sexta-feira, abril 07, 2017

O uivo da górgona - parte 32


32
A mulher indicou uma casa (Uma casa rosa!, espantou-se Edgar) e saiu rápido assim que o carro parou.
- Melhor virar o carro, caso precisemos sair urgente. – sugeriu Jonas.
- Você tá doido, cara? – reclamou Alan, lá atrás. Isso aqui parece uma ratoeira.
- Vamos manobrar. – respondeu Edgar.
Além de fechada, a rua era muito estreita. Os outros olhavam apreensivos enquanto ele virava e desvirava o carro, tentando colocá-lo na direção para sair. Quando finalmente conseguiu, colocou o carro próximo à casa rosa, mas do outro lado.
Foi quando a coisa apareceu, ao lado deles.

Foi tão rápido que ninguém teve tempo de pensar no que estava acontecendo. O homem apareceu ao lado deles, urrando, gritando e babando. Com o susto, Edgar bateu a cabeça no vidro lateral. Os outros estavam igualmente assustados, em especial Jonas, que estava do lado do vidro outro atacado. Só depois do que pareceu uma eternidade é que perceberam o que estava realmente acontecendo: o homem ficara preso dentro de casa, impossibilitado de sair pela grade da garagem. Mas isso não diminuíra seu instinto agressivo. Ele atravessara os braços pelas grades e abria e fechava as mãos, na tentativa vã de agarrar alguém. A barriga enorme saía da camiseta suja, suas banhas enormes extravasando entre as grades.
- Oh, vocês conheceram o meu vizinho! – disse Dona Zulmira, entrando no carro. Esse aí nunca prestou mesmo. Nem quando tinha cérebro, se é que um dia teve. Final de semana, cerveja e música alta... Não deve ter achado ruim quando a coisa aconteceu.
Edgar olhou para trás. A mulher trouxera para o carro duas sacolas grandes, abertas em cima. Uma delas estava cheia de roupas. Mas a outra... a outra tinha algo vivo!

Alan tentou abrir a sacola, mas a outra a fechou.
- O que tem aí, dentro?
Edgar franziu o cenho e olhou pelo retrovisor. Tudo que precisavam naquele momento era de mais um problema.
- O que tem aí dentro? – repetiu Alan.
- O que você trouxe na sacola? – indagou Jonas.
- Ninguém mexe na Pimpinela!
Edgar não conseguiu segurar o riso:
- Pimpinela? Que espécie de bicho é uma pimpinela?
- Pimpinela, é uma galinha. – respondeu a mulher, tirando algo preto de dentro da sacola.
A pequena Sofia deu um pulo de alegria. Era uma galinha preta com unhas pintadas de vermelho!
- Uma galinha! Você trouxe uma galinha com você?
- Mas não é para comer. A pimpinela é de estimação e eu... oh, não, vamos ter que voltar!
- Voltar, como assim, voltar?
- Não volte! – advertiu Jonas.
- Eu esqueci a comida da Pimpinela!
- Ah, não! – fizeram Edgar e Jonas, em uníssono.
- Esse bicho come milho, alpiste?
- Se for de boa qualidade...
Jonas suspirou:
- Podemos parar na mercearia. Tem comida de passarinho lá. E podemos pegar alguma comida para nós também...
- Já vou avisando que não como carne! – advertiu a mulher, enquanto a menina brincava com a galinha.
Edgar olhou pelo retrovisor. Era a primeira vez que via Sofia sorrindo desde que a conhecera.

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