É possível que eu já tivesse ouvido alguma música do Raul Seixas antes, mas curiosamente, a primeira vez que prestei atenção numa música dele eu já era adolescente e morava em Belém.
O pneu da bicicleta tinha furado e eu fui numa borracharia
consertar. Havia um toca-fitas velho no local, e entre um brega e outro, tocou
Ouro de Tolo. Eu fiquei impressionado com o conteúdo filosófico da letra, que
nos fazia questionar nossas certezas e o modo de vida capitalista.
Mas outra coisa me impressionou mais: como aquela música,
de uma mensagem tão profunda e complexa, era ao mesmo tempo popular ao ponto de
um borracheiro de bicicletas colocá-la numa fita para ouvir durante o trabalho?
Alguns conseguem fazer música popular e alguns conseguem fazer músicas
inteligentes, mas só um gênio consegue fazer música popular inteligente.
Foi ali que virei fã de Raul.

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