quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Dicas para elaboração de questionário/entrevista

A – FAÇA UMA PERGUNTA BÁSICA
Algo importante a ser lembrado quanto ao questionário é definir exatamente o que se quer saber com o questionário ou a entrevista. O ideal é elaborar uma pergunta básica que será desmembrada em várias outras perguntas. Para quem já fez o projeto de pesquisa, essa pergunta básica é o problema.
Importante: todas as perguntas devem ter relação com a pergunta básica.
         Alguns exemplos de perguntas básicas:
O candidato X tem chances de ser eleito?
Qual a opinião do corpo acadêmico sobre a diretora da escola Y?
B – TODAS AS PERGUNTAS DEVEM TER RELAÇÃO COM A PERGUNTA BÁSICA
Não faça perguntas só por curiosidade. As perguntas devem estar relacionadas ao assunto que está sendo pesquisado e, portanto, com a pergunta básica.
         Nos exemplo de uma pesquisa que pretende medir as chances do candidato X ser eleito, perguntar se o eleitor confia nos políticos é irrelevante. Não é isso que se quer saber e, portanto, essa pergunta não terá nenhuma utilidade para a pesquisa.
         No segundo exemplo, não faz sentido algum perguntar se os alunos concordam com a maneira como são escolhidos os diretores de escola. Afinal, a pesquisa quer saber a opinião sobre a atuação da diretora.
C – A PERGUNTA BÁSICA DEVE SER DESTRINCHADA EM OUTRAS PERGUNTAS
         A pergunta básica é sempre uma pergunta genérica, que envolve vários fatores. O ideal é descobrir quais são esses fatores e desenvolver perguntas a partir deles. Por exemplo, no caso da pesquisa eleitoral, vários aspectos influenciam na aceitação de um candidato: o candidato passa credibilidade? Ele se veste corretamente? Ele é simpático? As pessoas conhecem seu plano de governo e, se conhecem, concordam com ele? O candidato sabe se expressar em público? Os antecedentes do candidatos são positivos?
D – CADA ITEM DEVE TER UMA SÓ PERGUNTA
         Não misture assuntos em uma só pergunta, nem faça mais de uma pergunta de uma só vez.
         Por exemplo:
         Você acha que o candidato X passa jovialidade e credibilidade?
         Joviabilidade e credibilidade não são valores tão relacionados que possam ser unidos em uma só pergunta. Diante de um questionamento assim, o informante não sabe o que fazer. E, diante de sua resposta, mesmo o pesquisador ficará em dúvida. Se a resposta foi sim, o informante quis dizer que acha que o candidato tem jovialidade e credibilidade, ou só joviabilidade ou só credibilidade?
         Um outro exemplo:
         Você acha que a Secretaria de Educação deve oferecer aos professores atividades complementares, como cursos de atualização, no período de férias?
         Leia com atenção. Há três perguntas aí. O ideal era destrinchar cada item em uma só pergunta:
         Você acha que a Secretaria de educação deve oferecer atividades complementares aos professores?
         Você acha que essas atividades poderiam ser cursos?
         Você acha que esses cursos poderiam ser no período das férias?
E – EVITE PERGUNTAS TENDENCIOSAS
         Algumas perguntas, por si só, levam a determinada resposta. Elas devem ser evitadas, pois o que se quer não é confirmar as opiniões do pesquisador, mas saber a opinião do informante.
         Alguns exemplos de perguntas tendenciosas:
Você acha que a falta de materiais áudio-visuais prejudica a qualidade das aulas?
         Você acha que a falta de estrutura da feira dificulta as atividades dos feirantes?
         Nos dois casos acima, a pergunta está influenciando a resposta.
F – CUIDADO COM O REPERTÓRIO DO INFORMANTE
         O repertório é o conjunto de informações que uma pessoa tem e que usa para decodificar uma mensagem. O repertório de um estudante é diferente de um professor, assim como o repertório de uma criança é diferente do repertório de um adulto. Faça perguntas de acordo com o repertório das pessoas que vão responder ao questionário.
G – DADOS DO INFORMANTE
         É comum em questionários pedir alguns dados do informante, como idade, sexo, nível de renda e escolaridade. Essas perguntas devem ser feitas se forem importantes para a pesquisa. Por exemplo, em uma pesquisa sobre pobreza em um bairro periférico, informações sobre nível de renda e escolaridade são importantíssimas.
         Pedir o nome do informante pode não ser aconselhável, especialmente se isso puder criar algum possível constrangimento. Em uma pesquisa sobre o nível de satisfação dos alunos e professores com relação ao diretor de uma escola, muitos alunos e professores podem não ser sinceros se souberem que suas respostas poderão ser descobertas. Nesse caso, o anonimato é essencial.
H – TESTE O QUESTIONÁRIO
Antes de aplicar o questionário, teste-o entrevistando uma pessoa do universo que será pesquisado. Por exemplo, se os informantes forem lixeiros, faça o teste com um lixeiro. Esse teste serve para demonstrar se o questionário está correto e se o nível das questões está de acordo com o repertório do informante.
I – APRESENTE-SE, EXPLIQUE O OBJETIVO DO QUESTIONÁRIO E O QUE SE ESPERA DO INFORMANTE

         Ao aplicar o questionário, não se esqueça de algumas regras básicas de educação. Identifique-se, explique ao informante o objetivo do questionário e o que se espera dele. Se for fazer a pesquisa em uma instituição ou empresa, não se esqueça antes de pedir permissão da direção da instituição.  Isso pode evitar algumas dores de cabeça.

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