terça-feira, março 03, 2026

Crise – Um clarão de relâmpago



Juntamente com a morte da Supergirl, o fim do Flash clássico é outro ponto memorável da série Crise nas Infinitas Terras. Esse momento, igualmente grandioso, vai acontecer no número 8 da série.

Na edição anterior, a Supergirl, em um esforço suicida, havia combatido o Antimonitor até destruir sua armadura, fazendo com que o vilão fugisse em sua nave. O número 8 começa o vilão ressurgindo, com uma armadura repaginada, o que parece pouco verossímil e tira muito do impacto do sacrifício da kriptoniana. Ele não só surge são e salvo, como ainda o vemos construído um canhão de antimatéria com o objetivo de destruir as Terras que sobreviveram à crise.

O Antimonitor volta com uma nova armadilha e está construindo uma bomba de antimatéria... 


Escravos fazem o trabalho, enquanto os guerreiros do Antimonitor, os trovejantes, simplesmente matam os que fraquejam, num requinte de crueldade do roteiro.

Em uma narrativa paralela, Flash, que havia sido aprisionado na nave, liberta-se e derrota o Pirata Psíquico. Seu plano é rodar em torno da bomba de antimatéria para destruí-la.

Flash decide destruir a bomba... 


Aqui vemos a maestria do roteirista Marv Wolfman e sua capacidade de dar um ar dramático e grandioso aos diálogos dos personagens: “Tudo que importa para mim... tudo que sempre foi importante... a vida de todos na terra e em nosso universo inteiro... no presente e no futuro... é por tudo isso que estou lutando agora!”.

Na fase final, ele volta no passado em momentos que o leitor havia visto no início da série, o que mostra que Wolfman tinha planejado tudo de modo que algo que só apareceria no volume 8 já era antecipado nos primeiros momentos da história.  

... e morre no processo. 


Se Wolfman faz um ótimo trabalho em tornar o texto final do personagem grandioso, o desenhista Geoge Perez dá uma aula de narrativa. Nos momentos finais do personagem, nós o vemos dentro de vários quadros, que vão desfazendo e sumindo conforme o herói se transforma apenas em ossos e depois em nada. O desenhista usa o requadro, um elemento dos quadrinhos, como recurso narrativo numa sequência que ecoa pura metalinguagem.

Em tempo: é muito simbólico matar o Flash em uma série que pretendia organizar o universo DC, uma vez que o multiverso da editora surgiu em uma aventura do Flash, escrita por Gardner Fox, na qual o Flash da era de prata encontra o Flash da era de ouro.

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