Embora Stephen King seja conhecido como um escritor de terror, algumas das melhores adaptações cinematográficas de sua obra são de histórias que foge do gênero. Um exemplo disso é Conta comigo (Stand by me).
Lançado em 1986 e dirigido por Rob Reiner, o filme é baseado em uma novela de King, O corpo, publicada no livro As quatro estações.
Na trama, quatro garotos de 12 anos descobrem o paradeiro do cadáver de um garoto que foi atropelado pelo trem e decidem empreender uma jornada até o local. São dois dias de caminhada nos quais encontram os mais diversos perigos, de um cachorro em um ferro velho a sanguessugas. A história é contada por um dos garotos, já adulto, e por isso é carregada de nostalgia.
Embora haja muitos perigos, vistos em perspectiva, há uma única situação em que eles correm um risco real: na cena da ponte, gravada com maestria tão grande que nos encolhemos na poltrona torcendo pelos garotos. Nas outras, o que percebemos é que a imaginação tornou os perigos maiores do que de fato eles eram.
O interessante aqui, no entanto, não são os perigos externos, mas a jornada interna dos personagens. Há o protagonista que perdeu o irmão e sente que não é amado pelos pais, há o amigo vindo de uma família de ladrões que todos julgam ser também um ladrão, há um garoto cujo pai foi internado num hospício e quase queimou sua orelha, mas mesmo assim o idolatra. São personagens surpreendentemente complexos enfrentando os desafios do fim da infância e o do início da adolescência. E o que os ajuda nesse processo são as amizades. “Eu nunca tive amigos como aqueles dos meus doze anos, mas quem os teve?”, pergunta o narrador, sintetizando todo o tema do filme.
Conta comigo se tornou o paradigma das histórias sobre amizade, influenciando dezenas de outras produções. Posso citar pelo menos duas de cabeça: a série Anos incríveis e o álbum Turma da Mônica Laços.
Não por acaso, o filme fez muito sucesso. Custou oito milhões de dólares (uma ninharia) e arrecadou, só nos cinemas, 53 milhões. Todo mundo que já teve amigos no final da infância e início da adolescência se identifica em maior ou menor grau com a jornada enfrentada pelos personagens. Dizem que Stephen King teria chorado ao assistir ao filme pela primeira vez. Quem não choraria?
Atualmente Conta comigo está disponível na Netflix.

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