sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Uma garota mais forte do que o Superman?


A revista do Superman, na fase de Julius Schwartz, era caracterizada por uma situação inusitada na capa, que instigava o leitor. Muitas vezes a capa era criada primeiro, pelo editor, e o roteirista tinha que dar um jeito de bolar a história a partir dessa imagem, embora nem sempre as duas coisas correspondiam, como podemos ver na história publicada em Action Comics 395.

Escrita por Leo Dorfman e desenhada por Curt Swan, a história Os segredos da Fortaleza da Solidão era focada, como o próprio nome diz, no lar construído pelo Superman para guardar seus tesouros e lembranças. Há uma sala de computadores, uma sala de robôs, uma sala para a cidade engarrafa de Kandor, e até uma sala dedicada a Lois Lane. Mas há também uma sala proibida, onde o herói guarda uma pena de ave. “Althera! Ah, Althera... será que nunca vou conseguir esquecer você?”, pensa o herói, ao contemplar a lembrança.

A história mostra um esquema da Fortaleza da Solidão. 


É o gancho para o início da história. Superman se lembra de quando estava passeando pelo espaço e viu uma espaçonave destruída e selvagens fugindo de cães raivosos para não serem aprisionados e se tornarem escravos.

As pessoas por trás dos cães são belíssimas mulheres alienígenas, que querem escravos para as minas de ergonita, mineral que fornece energia para o mundo delas.

Uma pena traz recordações para o Homem de aço. 

É aí que temos a Althera, a comandante da nave, que se apaixona pelo Super-homem a ponto de desenhar o rosto dele em uma rocha usando uma arma de raios. “Cuidado para não esquecer as leis fundamentais da nossa raça, Althera... em nosso mundo é proibido admirar homens! Eles só servem como escravos!”.

Nada faz muito sentido na história. A nave destruída do início da história é simplesmente esquecida pelo roteirista (é possível que ele tivesse pensado que as mulheres haviam caído no planeta e precisassem do mineral para colocar a nave em movimento, mas depois esqueceu disso e providenciou uma nave novinha para as amazonas).

O roteirista simplesmente esquece da nave destruída do início da história. 


Ali pelas tantas uma pedra enorme cai sobre Althera e ela a segura, reproduzindo a imagem da capa. Mas aqui, ao contrária da capa, ela não parece altiva, segurando a pedra com a maior facilidade. Ao contrário, ela acaba sendo salva pelo Super-homem.

Após salvar a garota, o homem de aço a beija. “Minha mente está girando! O que significa essa estranha carícia?”, pergunta ela. “Chama-se beijo! É uma demonstração de ternura e amor!”, responde o Super.

Superman e a moça estão apaixonados... 


Mas quando ela tira o capacete e descobre-se que no lugar de cabelo ela tem penas, ele desiste do romance porque são de “raças diferentes”, como se Lois Lane fosse da mesma raça dos kriptonianos.

No final, vemos o super olhando para a pena e refletindo: Oh, Althera! Como teria sido maravilhoso... se o destino não nos fizesse tão diferentes!”, como se penas no lugar de cabelo fosse um real impedimento para o amor entre os dois.

... mas não vai dar certo porque ela tem penas no lugar dos cabelos. 


A razão para esse final era editorial: é que, nas história, o interesse romântico do super era Lois Lane e, embora fosse possível apresentar novas paixões, era preciso descartá-las no final da história.

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