terça-feira, agosto 07, 2012

Carcereiros - crônicas do cárcere

Em 2003 comprei um gibi nacional em banca, lançado pela editora Escala, que me chamou atenção. Gostei tanto que escrevi uma resenha. O gibi chamava-se Carcereiros e era uma criação de Nestablo Ramos com a ajuda de Eduardo Miranda. Com o tempo esse gibi virou um clássico dos quadrinhos nacionais, mas um fato ficou marcado: minha resenha foi a primeira a reconhecer o valor desse trabalho. Tanto que fui convidado para escrever o prefácio do álbum que reúne aquela primeira história redesenhada e outras HQs menores do universo criado pela Nestablo. Reproduzo aqui o meu prefácio. Ah, para com prar o álbum, clique aqui.

 Carcereiros – uma história que não envelheceu
Para uma história em quadrinhos se tornar um clássico ela precisa de diversos fatores. Entre eles, um bom roteiro e um bom desenho. Além disso, precisa sobreviver ao tempo.
Todos esses critérios podem ser aplicados à série Carcereiros, de Eduardo Mirandan (roteiro) e Nestablo Ramos (desenho). Lançada originalmente em 2002, na série Graphic Talents, da editora Escala, ela chamou atenção pelo alto nível artístico. Bebendo em fontes como os  seriados Arquivo X e Millenium, ela trazia uma trama sobre demônios que se disfarçam de pessoas comuns. A história “Presente de Halloween”, tinha como protagonista um psicólogo que de repente se descobre capaz de ver os demônios que nos rodeiam. Como nos melhores suspenses, o roteiro tinha várias reviravoltas e surpresas.
Lembro que quando comprei esse gibi nas bancas, pensei: “esses caras que deviam estar fazendo os gibis do Arquivo X. Esse material não deve nada ao americano e, em alguns sentidos, é melhor”.
Carcereiros era um tapa da cara de quem afirmava que brasileiro não é capaz de escrever quadrinhos de suspense.
Dez anos depois, Arquivo X ficou datado, foi quase esquecido, mas esse gibi continua sendo atual e interessante. Ao ser convidado a escrever esse texto, reli a história original e senti o mesmo impacto positivo que senti na época do lançamento. Carcereiros era um gibi que havia sobrevivido ao tempo. E, para comemorar, volta com uma edição belíssima, com a primeira história refeita e outras HQs. O que já era muito bom conseguiu ser melhorado. O desenho de Nestablo, hoje muito mais solto e seguro, faz diferença. As outras histórias exploram ainda mais o mundo e a mitologia da série mostrando que há muito a ser mostrado.
Em suma: o que era bom foi melhorado.
Carcereiros é quadrinho nacional da melhor qualidade e uma prova de que estamos em um nível altíssimo, tanto em termos de desenho quanto de roteiro.  

2 comentários:

  1. Como disse: esse prefácio não poderia ter sido escrito por outro, Gian! Foi um prazer tê-lo como convidado nesta edição, aliás, só tem gente de primeira no livro: Eduardo Schloesser, Humberto Yashima, James Figueiredo... Fui presenteado de fato!

    Abração!!!

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