Giancarlo Berardi é um roteirista tão bom que consegue fazer qualquer tema se tornar interessante… inclusive uma partida de poker. É o que acontece no número 136 da revista Aventuras de uma criminóloga.
Na trama, uma amiga de Júlia, policial em outra cidade,
pede ajuda para encontrar seu noivo desaparecido em Garden City. Tudo leva a
crer que ele se endividou no jogo de cartas e o desaparecimento está ligado a
isso. A investigação toma um aspecto mais grave quando as mulheres encontram um
cadáver. Teria sido esse o destino do noivo?
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| A descoberta de um cadáver cria a suspeita de que o noivo foi assassinado. |
Para tentar descobrir, Julia se infiltra num grupo ilegal
de jogos e acaba sendo arrastada para uma partida com os melhores jogadores do
local.
Esse é o ponto alto da história, um jogo de suspense e
subtextos destacados pelos ótimos diálogos.
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| Berardi transforma a partida num estudo psicológico. |
Berardi desenvolve um grupo interessante e ímpar de
jogadores, do grosseiro ao cavalheiro sedutor (que chega a flertar com a avó de
Júlia).
O que os diálogos não revelam, as reflexões da protagonista
o fazem, numa aprofundada visão psicológica: “As veias do pescoço de Loonegan
se incharam. Era evidente que entre ele e Gondorff existia uma rivalidade,
controlada a custo. O mesmo valia para Kid e Lancey Howard. Neles não se percebia
a mesma violência reprimida, mas uma cautelosa compreensão recíproca”.



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