com sua lábia, ele passou dois anos no emprego antes de descobrirem os que ele estava causando um enorme rombo na empresa.
O psicólogo Paul Babiak, autor do livro Snakes in suits - when psychopaths go to work (cobra de terno - quando os psicopatas vão trabalhar) diz que muitas grandes empresas têm em seu quadro de funcionários psicopatas: "O poder e o controle sobre os outros tornam grandes empresas atraentes para psicopatas".

quarta-feira, março 26, 2008


O presidente da França, Nicolas Sarkozy e sua nova mulher, a ex-modelo e cantora Carla Bruni ganharam um processo contra uma empresa aérea que usou um foto do casal em sua campanha publicitária. Sobre a cabeça da modelo havia um balão de pensamento com a frase ¨Agora toda a minha família vai poder comparecer ao casamento¨. Leia mais aqui.

Música do dia - Oração ao tempo, de Caetano Veloso

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És um senhor tão bonito

Quanto a cara do meu filho

Tempo tempo tempo tempo

Vou te fazer um pedido

Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos

Tambor de todos os rítmos

Tempo tempo tempo tempo

Entro num acordo contigo

Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo

E pareceres contínuo

Tempo tempo tempo tempo

És um dos deuses mais lindos

Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo

No som do meu estribilho

Tempo tempo tempo tempo

Ouve bem o que te digo

Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo

E o movimento preciso

Tempo tempo tempo tempo

Quando o tempo for propício

Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito

Ganhe um brilho definido

Tempo tempo tempo tempo

E eu espalhe benefícios

Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso

Fica guardado em sigilo

Tempo tempo tempo tempo

Apenas contigo e comigo

Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído

Para fora do teu círculo

Tempo tempo tempo tempo

Não serei nem terás sido

Tempo tempo tempo tempo...


Triunfo da Vontade é uma das mais importante peças de propaganda nazista. O filme, feito por Leni Riefenstahl em 1936 mostra uma convenção do partido. Aqui vemos uma espécie de trailer. Nele podemos observar algumas cenas genais. A escuridão que tomava conta Alemanha é substituída pela luz quando surge a suástica. A grandiosidade da nova Alemanha é retratada pela cineasta. Observem como a ordem surge e parece emanar do próprio Hitler. Uma ordem perfeita, com milhares de pessoas participando de um evento como se fossem um só ser. E esse ser venera Hitler como seu deus. Para acentuar esse caráter divino, Hitler é mostrado sempre de baixo para cima, enquanto a multidão é mostrada de cima para baixo.

O site 100 grana dá a lista de todas as tosqueiras que vão passar esta semana na TV aberta. Destaque para a ficção´-científica Tron

Um leitor deixou um comentário perguntando sobre a versão em quadrinhos do clássico da literatura Os Sertões. Pois bem, o álbum está sendo feito pelo Carlos Ferreira e pelo Rodrigo Rosa para a editora Agir. Hoje o Universo HQ divulgou, com exclusividade, as primeiras imagens da HQ.

segunda-feira, março 24, 2008

Barulho demais, SAÚDE DE MENOS



Eu tenho insistido sobre a necessidade das autoridades amapaenses tomem providências contra a poluição sonora. Aqui, alguns transformam seus carros em verdadeiras caixas de som e saem desfilando sua ignorância. Outros compram sons extremamente potentes e perturbam toda uma rua (meu vizinho, que não paga conta de luz, economizou o bastante para comprar um desses). Agora uma matéria da revista Saúde mostra que combater o som alto não é só uma questão de ordem e de cumprir a lei. É também uma questão de saúde pública. O barulho alto provoca estresse, insônia, infecções, gastrite, prisão de ventre, dor de cabeça, dificuldade de concentração, pressão alta, infarto e derrame. Eu, toda vez que o vizinho liga o seu som, tenho dores de cabeça horríveis. Confiram a matéria aqui.



domingo, março 23, 2008

Frase do dia

"A única coisa necessária para o Triunfo do Mal é as pessoas de bem não fazerem nada" (Edmund Burke, 1729-1797).

Enquanto isso... a situação no Tibet está cada vez mais insustentável. Agora o governo Chines, que matou 18 pessoas, algumas queimadas, diz que o Dalai Lama está fazendo terror. Essa mesma China, que acusa o Dalai Lama de fazer terror, impede jornalistas de outros países de entrarem na região. Parentes de pessoas que moram no Tibet dizem que o número de civis mortos já ultrapassou 100 e que o número de feridos é ainda maior. As nações democráticas deveriam fazer como nos velhos tempos da guerra fria e boicotar uma olimpíada num país totalitário, como sem dúvida é a China...

Páscoa é tempo de paz e reflexão. Infelizmente, nem sempre foi assim. Já houve época em que a páscoa era usada com objetivos totalmente lamentáveis, que pouco tinham a ver com o cristianismo. Na páscoa de 1506, em Lisboa, a população, instigada por frades, matou cerca de 2 mil judeus. Lembrar é uma forma de não repetir os erros do passado.
O blog Repiquete no meio do mundo está realizando uma série de entrevistas com pessoas famosas daqui chamada Macapá Marejando meu olhar. Todos os entrevistados respondem a perguntas básicas sobre a cidade. Um dos entrevistados foi o Secretário Especial do Governo do Amapá, Alberto Goes. No item Um alô para Macapá, ele respondeu: ¨ Som automotivo de estourar os tímpanos em lugar público. Tira toda a paz!¨. Finalmente uma autoridade falou do péssimo hábito dos amapaenses de colocar som abusivamente alto. Mas me espanta uma coisa: já que o Secretário tem cosciência do mal provocado pelo som alto e uma vez que existe lei regendo o assunto, por que ninguém no governo não faz nada?

história dos quadrinhos 29
Mafalda


O grande suces­so da HQ argentina é mesmo a Mafalda. Essa garotinha inteligente e fã dos Beatles surgiu por acaso, em 1962, para uma campanha publicitária de eletrodomésticos. Ela deveria ser a mascote de uma empresa e seu nome deveria começar com as mesmas letras da empresa, M e A.Quino desenhou a personagem e chamou-a de Mafalda, mas a empresa acabou recusando a campanha.
No ano seguinte, o semanário Primera Plana solicitou a Quino uma tira cômica e ele tirou da gaveta a personagem criada para a campanha publicitária. A personalidade atrevida, já existente na versão anterior foi destacada e, em setembro de 1964 Mafalda estreou no semanário onde passou seis meses.
Em 1965 a personagem migrou para o diário El mundo, de Buenos Aires, um dos mais lidos da Argentina, e começou sua escalada de sucesso. Logo vários outros jornais estavam republicando as tiras.
Em 1966, um pequeno editor de Buenos Aires lança um álbum com tiras já publicada em jornal. Apesar de não ter havido um grande divulgação, a publicação se esgota em 12 dias. Logo várias editoras na América latina começam a publicar álbuns com a personagem com grande sucesso. Na Itália, o álbum da personagem ganha prefácio de Umberto Eco, um dos mais importantes intelectuais daquele país, que escreve: ¨O universo de Mafalda não é apenas o de uma América Latina urbana e desenvolvida; é também, de modo geral e em muitos aspectos, um universo latino, o que a torna mais compreensível do que muitos personagens de quadrinhos norte-americanos¨.
De fato, esse é um dos grandes méritos de Mafalda e é o que a distingue de Peanuts, de Charles Schulz. Charlie Brown reflete a realidade e as neuras do norte-americano típico. Mafalda é a contestadora, revoltada com as injustiças do mundo.
Se Peanuts está mais para a psicologia, Mafalda está mais para a sociologia. A sociedade latin-americana está lá representada nos personagens da tira. Manolito, por exemplo, é o filho do dono da mercearia. Ele está plenamente integrado ao capitalismo de bairro. De tudo na vida, só o dinheiro tem valor e mesmo uma ação simples como brincar de iô-iô tem como objetivo divulgar a mercearia do pai. Filipe é um sonhador que fantasia com tudo. Suzanita só pensa em casar.
Quando a ditadura militar se instalou na Argentina, uma nova personagem se agregou à tira: a pequenina Liberdade.
Algumas das melhores tiras da Mafalda tinham como personagem coadjuvante um globo terrestre, quase sempre doente. Quino sempre foi muito bom em metáforas.
Compre o livro Mafalda e seus amigos no Submarino.

O bolo


Da mesma forma que um consumidor satisfeito conta para vários outros, um consumidor insatisfeito também faz questão de mostrar seu descontentamento. Semana passada falei de um restaurante em Macapá que, de tão bom, merece ser divulgado. Agora vai a indicação oposta. Olhem para o bolo acima. O bolo estava todo rachado, com uma leve camada de de cobertura em cima, apenas para disfarçar (e enganar). Além disso, foi combinado um preço, minha esposa pagou metade e, quando fui pagar o resto, o dono da panificadora cobrou o dobro. E tivemos que passar o aniversário de minha filha com um bolo caríssimo e dessa qualidade. Além disso, os salgadinhos comprados na mesma panificadora eram intragáveis. Para quem não quiser cair nessa mesma armadilha a Panificadora fica no bairro Santa Rita. (Aliás, estou aqui pensando em abrir um blog de defesa do consumidor, que sirva tanto para indicar as boas empresas quanto a empresas ruins).

sexta-feira, março 21, 2008

Frase do dia

“Na Alemanha Nazista eles primeiro vieram buscar os comunistas e eu não falei nada porque eu não era comunista.
Então eles vieram buscar os judeus e eu não falei nada porque eu não era judeu.
Então eles vieram buscar os sindicalistas e eu não falei nada porque eu não era sindicalista.
Então eles vieram buscar os católicos e eu não falei nada porque eu era protestante.
Então eles vieram me buscar – e a esta altura já não havia mais ninguém para falar nada.”
(Pastor Martin Niemoller).

quinta-feira, março 20, 2008

Frase do dia


"A irreverência é a campeã da Liberdade, se não sua única defensora". (MarkTwain).

O Flávio Calazans publicou no Liga Zine o interessante artigo IRONMAN VERSUS ISLAM:
O HOMEM DE FERRO ESTRÉIA NO CINEMA FAZENDO PROPAGANDA SUBLIMINAR
no qual defende que o filme do Homem de ferro é um veículo de propaganda norte-americana.
Pessoalmente, nunca gostei do Homem de ferro. Parecia demais propaganda ideológica. O Capitão América também é propaganda política, mas tem uma característica diferente. O Capitão América surge numa época em que os EUA eram governados pelos democratas, diante do otimismo do New Deal. Era um mito judeu, representando o migrante judeu, facro e desnutrido, que se tornava um super-homem na América. O Capitão América reprentava a liberdade e a democracria, em oposição ao nazismo. Já o Homem-de-ferro surge num momento em que os conservadores estavam no poder e o inimigo eram os comunistas ou qualquer um que fosse de esquerda. O Homem de ferro sempre foi de direita e sempre representou o capitalismo internacional e o colonialismo norte-americano.

terça-feira, março 18, 2008


Vai passar Conta Comigo na Globo na quinta-feira, 20 de março. Não na sessão da tarde, como é costume, mas de madrugada. A informação é do site 100 grana. Para quem estiver com insônia, é imperdível! Olha o resumo do 100 grana:

¨Conta Comigo (ou “Uma Linda Garota”, opção do Intercine)(Globo, 0h55)Stand by Me, de Rob Reiner. Com Wil Wheaton, River Phoenix e Corey Feldman. EUA, 1986, cor, 99 min. Aventura - Quatro meninos acampam por dois dias em uma floresta a fim de localizar o cadáver de outro menino desaparecido. Eles pretendem encontrar o corpo antes da polícia. No entanto, a aventura se transfoma em uma viagem de descobertas pessoais.
Esse é o destaque da semana. É um destaque meio às escuras porque não temos certeza se vai passar, pois é opção do Intercine. Baseado numa história de Stephen King, com um elenco de primeira e uma história que vai da comédia ao drama num piscar de olhos. Com a então promessa River Phoenix interpretando um rebelde assim como ele mesmo, que morreu de overdose em outubro de 1993, em frente à boate de Johnny Depp. Com participação do Jack Bauer, Kiefer Sutherland; Corey Feldman de Os Garotos Perdidos; Jerry O’ Connell de Joe E As Baratas e Richard Dreyfuss.¨

Frase do dia


¨Deus, faça-me casto. Mas não agora¨ (Santo Agotinho, antes da conversão)
No Digestivo Cultural, o amigo Daniel Lopes nos conta quem realmente foi Pablo Neruda, o homem que cantou o socialismo, ao mesmo tempo em que pagava os menores saláros do Chile e se especializava em humilhar os funcionários.

segunda-feira, março 17, 2008

Autobiografia teológica

Venho de uma família de católicos praticantes. Fui batizado, depois fiz primeira comunhão e crisma. Era uma obrigação. A primeira comunhão foi particularmente traumática. Tínhamos que participar de um coral. Sempre fui viciado em informação e acho insuportável a redundância (alguns chamariam isso de curiosidade patológica). Ficar ali repetindo sempre as mesmas músicas era uma tortura chinesa.
Na época da crisma, a professora era adepta da teologia da libertação. Era bem mais interessante que as preleções repetitivas e descontextualizadas que se ouvia na missa. A preocupação social também pareceu importante, uma quebra com uma igreja que historicamente sempre esteve ao lado das classes mais favorecidas, mas era pé no chão demais, não parecia religião. A teologia da libertação parece ter se preocupado muito com a terra e se esquecido do espiritual. Em suma, nada disso me conquistou. Eu ia à igreja porque, se não fosse, não recebia a mesada (que era paga parcelada, semanalmente, justamente para me forçar a freqüentar a igreja). Logo descobri que bastava pegar o folheto, estudá-lo por alguns minutos e já saberia contar tudo sobre a missa.


Quando comecei a ganhar dinheiro e conquistei uma mínima indepedência financeira, tornei-me ateu. Não um ateu praticante, mas um ateu curioso. Não acreditava, nem deixava de acreditar. Passei um bom tempo assim, num período de dúvida cartesiana, até porque, provavelmente, nunca tivera uma fé verdadeira.
Mas, como disse, era um curioso. Problemas pessoais me levaram a procurar outras explicações para as coisas. Comecei com o taoísmo, que se parecia mais com filosofia do que com as religiões que eu conhecia. Conheci o taoísmo por vias indiretas. Eu havia encontrado em um sebo um interessante volume sobre o I Ching. Embora o I Ching seja visto como um método de advinhação (dizem que a ministra Zélia Cardoso de Melo jogou o I Ching para saber quanto seria o limite de saque na época do plano Collor), meu interesse pelo volume era muito mais filosófico. Frases como: "Tudo segue fluindo, como esse rio, sem cessar, dia e noite" ou "A lei univesal que tudo rege é o constante mudar" ecoavam o pensamento do grego Heráclito. Há duas grandes correntes de pensamento na filosofia. Uma delas propõe que nada muda. Se parece mudar, é apenas na aparência, não na essência. Outra corrente, prega que a essência das coisas é justamente a mudança. Esse segundo ponto de vista sempre me impressionou mais, daí o interesse pelo livro sobre o I Ching. Na introdução havia uma pequena imagem do criador do taoísmo, com a legenda: "Retrato de Lao Tsé, filósofo chinês do século V a.C., autor do Tao Te King, livro no qual destaca os valores da liberdade, da solidão, do estado de quietude e da humildade".
Aquela pequena notinha me levou a pesquisar sobre o taoísmo e acabei me deparando com a versão traduzida por Humberto Rodhen, que na época poderia ser encontrada em qualquer banca de revista. Foi ali, naquele dia, folheando aquele livro sobre o I Ching, num sebo imundo e bagunçado de final de linha de ônibus, que comecei meu retorno em direção à fé, via filosofia. Todo bom leitor, depois de algum tempo, vai perdendo a paciência e se acomodando naqueles autores prediletos, mas quando se é jovem, lê-se tudo que lhe aparece diante dos olhos. Como estava nessa fase jovem quando li o Tao Te King, fui dele para o Bhagavad Gita, em uma edição da revista Planeta. Na época havia vários desses livros nas bancas, em encadernação em capa dura vermelha, todos com conteúdo místico e a preços módicos. Deles, só o Bhagavad Gita me interessou. O diálogo entre o príncipe Arjuna e Krishna tinha algo de épico, filosófico, religioso e poético que fazia dele uma ótima leitura.
O Bhagavad me mostrou a importância do ritmo, da música, para a religião. Na época, cheguei a freqüentar uma fazenda Hare Krishna nos arredores de Belém. Fui ao local levado por uma amiga. Lá conhecemos um prabu (mestre) divertido que me remetia às ilustrações taoístas que eu vira em livros, com mestres brincalhões. Nem mesmo quando nos encontrou fazendo um lanche na cozinha, ele se aborreceu (entre os Hare Krishna, a comida é primeiro oferecida a Krishna, sendo a cozinha um lugar sagrado). A música também era encarada de maneira diferente daquelas enfadonhas repetições do coral da igreja católica. Era solta, fácil de cantar e tinha o objetivo de introduzir o iniciado numa espécie de transe místico. Era uma experiência interessante ― e era também, claramente, um tipo de religião.
Na época cheguei a produzir um trabalho na faculdade, analisando os Hare Krishna do ponto de vista antropológico e esse trabalho me deu tanto fama quanto inimigos. Nessa pequena monografia, eu analisava como a ritualização religiosa de todos os passos da vida de um Hare Krishna, como o ato de comer, tinha o objetivo de demarcar o distanciamento entre o ser humano e os animais. Inimigos porque a professora comentou em todas as turmas que um único aluno fora capaz de produzir um trabalho merecedor de nota máxima.
O passo seguinte na direção da reconciliação com a religião se deu também por acaso. Eu estava em um auditório em Belém, pronto para uma palestra sobre quadrinhos e resolvi assistir a palestra que a precedia. Era sobre um tema místico qualquer. No final, o palestrante convidou a platéia para conhecer a União do Vegetal (UDV). Hoje eu sei que isso foi uma irresponsabilidade. Para conhecer a UDV é necessário procurar um mestre, conversar com ele, explicar os motivos, receber orientações etc. No meu caso, não aconteceu nada disso. Terminando minha palestra, fomos em grupo e chegamos quando já estavam se iniciando os trabalhos.
A União do Vegetal é uma religião fruto do sincretismo religioso das tradições índias com as cristãs, da mesma forma que o Santo Daime. Mas, embora o Santo Daime seja mais próximo do catolicismo, a UDV parece mais relacionada ao espiritismo, em termos de crença e de rituais (ou falta deles). Nas sessões, bebe-se o chá, uma mistura do cipó mariri, com a folha chacrona, dois produtos típicos da Amazônia. Depois senta-se em cadeiras reclinadas e espera-se o efeito. Há toda uma nomeclatura relacionada a esses efeitos. O efeito físico é chamado de força e o espiritual de luz, as visões são as mirações. A fase inicial, de força, costuma ser incômoda, especialmente com vômitos. Dizem que é uma fase de purificação, e parece ser mesmo, pois logo em seguida a pessoa entra num estado de tranqüilidade. Comigo as duas situações eram bastante demarcadas: a fase inicial violenta e a fase seguinte com um estado de paz e concentração que podia durar horas. As mirações podiam ser lembranças de momentos esquecidos e, nesse sentindo, era uma verdadeira terapia, que ajudava a lidar com situações que, como dizia Jung, foram para o lado sombra. Havia quem lembrasse de vidas passadas ou até previsse o futuro (eu cheguei a presenciar um desses prenúncios do futuro e depois sua realização).
Os integrantes da UDV passam o tempo todo sentados e só podem falar com autorização do mestre. Normalmente não há preleções, embora os mestres possam responder a perguntas da platéia. A maioria do tempo é tomada por músicas gravadas (que iam de Luiz Gonzaga a Roberto Carlos, passando por Raul Seixas) e por canções, as "chamadas", entoadas pelo mestre ou por outra pessoa, que serviam para chamar entidades espirituais ou estados de espírito, como luz. Minha primeira visita à UDV se pareceu muito com aquilo que alguns estudiosos chamam de êxtase místico: uma percepção de união com a natureza, de extrema paz espiritual e capacidades intelectuais dilatadas. Huxley diria que as portas da percepção teriam sido abertas, embora relatos semelhantes sejam muito antigos, comuns entre santos católicos, por exemplo. Era minha primeira experiência espiritual genuína.
Curiosamente, tenho conversado com muitas pessoas que se dizem religiosas e poucas dizem já ter experimentado esse estado de espírito. A maioria é religiosa por tradição familiar. Nunca consegui compreender isso. Descartes dizia que não devemos aceitar como verdadeira nenhuma coisa que não se conhecesse evidentemente como tal. Aliás, o próprio Descartes descreve sua experiência com palavras que se parecem muito com um êxtase, embora de natureza não religiosa: "Naquele ano, fui visitado por um sonho que veio de cima... ouvi o estrondo de um trovão... era o espírito da verdade, que descia para assenhorear-se de mim".
Uma série de fatores, entre eles minha mudança para Curitiba, e posteriormente para Macapá, fizeram com que eu me afastasse da UDV. Eu ainda continuava me considerando um taoísta, mas ansiava por alguma outra experiência, mais próxima. Antes de mais nada deveria ser uma religião que não se parecesse com uma torcida de futebol. Essa é uma característica que sempre me incomodou: a mania de achar que "a minha religião é melhor que a sua" da mesma forma que se diz "meu time é melhor que o seu", mesmo quando ele perde. Quem não é do meu time-religião, está condenado ao fogo do inferno. Conta-se que em alguns templos taoístas há altares nos quais há símbolos de diversas religiões, mostrando que, no final, todas têm o mesmo objetivo. Em suma, deveria ser uma religião que pregasse o respeito por outras crenças. Além disso, deveria ser uma religião que, aderindo a ela, eu não precisasse simplesmente esquecer todo o conhecimento adquirido pela filosofia e pela ciência (há religiões que, até hoje, acreditam que a Terra é o centro do universo). Deveria ser uma religião que não pregasse uma fé cega, mas uma fé raciocionada, que incentivasse o livre-pensar, e não a obediência cega a um líder. Também deveria ser uma religião que percebesse o caráter de símbolo dos rituais e não se apegasse a eles (segundo o taoísmo, enquanto nos apegamos aos rituais, o tempo está passando e mudando tudo à nossa volta).

Uma das poucas religiões na qual consegui encontrar essas características, em maior ou menor grau, foi o espiritismo. Alan Kardec, o codificador do espiritismo, era um homem de ciência, um educador. Daí a religião criada por ele ter um caráter tão pouco dogmático e com tanta abertura para a ciência e a filosofia. Ele se beneficiou das descobertas metodológicas da época, do método indutivo, para definir as verdades espirituais. Fosse hoje, ele provavelmente estaria ancorado no pensamento complexo e na teoria do caos. Além disso, a humildade tornou-se um princípio básico, que se reflete no respeito a todas as outras religiões e crenças (o que faz com que muitas pessoas freqüentem, por exemplo, a igreja católica e o centro espírita). O ritual foi reduzido a um mínimo necessário (a terapia do passe). E, apesar de ter sua origem na França, hoje o espiritismo é uma religião autenticamente nacional, até porque ecoa as crenças dos índios que moravam aqui muito antes de chegarem os europeus.

Metrópoles, série de histórias em quadrinhos escritas por Leonardo Santana e desenhadas por Maurício Fig, é o mais novo lançamento da editora Marca de Fantasia. Publico abaixo uma parte do release:

¨São pequenas narrativas centradas no quotidiano das grandes cidades que expõem de forma instigadora o complexo jogo de interesses e relacionamentos de seus habitantes. Embora as histórias possam se situar em qualquer grande cidade do planeta, a obra de Leonardo e Maurício deixa pistas que retratam a particularidade de nossas metrópoles, seja pela figura do trombadinha cheirando cola, seja pela ironia de certos letreiros afixados no cenário urbano.
Há um alto grau de pessimismo nas histórias, que é o fruto do desencanto de um futuro digno para nosso país, mas isso não tira o brilho do trabalho. Ao contrário, dá-lhe um caráter crítico que o alça da banalidade comum da maioria das produções em quadrinhos. As histórias são contos, récitas impactantes que nos levam à reflexão, cujo peso mais incomoda que nos dá prazer. Mas há também um alívio para quebrar o paradigma de que os quadrinhos autorais devam ser negativos. A história “Cláudia encontra a felicidade” é um momento poético bem construído que toca a sensibilidade do leitor.
Metrópoles é uma obra simples e por isso mesmo plena de significações. É uma prova de que os quadrinhos podem falar de nossa gente, nossos costumes sem mergulhar nos clichês ou apelar para regionalismos e muito menos copiar fórmulas importadas e desgastadas.¨

O livro pode ser comprado pela net, no site da Marca de Fantasia

domingo, março 16, 2008


A internet é uma maravilha... e os blogs mais ainda. Vejam o que eu achei: o blog de um quadrinista de Minas Gerais que é também leiturista (aqueles profissionais que fazem a leitura da energia nas casas). As tiras falam de reclamações de consumidores, de cachorros e todas as dificuldades pelas quais passam os leituristas. Confira.

história dos quadrinhos

Argentina

A década de 30 foi marcada na Argentina pela dita­dura do presidente Perón. Influenciado pelo nacionalismo nazi-fascista, Perón resolveu acabar com a forte influência estrangeira dos quadrinhos em seu país proibido a importação de material americano. A proibição durou apenas alguns anos, mas foi o bastante para fortale­cer a HQ platina, crian­do uma das escolas mais fortes do mundo.
Antes da proibição já existiam quadrinhos de sucesso, como o índio Patoruzú, criado por Dante Quinterno, em 1929. Patoruzú era um milionário de bom coração que se sentia fez fazendo o bem. O personagem deu origem à primeira distribuidora de tiras nacionais.
Mas foi a partir do governo Perón que a HQ platina teve um salto. Surgiram grandes publicações, como a “Ri­co Tipo’ “Intervalo’; e “Aventu­ra” que iriam alcançar a incrível marca de 165 mi­lhões de exemplares por ano - metade do que se lia num pais cuja capital tinha mais livrarias do que todo o Brasil.
Na Argentina não só as crianças, mas tam­bém os adultos foram conquistados pelos quadrinhos. O mercado se tornou tão forte que até mesmo roteiristas e de­senhistas europeus foram trabalhar na Argentina, como aconteceu com Hugo Pratt e René Goscinny, criador do Asterix.
Era a inversão: os qua­drinistas argentinos luta­vam de igual para igual com os seus concorren­tes estrangeiros.
Um dos maiores responsáveis pelo sucesso da HQ Argentina foi o editor e roteirista Héctor Germán Oesterheld. Filho de uma Argentina e um alemão, ele estudou se formou em geologia, mas abandonou a profissão para se dedicar aos roteiros de quadrinhos. Durante sua fase mais criativa ele era mais lido que Jorge Luís Borges, o mais escritor argentino.
Seus roteiros se destacavam pelo conteúdo humano e pela crítica social. O Eternauta, sua obra-prima, conta a história da invasão de Buenos Aires por alienígenas durante um rigoroso inverno. Enquanto os invasores seguem dizimando a população, surge um homem, Juan Salvo, o Eternauta, que decide combatê-los. Acredita-se que os extraterrestres tenham sido inspirados nos militares argentinos, que alguns anos depois instalariam uma ditadura no país.
Oesterheld mesclava a realidade argentina com a ficção-científica, criando obras de grande significado. Seus roteiros e seu trabalho como editor transformaram a HQ Argentina em uma das melhores do mundo.
Entretanto, sua carreira terminou bruscamente na década de 1970, quando se instalou uma ditadura militar na Argentina. Oesterheld foi um dos primeiros a serem perseguidos. Ele e seus filhos acabaram sendo mortos. Da família, só sobrou a esposa do roteirista e seu neto.
Além de todos os crimes cometidos pelos militares, somou-se mais esse: dar sumiço a um dos homens mais talentosos já surgidos nos quadrinhos.

sábado, março 15, 2008

Música do dia


Os Beatles sempre foram os melhores no que fizeram, tanto que as versões de suas músicas, feitas por outros artistas, quase sempre parecem sofríveis comparadas com o original. Há uma única exceção: a versão que Joe Cocker fez para a música With a little help from my friends, que muitos consideram melhor que o original (incluindo este que vos escreve). Essa versão foi tema da ótima série Anos Incríveis e dedico aos meus amigos:

WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
( Com um pouco de ajuda de meus amigos )
JOE COCKER - 1970

WHAT WOULD YOU THINK IF I SANG OUT OF TUNE
O que você pensaria se eu cantasse fora do tom ?
WOULD YOU STAND UP AND WALKOUT ON ME
Você se levantaria e me abandonaria ?
LEND ME YOUR EARS AND I'LL SING YOU A SONG
Empreste-me seus ouvidos e lhe cantarei uma canção
AND I'LL TRY NOT TO SING OUT OF KEY, OH
E tentarei não cantar desafinado
I GET BY WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Eu consigo com um pouco de ajuda de meus amigos
I GET HIGH WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Me sairei bem com um pouco de ajuda de meus amigos
GOING TO TRY WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Vou tentar com um pouco de ajuda de meus amigos
WHAT DO I DO WHEN MY LOVE IS AWAY
O que fazer quando meu amor está longe ?
(DOES IT WORRY YOU TO BE ALONE)
(Você se preocupa em estar só ?)
HOW DO I FEEL BY THE END OF THE DAY
Como me sinto ao final do dia ?
(ARE YOU SAD BECAUSE YOU'RE ON YOUR OWN)
(Você está triste por estar só ?)
NO I GET BY WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Não, eu consigo com um pouco de ajuda de meus amigos
GET HIGH WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Me sairei bem com um pouco de ajuda de meus amigos
GONNA TRY WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Vou tentar com um pouco de ajuda de meus amigos
DO YOU NEED ANYBODY ? I NEED SOMEBODY TO LOVE
Você precisa de alguém ? Eu preciso de alguém para amar
COULD IT BE ANYBODY ? I WANT SOMEBODY TO LOVE
Poderia ser qualquer pessoa ? Eu preciso de alguém para amar
WOULD YOU BELIEVE IN A LOVE AT FIRST SIGHT
Você acreditaria em amor à primeira vista ?
YES I'M CERTAIN THAT IT HAPPENS ALL THE TIME
Sim, estou certo que isso acontece o tempo todo
WHAT DO YOU SEE WHEN YOU TURN OUT THE LIGHT
O que você vê quando apaga a luz ?
I CAN'T TELL YOU BUT I KNOW IT'S MINE
Eu não posso lhe dizer mas eu sei que é meu
OH I GET BY WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Eu consigo com um pouco de ajuda de meus amigos
GET HIGH WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Me sairei bem com um pouco de ajuda de meus amigos
I'M GONNA TRY WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Vou tentar com um pouco de ajuda de meus amigos
DO YOU NEED ANYBODY ? I JUST NEED SOMEBODY TO LOVE
Você precisa de alguém ? Eu só preciso de alguém para amar
COULD IT BE ANYBODY ? I WANT SOMEBODY TO LOVE
Poderia ser qualquer pessoa ? Eu preciso de alguém para amar
OH I GET BY WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Eu consigo com um pouco de ajuda de meus amigos
GONNA TRY WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Vou tentar com um pouco de ajuda de meus amigos
OH I GET HIGH WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Me sairei bem com um pouco de ajuda de meus amigos
YES I GET BY WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Sim, eu consigo com um pouco de ajuda de meus amigos
WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Com alguma ajuda de meus amigos
Compre o CD mais recente de Joe Cocker no submarino

Um dos grandes cuidados que se deve ter em uma loja e com o uso de cartazes. Eles devem ser bem feitos, sem erros ortográficos e devem passar a informação de maneira clara. Cartazes manuscritos, sem cuidado, como esse que encontrei em uma loja do shoping Macapá, podem jogar por água a baixo todo um esforço de merchandising (além de desvalorizar o produto).

Dia desses eu falava com meus alunos sobre determinadas empresas que deixam o cliente tão satisfeito que ele não só volta, como também recomenda para os seus amigos. Ontem tive um exemplo disso ao conhecer o restaurante Tsuru Sushi, que funciona onde era a antiga Casa do Nordeste (av. Cônego Domingos Maltês, 833, entre Leopoldo e Hamilton Silva). O ambiente é muito agradável, com um cantinho para com almofadas, livros e quadrinhos para as crianças. Além disso, o atendimento e a comida são ótimos. E o freguês ganha, como brinde, um origami. A impressão que se tem é de que os donos fazem de tudo para deixar satisfeitos os consumidores. Fica a dica para quem gosta de um bom restaurante de comida oriental. O Tsuru funciona das 19 às 00 h, de quinta a domingo.

Qualquer um que não tenha passado as últimas semanas na Lua deve ter acompanhado o sofrimento de brasileiros que passam pela Espanha. Dois brasileiros, mestrandos, que estavam indo para um congresso em Portugal, foram presos na Espanha, onde o vôo fazia escala. Foram humilhados, colocados numa sala sem água ou comida e deportados. Isso tem acontecido, inclusive, com turistas brasileiros em visita à Espanha. A perseguição chegou ao ponto de invadirem um avião na pista só para tirar de lá os brasileiros. O curioso é que os espanhóis vieram em massa para o Brasil, no início do século XX e foram muito bem recebidos, inclusive recebendo terras. Além disso, empresas espanholas têm se instalado no Brasil e têm grande lucro em nosso país.

Agora, está surgindo na internet um movimento de boicote aos produtos espanhóis. Quem já é cliente de produtos espanhóis e não pode mudar rapidamente (como é o caso dos bancos), pode encher a caixa de e-mails deles de protesto.

Abaixo algumas empresas espanholas:

Banco Santander
Banco Real
Vivo
Ibéria (companhia aérea)
Telefonica
Speedy
Sem falar de vários azeites.

Vão colocando aí nos comentários a lista outras empresas espanholas ou que tenham participação acionária de espanhois.

sexta-feira, março 14, 2008


Leia, no Digestivo Cultural, minha autobiografia teológica.

Uma menina desafia a ditadura


É também do blog Notícias daqui que tiro uma foto histórica, feita por Guinaldo Nicolaievsky:

“Lançamento do carro à álcool em BH. A imprensa mineira e a nacional estavam presentes e um grupo de crianças foi levado ao Palácio da Liberdade para cumprimentar o presidente Figueiredo. Deu zebra: a primeira da fila negou o aperto de mão ao Presidente da República, apesar dos pedidos dos fotógrafos. Percebi que não aconteceria o aperto e fotografei. Corri para a redação para revelar e transmitir a foto para o Rio. Para minha surpresa eles não publicaram a foto! Desconfiaram! Queriam o “cumprimento”. Fui ameaçado de dispensa caso não entregasse o fotograma. Foi exigido que mandasse o filme sem cortá-lo no primeiro vôo para o Rio. O que foi feito. Não publicaram nada… resolvi por minha conta, mandar para outros veículos, que publicaram com destaque até no exterior.”

A Luciana Capiberibe, do Blog Notícias daqui, fez uma animação baseada nos meus posts sobre os buracos em Macapá. Ficou muito legal. Mas já me fizeram uma correção: aqui os buracos não são a cada 10 metros. São a cada 10 centímetros.

quinta-feira, março 13, 2008

Morreu Dave Stevens, criador de Rocketeer


Por Sérgio Codespoti (12/03/08) Dave Stevens, criador de Rocketeer, faleceu aos 52 anos de idade. Stevens sofria de leucemia havia muito tempo.Rocketeer é o seu trabalho mais conhecido. O personagem surgiu em 1982, publicado na revista Starslayer, de Mike Grell. Leia mais


Ps: Dave Stevens, além de ter criado Rocketeer, foi responsável por resgatar o mito sexual Bettie Page, cujo visual ele usou na namorada do herói.
Uma novidade. Coloquei aqui do lado o link para minhas apostilas. Elas estão hospedadas no 4share.
Eu falando sobre a impossibilidade de denunciar os vizinhos que desviam energia, e um leitor deixou uma mensagem, que merece ser reproduzida aqui:

¨Tenho um amigo que passou por algo parecido. Um pessoal meio barra pesada montou uma banca de camelô (entre outras coisas E principalmente vende CDs e DVDs piratas) na frente da casa dele e fez o velho gato no poste publico.Não contentes com isso, Urinam na porta da casa dele, deixam o som em volume alto (ele diz que até já se acostumou com o funk, o negocio é que ele repete as mesmas 6 musicas o dia inteiro), jogam restos de comida na rua.São terríveis.Ele tentou ligar pra secretaria local de urbanismo e a Mulher disse pra ele:-qual é o CPF e RGE dele?-você quer dizer o meu CPF e RG ? Desculpe mas não vou dar.-Não, senhor. Eu perguntei O DELE, o do camelô.-sei lá, como vou saber?-Ah mas precisa dos dados dele pra denuncia-lo, Senhor ;- ô minha filha, você quer que eu vá lá fora e pergunte pro cara qual é o CPF dele? Aí ele me pergunta PRA QUE e eu digo, é pra te DENUNCIAR? Vê se tem cabimento uma coisa dessas.-Vc precisa do RG também, senhor.O pior é que não é PIADA, aconteceu assim mesmo. Depois disso uma agencia ficou jogando a responsabilidade pra outra e ninguem resolveu nada. Meu Nome não é Jonnhy¨.
É verdade, caro leitor. Isso é o Brasil. Eu não me admiraria nem um pouco que as autoridades não fazem nada por que também estão enroladas com a contravenção... talvez até a banca pertença, na verdade, a alguma figura, ou talvez o dono da banca pague proteção para alguém importante. Um amigo me disse que em Belém os donos de bancas de DVDs e CDs piratas pagam proteção para os policiais com o próprio produto... Da mesma forma, não duvido nada que funcionários da CEA se beneficiem da situação que apresentei em meu post.
Vale lembrar que meus vizinhos também não pagam IPTU (ou talvez paguem para as pessoas certas...)

quarta-feira, março 12, 2008

A solução é a privatização

Depois ainda perguntam porque a CEA está tão individada...
Parece que em Macapá tem mais gente que nunca pagou e nunca vai pagar energia do que gente que paga. Aliás, os que pagam, pagam uma tarifa alta justamente para compensar aqueles que não pagam.

Terra sem lei

Macapá é mesmo uma terra sem lei. Vou dar um exemplo. Meus vizinhos do lado esquerdo desviam energia descaradamente. Não é nem mesmo um gato, é um leão, de tão visível. Para ajudar a completar a afronta, eles colocam música alta durante todo o dia. É como se dissessem: ¨olhem como sou esperto, não pago energia e uso da mesma forma que vocês, otários¨.
Aqui em casa, pagamos uma grana alta de energia, mesmo com toda a economia. Evitamos ligar o ar-condicionado, trocamos todas as lâmpadas por fluorescentes e fazemos tudo aquilo que se aconselha para economizar... enquanto isso, os vizinhos esbanjam energia.
Finalmente, cansei disso e liguei para a CEA. Dei o endereço e o que a moça me disse foi que a casa não é cadastrada. Como a casa não é cadastrada, não pode ser gerada a denúncia e fica tudo como está. Ou seja, eu, que estou todo certo com a companhia de energia, se deixar de pagar um mês, tenho minha energia cortada. Os vizinhos nunca pagaram energia e a energia da casa nunca é cortada.
Em Macapá não compensa ser certinho. É a lei de Gerson: o certo é levar vantagem em tudo.
Os estóicos
Um dos principais representantes da corrente filosófica estoicismo, na Grécia antiga, foi o escravo Epíteto.Como escravo, Epíteto deparava-se com um problema que dizia respeito diretamente à sua felicidade. Ao pensarmos na relação senhor-escravo, todos imaginam imediatamente que o senhor será feliz e o escravo infeliz. Afinal, o senhor tem tudo o necessário à felicidade: as melhores comidas, as melhores roupas, os mais variados divertimentos... e não precisa trabalhar. Já o escravo não tem nada, nem mesmo o seu próprio corpo, que pertence ao senhor.Como o escravo poderia ser mais feliz que o seu dono? Isso seria possível?O filósofo resolveu a questão através de uma inversão de valores. Para ele, o que nos deixa felizes não são as coisas que temos, mas o significado que damos a elas. Por exemplo, se um belíssimo carro nos lembra uma pessoa querida, que morreu, esse carro será fonte não de alegrias, mas de tristezas.
Para Epíteto, o que nos torna felizes é a forma como encaramos aquilo que nos ocorre. Assim, devemos distinguir entre as coisas que podemos mudar e aquelas que não podemos mudar. Entristecer-se ou preocupar-se com algo que não podemos mudar, é tolice.
Esse ponto de vista foi expresso na frase: “Deus me dê paciência para agüentar aquilo que não pode ser mudado, coragem para mudar aquilo que pode ser mudado e principalmente sabedoria para distinguir um do outro”.
Mas os estóicos não só propunham paciência para aquilo que não pode ser mudado. Na verdade, os infortúnios podem ser fonte de felicidade, dependendo do sentido que se dá a isso. Se tudo que tenho é minha roupa do corpo, mas amo essa roupa, ela é fonte de felicidade. Essencialmente, o que importa é a atitude mental. “Se sou forçado a morrer, porém não entre gemidos, a ir para a prisão, mas não em meio a lamentações, a sofrer o exílio, mas o que impede que seja alegremente e de bom humor?”, dizia Epíteto.
Para ele, o que nós realmente possuímos não são os bens, os amigos, a saúde, nem o nosso próprio corpo, mas apenas o uso de nossas representações, o significado que damos às coisas que nos ocorrem, pois ninguém pode nos forçar a um uso que não desejamos.
Assim, para estóicos, devemos passar pelos momentos tristes da mesma forma que passaríamos pelos alegres.
É tolo aquele que no dia de sol, reclama de calor e num dia de inverno, reclama do frio. Sábio é aquele que sabe usufruir o melhor tanto do inverno quanto da doença.
Curiosamente, o estoicismo, uma filosofia que tinha como um dos principais representantes um escravo, foi adotado por pessoas ricas e poderosas. O imperador Marco Aurélio (que aparece no filme Gladiador) foi um dos mais importantes adeptos do estoicismo.

terça-feira, março 11, 2008

segunda-feira, março 10, 2008

Quadrinhofilia



"Mais do que histórias em quadrinhos, a obra revela um artista com pleno domínio do que faz, o que permite diálogos mais ousados com a experimentação e o surreal. A sensação que se tem ao fim da leitura é que Aguiar escondia um lado artístico esteticamente criativo, desconhecido de boa parte do público de quadrinhos. É esse lado que vem à tona nesta obra".- Paulo Ramos, jornalista, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo e responsável pelo Blog dos Quadrinhos, em seu prefácio.
Premiado e publicado no Brasil e no exterior, o artista José Aguiar retorna da Europa, onde participou do prestigiado Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, e lança seu primeiro trabalho de 2008 pela HQM Editora: Quadrinhofilia.
O livro reúne 14 histórias onde o autor passeia por diversos gêneros e estilos de traço, experimentando técnicas e explorando as possibilidades da linguagem dos quadrinhos. Do humor, passando pelo terror, aventura, ficção científica e até pelo erótico. São HQs selecionadas de sua produção autoral nos últimos 10 anos. O livro é um apanhado da carreira de Aguiar, reunindo histórias já publicadas com outras inéditas, produzidas especialmente para esta edição.
Segundo o próprio autor: "Boa parte das histórias que compõem este livro nunca foram publicadas. Quando muito, foram vistas na Internet. Cada HQ aqui tem sua história e relevância dentro da minha própria. Elas não foram agrupadas em ordem cronológica, mas seguindo critérios mais subjetivos para que o todo do livro fosse o mais interessante possível. A linha editorial reside no fato de que busquei utilizar as minhas HQs favoritas e mais relevantes, dentre toda a minha produção de histórias curtas... Não há um só estilo ou proposta. Só a busca de uma boa história é o que une esse material todo num conjunto batizado de Quadrinhofilia."
Mas o que vem a ser uma QUADRINHOFILIA? Essa palavra é um neologismo todo próprio, que o autor criou quando decidiu revirar suas idéias sobre quadrinhos na coluna que escreveu no site de cultura pop Omelete: "O sufixo "filia", confesso que tirei da palavra necrofilia: aquela que define você sabe o quê... Mas antes que faça mau juízo de mim, que fique claro que minha intenção na coluna era revirar minha coleção de quadrinhos mortos e enterrados em busca de elucubrações interessantes. O mesmo nome emprestei a uma exposição onde fiz um balanço de minha carreira, realizada em 2006 em Curitiba. Para minha surpresa ela foi indicada ao Troféu HQ Mix de melhor exposição daquele ano. Não levei o prêmio, mas daí me veio a convicção de que este era mesmo o nome do meu livro. "
As histórias que fazem Quadrinhofilia:
- Absoluto: Uma viagem muda por uma sopa de letrinhas rumo ao absoluto;
- Baile de Salão: Uma homenagem aos antigos bailes de carnaval e aos compositores de marchinhas;
- Genealogia do Mal: Uma lenda urbana, com roteiro de Abs Moraes e colaboração de Jairo Rodrigues;
- No fim, tudo é bem simples...: Uma HQ muda onde o título diz tudo;
- Catarrinho de Amor: Um dia típico no cartório de registros;
- O Gabinete do Dr. Caligari: Adaptação do clássico filme expressionista alemão de 1919, com texto de Gian Danton;
- Entropia: Um conto de ficção científica com argumento de Gian Danton;
- Invasão: Ficção, terror e clichês numa cidadezinha qualquer com argumento de Gian Danton;
- O triste fim de João e Maria: Um conto de fadas sob um olhar moderno, adaptado de um conto de Sabrina Lopes
;- O último milênio meu: Deus fazendo um balanço dos últimos mil anos;
- Noite...: Uma história erótica e hermética, premiada em Portugal;
- Quadrinhos em outras bandas (desenhadas)!: Um relato semibiográfico da primeira viagem de Aguiar à Europa e seu contato com os quadrinhos de lá;
- Pirata: Uma homenagem ao personagem italiano Dylan Dog;
- Poréns da vida herdada dos outros: Uma história autobiográfica narrada por ícones.
Confira um preview de algumas das histórias que integram o livro no site pessoal do autor: http://www.joseaguiar.com.br/
Sobre o Autor:José Aguiar é formado em Artes Plásticas pela FAP (Faculdade de Artes do Paraná) e é professor de História em Quadrinhos na Gibiteca de Curitiba, tendo ministrado palestras e oficinas sobre o assunto pelo país. Publicou artigos sobre HQ, TV e cinema no jornal Folha de São Paulo e também no site Omelete. Atua como ilustrador publicitário e editorial e também para teatro, onde desenvolveu o projeto gráfico e as ilustrações do personagem Artie, do premiado espetáculo Graphic, da companhia Vigor Mortis.Iniciou profissionalmente com tiras em jornais de Curitiba. Suas principais são Folheteen e Pensão João. Criou também aventuras para o Gralha, super-herói inspirado no folclore de sua região, publicado no jornal Gazeta do Povo e criado em parceria com outros autores. Material vencedor do Troféu HQMix em 2001 e adaptado para o teatro e cinema em dois curtas-metragens.Publicou em diversas revistas nacionais, como Metal Pesado, Front, Canalha, Omelete, Wizard Brasil, Zé Pereira e no site Nona Arte, de André Diniz, para quem ilustrou
A Guerra de Canudos, pela Escala Educacional.Ilustrou capas em Portugal (Sketchbook e C.A.O.S.) onde foi o segundo colocado no concurso Jovens Talentos BD, realizado em 2006. Na Espanha participou da coletânea e mostra de novos talentos brasileiros Consecuências. Na França, participou da coletânea Flying Doctors - Un Jour de Mai e ilustrou dois álbuns da série de aventura Ernie Adams, todos publicados pela Éditions Paquet.Em 2005 venceu o I Concurso Internacional de Quadrinhos do SENAC-SP, prêmio que lhe rendeu a publicação de Folheteen pela editora Devir em 2007.Atualmente o artista trabalha no livro que reunirá os trabalhos da exposição Reisetagebuch - Uma Viagem Ilustrada pela Alemanha, com ilustrações sobre o período em que residiu na Europa, além de trabalhar nos álbuns Pensão João e no novo Folheteen.Sua exposição Quadrinhofilia, realizada no Solar do Barão, em Curitiba, foi indicada ao Troféu HQMix na categoria de melhor exposição de 2006.
Lançamento no dia 8 de março, na 14ª. Fest Comix, em São Paulo.
Distribuição em comic shops e livrarias: Comix Book ShopAlameda Jaú, 1998São Paulo – SP
Fone 11-3088-9116http://www.comix.com.br/

domingo, março 09, 2008


Está sendo leiloado na Inglaterra uma cópia do livro Juden sehen Dich An (os judeus estão te olhando), publicado pelos nazistas. O livro era uma peça de propaganda racista destinada a mostrar judeus de sucesso e convencer os alemães que estes estavam tramando contra a Alemanha. Quase todas as pessoas que aparecem no livro foram exterminadas pela SS.

O destaque vai para Charles Chaplin. Ele é atacado na seção artistas judeus. Ele não era judeu, mas como nunca negou isso, os nazistas acabaram colocando-o na lista e mandando a ele um exemplar do livro, quase como uma sentença de morte. Chaplin temeu por sua vida, mas decidiu realizar um ato de desafio, produzindo o filme O grande ditador, que fez com que a opinião pública norte-americana se voltasse contra os nazistas...
Compre aqui o DVD do Grande Ditador e dê uma forcinha para este blog.

O site 100 grana mostrou as primeiras fotos oficiais dos personagens da adaptação de Watchmen para a tela grande. Confiram. O Comediante está perfeito. Já o Ozymandias...

sábado, março 08, 2008


Em homenagem ao dia da mulher, um texto de Rita Lee:


Lugar de mulher é...


Eis que chega minha primeira menstruação e com ela leva embora minha infância querida, salve, salve. "Rita, minha filha, agora você já é uma mocinha, precisa mudar seu comportamento. Não pode mais, por exemplo, se sentar com as pernas abertas, nem ficar andando de carrinho rolimã com os moleques da rua. Há certas regras nesta vida que devemos respeitar. Você tem de entender que o nosso mundo feminino é muito diferente do masculino, Deus assim quer".

Não demorei para entender que a partir de então seria deselegante me sentar de pernas abertas, assim como totalmente fora de cabimento continuar andando de carrinho rolimã. Mesmo porque lá em casa todos já achavam meio esquisito eu nunca ter brincado com bonecas e preferir "coisas de meninos". Confesso que sempre odiei bonecas mesmo, aquilo de ficar tirando e pondo vestidinhos, arrumando e desarrumando cabelinhos era no mínimo bocejante. Pelo menos com a molecada eu aprendia ótimos palavrões. Tudo bem, não custa fazer um esforço, afinal, agora eu sou uma mocinha. Leia mais

Amapá francês


O historiador português Jorge Couto afirmou recentemente que uma das principais razões para vinda da família real ao Brasil foi defender a Amazônia. Isso porque havia um plano entre os franceses de ampliar a Guiana até o rio Amazonas. Se o historiador estiver certo, a vinda da família real impediu que o Amapá se tornasse território francês... Leia aqui a notícia

sexta-feira, março 07, 2008

Carrie, a estranha

Há uma tendência generalizada entre os críticos mal-humorados em considerar Stephen King um escritor ruim. Essa postura fundamenta-se na idéia de que tudo que faz sucesso não tem qualidade. Os grandes escritores seriam aqueles voltados para pequenos públicos. Mas basta uma olhada rápida em Carrie, a Estranha (Carrie, 1974), romance de estréia de Stephen King, para perceber o óbvio: esse pessoal não sabe se divertir.
Carrie é uma leitura divertida que, no entanto, não subestima a inteligência do leitor. A narrativa não é linear. A história principal é entremeada por fatos do passado e recortes de revistas de livros, técnica muito usada por grandes escritores pós-modernos. King conta que, na época em que começou a escrever a história, era professor de uma escola de ensino médio. A renda não era suficiente para sustentar a família com dois filhos. Assim, para se manter, ele vendia contos de terror para revistas mensais. Quando uma das crianças aparecia com uma otite, Tabitha, a mulher do escritor, dizia: "Rápido, Steve, pense num monstro!".
No final do ano de 1972, King teve a idéia para um conto sobre uma menina com poderes telecinéticos. A trama era baseada em uma matéria da revista Life sobre uma casa assombrada por poltergeist. Entretanto, os pesquisadores logo descobriram que o caso não tinha nada a ver com fantasmas. O centro do fenômeno era uma menina. Quando ela estava em casa, objetos saíam voando. Quando ela saía, as coisas voltavam a ficar comportadas. A idéia do artigo era de que meninas na puberdade tinham despertado um poder telecinético capaz de mover objetos. Claro, isso chamou a atenção de um escritor que ganhava dinheiro extra vendendo histórias para revistas de terror.
King, na época, morava em trailer com família, e o único lugar disponível para escrever era próximo da máquina de lavar roupa. Ele se sentou lá, colocou a máquina sobre o colo e começou a escrever em espaço um, sem margens, para economizar papel. Quando percebeu que a história estava se tornando maior que um conto, ele a jogou fora. Afinal, ele precisava de dinheiro imediato, e uma novela era muito trabalho. Além disso, um texto desses encontraria maior dificuldade de ser publicado. Carrie não existiria se não fosse Tabitha. Ela foi até a lixeira, limpou o papel e começou a ler. Gostou e incentivou o marido a continuar escrevendo. Ele o fez apenas para agradá-la.
De fato, foi muito difícil encontrar um editor para a história, e o único que aceitou só o fez pensando no sucesso do filme O Exorcista. Para surpresa geral, Carrie, a Estranha se tornou um best seller. Virou até filme, pelas mãos de Brian de Palma, o que projetou King para o Olimpo dos escritores americanos: Hollywood.
King colocou os seus próprios fantasmas na história: duas meninas, colegas de escolas, ambas já falecidas na época. Uma delas, Tina White, era gorducha e quieta. O fato de usar sempre a mesma roupa fazia dela a vítima potencial de todas as brincadeiras sádicas dos colegas. Era ela que sempre sobrava na dança das cadeiras, era ela que sempre carregava um cartaz dizendo "me chute" colado ao traseiro. A outra, Sandra Irving, era filha de uma fanática religiosa e tinha ataques epilépticos. Usava roupas pudicas e antiquadas. Tudo isso fazia dela um alvo muito bom para a chacota das crianças. Carrie White é uma mistura das duas. Filha de uma fanática religiosa, que a sufoca e a impede de ter uma vida normal, ela é humilhada na escola por ser diferente e por usar roupas estranhas.
A cena inicial do filme é particularmente significativa. Carrie está no banheiro, tomando banho com as outras meninas após as aulas de ginástica. Ela tem dezessete anos e tem sua primeira menstruação. Carrie pensa que está morrendo de hemorragia. As colegas começam a gritar com ela e a jogar absorventes. O episódio demonstra a total ignorância da menina quanto às coisas da vida. Demonstra também a rejeição das outras garotas. Mas demonstra acima de tudo o que Carrie tem de diferente das colegas de King. No ápice da humilhação, um lâmpada estoura, revelando que a menina tem o poder mental chamado telecinésia. Carrie usará isso para se vingar de todos que a maltrataram e humilharam. O leitor sabe disso desde o primeiro momento. A graça não está em adivinhar o final (que, em certo sentido, é óbvio), mas em perceber a textura dos eventos que vão se acumulando até provocar a catástrofe final. Para isso, King se utiliza de fragmentos de livros, de revistas, jornais, de entrevistas que pessoas que conheceram Carrie White. As informações são jogadas ao longo da história, de maneira não-linear. É como montar um quebra-cabeça, mas sabendo que o resultado final será assustador.
Carrie ganhou uma versão nova pela editora Objetiva, que está republicando toda a obra do mestre do terror.

Algumas pessoas estão me perguntando onde comprar o livro 200 perguntas sobre nazismo e estão afirmando que não conseguem achar nas bancas.

A razão para isso, parece-me, é que o livro está vendendo muito bem. O amigo Jeferson, da Caverna do Gibi, diz que encontrou numa banca em Belém, mas quando voltou para comprar, já tinham vendido.

Em Macapá o livro chegou, mas já se esgotou na maioria das bancas. A única banca em que ainda vi exemplares é a do canto da Padre Júlio com a Hildemar Maia.

quinta-feira, março 06, 2008

Cidade série é outra coisa...

Nova lei proíbe carros de som em áreas residenciais
Carros de som que anunciam os mais diversos produtos, ônibus velhos que emitem ruídos ensurdecedores, bares e boates que tornam remota qualquer possibilidade de um sono tranqüilo. O excesso de barulho está em primeiro lugar entre as reclamações recebidas pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) no ano passado.
Mas uma lei publicada no Diário Oficial do Distrito Federal em fevereiro promete combater a poluição sonora que tira o sossego dos brasilienses. As novas normas ambientais proíbem, por exemplo, carros de som em áreas residenciais ou escolares e exigem isolamento acústico para casas noturnas.

Fonte: Correio Brasiliense
O que o povo está dizendo por aí:



Em Macapá, precisa ser beija-flor
para não cair nos buracos



No Amapá, a parceria entre governo e prefeitura é 10
um buraco a cada 10 metros


Macapá é cidade de primeira
se engatar a segunda, o carro quebra

quarta-feira, março 05, 2008

Histórias de robôs



A primeira impressão que se tem ao folhear o primeiro volume da trilogiaHistórias de robôs (L&PM, 2005, 235 págs.), da coleção L&PM Pocket, é de decepção. O nome, enorme, de Isaac Asimov na capa dá a entender que se trata de uma coletânea de histórias do autor de Eu, robô. Na verdade, Asimov foi apenas um dos organizadores e contribuiu com um conto para cada capítulo da trilogia. A decepção tem sua razão de ser. Asimov é garantia de boa leitura. Com uma narrativa simples, mas fluente, ele deliciou uma geração de fãs com seus contos construídos a partir de uma premissa lógica, como as três leis da robótica (1 ― um robô não pode fazer mal a um ser humano e nem permitir que algum mal lhe aconteça; 2 ― um robô deve obedecer às ordens dos seres humanos, exceto quando estas contrariarem a primeira lei; 3 ― um robô deve proteger a sua integridade física, desde que com isto não contrarie as duas primeiras leis). Aliás, foi ele que criou a palavra robótica.


Entretanto, aqueles que se aventurarem a ler, vão descobrir que a seleção vale a pena, mesmo com a pequena participação de Asimov. O volume 1 reúne as primeiras histórias sobre robôs, incluindo "Robbie", o conto de estréia de Asimov. "O feitiço e o feiticeiro", de Ambrose Bierce, de 1894, abre o volume. Bierce é um famoso jornalista e contista norte-americano. É um nome célebre, mas sua história "O feitiço e o feiticeiro" parece deslocada na coletânea. O conto narra a história de uma máquina capaz de jogar xadrez que se rebela contra seu criador. A narrativa é, provavelmente, influenciada pelo jogador automático inventado por Wolfgang Von Kemplen em 1809. A máquina chegou a vencer Napoleão II num jogo e causou rebuliço. Depois, descobriu-se que existia na verdade um anão dentro do mecanismo, movimentando as peças. Bierce pretende discutir as implicações filosóficas da criação de uma máquina desse tipo, mas não avança muito. Além disso, seu robô descontrolado destoa totalmente dos robôs apresentados nos outros contos da coletânea.
"A máquina perdida", de John Wyndham, de 1932, já apresenta um robô bem intencionado, ou pelo menos não-maligno. Outra novidade é a história contada em primeira pessoa pelo próprio robô. Isso, acrescido do suicídio do personagem robótico, levou a história a contar na coletânea. A narrativa, ao mostrar um robô alienígena em suas aventuras pela Terra, tem um toque humorístico e antropológico que vale a leitura, mas é apenas aperitivo para o que vem adiante. "Rex", de Harl Vicent, de 1934, é um exemplo muito interessante de história de robôs, embora insista no complexo de Frankstein, como Asimov chamava a mania de mostrar os robôs como malignos. O interessante aqui é que o robô, em sua lógica fria, pensa estar fazendo o melhor para a humanidade ao instalar uma ditadura mecânica. Outra característica interessante é que o robô Rex não é uma lata de sardinha ambulante. Ao contrário. Sua pele era de material plástico, usava peruca e roupas masculinas. Era como um ser humano comum, exceto por um detalhe: não tinha sentimentos. E quando finalmente consegue tê-los é que advém sua desgraça.
"Robbie", de 1940, é um marco. É a narrativa simples de uma garotinha apaixonada por seu robô. Mas já se encontram ali referências às leis da robótica e à cientista Suzan Calvin, que seria fundamental em obras posteriores. Asimov escreveu o conto em 1939, quando tinha apenas 19 anos. Ele enviou o texto para John W. Campbell, editor da revista pulp Astounding. Numa daquelas ironias do destino, Campbell devolveu o original com a desculpa de que o conto não tinha o nível de qualidade que pretendia manter. Mal sabia que estava diante de um clássico. Frederick Pohl percebeu o talento do novato e publicou a história na revista Super-science. Um dos pontos altos do livro é o conto seguinte, "Adeus ao mestre", de Harry Bates, de 1940. Foi esse conto que deu origem ao clássico do cinema O dia em que Terra parou, de 1951. Todos os fãs de ficção conhecem a história do embaixador espacial Klaatu, que vem à Terra para nos alertar sobre o perigo nuclear. O filme de Robert Wise criou imagens que entraram no imaginário popular, e chegou a se tornar música de Raul Seixas. Mas Hollywood aproveitou do conto apenas os elementos básicos, mudando muito da trama.
Em "Adeus ao mestre", o personagem principal é o robô. Depois que Klaatu morre, um monumento é erigido em sua homenagem ao redor da nave, que não pode ser aberta, e do robô, que não se mexe e aparentemente está inativo. Mas algo de estranho parece estar acontecendo e um fotógrafo decide passar a noite no local para tentar desvendar esse mistério. É nesse ponto que começa a trama. Todo o restante (o que seria, aproximadamente, o filme de Wise) é contado em flashback. Embora extenso, o conto tem aquele aspecto de fascínio e mistério que caracteriza uma boa ficção-científica. Some-se a isso um final surpreendente e, ao mesmo tempo, irônico, e tem-se um dos melhores momentos dessa coletânea.
Se "Adeus ao mestre" é um trunfo em termos de trama e final surpresa, "A volta do robô", de Robert Moore Williams, de 1938, se destaca pela narrativa elegante. Quem já leu Ray Bradbury certamente vai se lembrar de seu texto poético ao ler este conto. A trama é simples, mas ecoa um conteúdo mítico, como bem destaca o texto de abertura. Trata-se do mito do eterno regresso, mas aqui os heróis aventureiros que voltam para casa não são humanos, mas robôs. Eles voltam para a terra em busca de sua origem, dos seres que os haviam criado (nesse sentido, a trama lembra Jornada nas estrelas, o filme, de 1979, também de Robert Wise). Encontrando uma terra devastada por um vírus, os robôs a imaginam povoada, mas sua imaginação não vai além de seus próprios paradigmas: "Tentou imaginar milhões de habitantes perambulando por aquela cidade. Viu corpos de metal cintilante caminhando pelas ruas, flutuando no ar, junto à parede do edifício". Assim, a história dialoga com a filosofia e com a ciência cognitiva, como costumam fazer as boas obras de ficção científica.
Esse conto curto ficou tão bom que o editor Lester Del Rey insistiu para que Williams continuasse a história, contando como os robôs haviam chegado ao planeta distante. Williams sabiamente declinou da oferta, mas deu autorização para que o amigo o fizesse. O resultado foi "Mesmo que os sonhadores morram", de 1944. A presença do conto no volume vale para lembrar que às vezes é melhor deixar as coisas como estão. O interessante de "A volta do robô" é justamente os pontos não explicados, que deixam espaço para a imaginação e o raciocínio do leitor. Lester Del Rey sintetizou todo o significado filosófico em uma única frase, a mesma do título, banalizando os aspectos discutidos por Williams.Finalmente, "Satisfação", de 1951, de A.E. van Vogt, fecha o volume. É uma história interessante, mas que parece com uma piada que se estende demais e perde a graça. De interessante aqui, a narrativa do ponto de vista de um computador (chamado cérebro, na história) e seus pontos de vista sobre os seres humanos. Não chega a fazer feio, mas também não é o melhor do volume. Histórias de robôs é, apesar da inconstância, um bom livro. De negativo mesmo, só a capa. A coleção L&PM Pockets atualmente tem se destacado por algumas belas capas, que se destacam nas prateleiras, apesar do tamanho reduzido. Aqui, o responsável apenas colocou um fundo rosa com o título e o nome dos autores. Talvez a necessidade de destacar o nome de Isaac Asimov, como medida editorial, tenha imposto limitações, mas mesmo assim seria possível colocar ao menos uma figura.
Compre o livro Hístórias de robôs no Submarino.

terça-feira, março 04, 2008


ALEPH 2

Levantei. Havia desaparecido. Fora rápido como um flash. Ainda assim, fui seguindo naquela direção. Dei com uma árvore grande, em cuja base se abria um buraco de proporções grandiosas. Ajoelhei-me e olhei em interior.
Foi quando aconteceu. Fui dominado pela sensação de que meu corpo havia perdido inexplicavelmente o peso e o retomado no momento seguinte. Senti a cabeça às voltas, como se estivesse bêbado.
O momento seguinte foi plasmado pela sensação de que meus olhos se abriam em uma visão de 360 graus. Tinha consciência de tudo o que estava na minha frente, atrás, acima e abaixo. Consegui adivinhar o movimento seguinte do peixe na água, compartilhei da consciência estóica da minhoca escavando o chão sob meus pés. Antecipei o canto dos pássaros nos galhos e admirei a velhice secular da árvore que me envolvia.
Vi o nascimento de meu filho. Percebi o momento mágico da fecundação e a tragédia irrecuperável de sua morte.
Vi um homem morrendo numa trincheira, o peito transpassado por um tiro. Em seu bolso, a foto de uma jovem que choraria por ele por 30 anos, quando enfim se mataria.
Gozei e bebi com prostitutas polonesas em plena São Paulo do século XIX. Copiei iluminuras, recitando versos em latim, e fiz isso até que meus dedos doessem e minhas pernas tivessem câimbras.
Berrei com o povo pedindo a cabeça do rei. Ao meu lado, havia um homem chamado Marat e sua boca exalava ódio. Vi o rosto de uma menina que chorava enquanto a cabeça de sua mãe rolava pelo chão.
Experimentei o sangue de um vampiro. Beijei uma moça de pele branca como leite. Cacei búfalos nas planícies, sobre um grande cavalo malhado. Escalei montanhas e naveguei num galeão.
Morri 300 mil vezes. Conheci a dor, a tristeza e a fadiga.
Senti ansiedade ao abrir uma carta com as mãos trêmulas. Padeci da solidão da velhice e da inexperiência da juventude.
Vi meus amigos morrerem e uma abelha polinizando. Dancei como um louco nos braços de uma birmanesa. Senti todos os gostos, todos os sabores e todas as essências.
Vi todo meu futuro como se folheasse um livro empoeirado. Passaram-se todos os séculos e nem mesmo um segundo.
Quando acordei, estava rodeado pelos meus amigos. Haviam me descoberto desmaiado no chão da floresta. Segui, cambaleante, com eles, até o acampamento. Fomos embora no dia seguinte.
Estava doente, mas nenhum médico soube diagnosticar meu mal. A razão para isso era simples: estava doente de velhice. Era se tivesse um milhão de anos e ainda não completara 30.
Vivi naquele dia toda uma velhice milenar e, desde então, tenho apenas me arrastado pelos anos. Não tenho mais nada a conhecer. Só aguardo a morte, que me libertará do determinismo de tudo saber e tudo conhecer. Assim, acordo, levanto, como e novamente durmo.
Eternamente, até o fim.