Juntamente com a morte da Supergirl, o fim do Flash
clássico é outro ponto memorável da série Crise nas Infinitas Terras. Esse
momento, igualmente grandioso, vai acontecer no número 8 da série.
Na edição anterior, a Supergirl, em um esforço suicida,
havia combatido o Antimonitor até destruir sua armadura, fazendo com que o
vilão fugisse em sua nave. O número 8 começa o vilão ressurgindo, com uma
armadura repaginada, o que parece pouco verossímil e tira muito do impacto do
sacrifício da kriptoniana. Ele não só surge são e salvo, como ainda o vemos
construído um canhão de antimatéria com o objetivo de destruir as Terras que
sobreviveram à crise.

O Antimonitor volta com uma nova armadilha e está construindo uma bomba de antimatéria...
Escravos fazem o trabalho, enquanto os guerreiros do Antimonitor,
os trovejantes, simplesmente matam os que fraquejam, num requinte de crueldade
do roteiro.
Em uma narrativa paralela, Flash, que havia sido
aprisionado na nave, liberta-se e derrota o Pirata Psíquico. Seu plano é rodar
em torno da bomba de antimatéria para destruí-la.

Flash decide destruir a bomba...
Aqui vemos a maestria do roteirista Marv Wolfman e sua
capacidade de dar um ar dramático e grandioso aos diálogos dos personagens:
“Tudo que importa para mim... tudo que sempre foi importante... a vida de todos
na terra e em nosso universo inteiro... no presente e no futuro... é por tudo
isso que estou lutando agora!”.
Na fase final, ele volta no passado em momentos que o
leitor havia visto no início da série, o que mostra que Wolfman tinha planejado
tudo de modo que algo que só apareceria no volume 8 já era antecipado nos
primeiros momentos da história.
Se Wolfman faz um ótimo trabalho em tornar o texto final do
personagem grandioso, o desenhista Geoge Perez dá uma aula de narrativa. Nos
momentos finais do personagem, nós o vemos dentro de vários quadros, que vão
desfazendo e sumindo conforme o herói se transforma apenas em ossos e depois em
nada. O desenhista usa o requadro, um elemento dos quadrinhos, como recurso narrativo
numa sequência que ecoa pura metalinguagem.
Em tempo: é muito simbólico matar o Flash em uma série que
pretendia organizar o universo DC, uma vez que o multiverso da editora surgiu
em uma aventura do Flash, escrita por Gardner Fox, na qual o Flash da era de
prata encontra o Flash da era de ouro.


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