quinta-feira, março 19, 2026

Os bebês do Fantasma

 


Na década de 1970, Lee Falk estava tão a vontade nos roteiros no Fantasma que conseguia fazer qualquer história ficar interessante, mesmo uma trama altamente caseira, como uma gravidez. É o que podemos ver no volume especial Os bebês do Fantasma, lançado pela RGE em 1979.

A trama acontece pouco depois do casamento. O espírito que anda está nos EUA quando a esposa resolve lhe contar uma novidade: ela está gravida. O curioso é ver ele na casa da mãe da esposa, andando para cima e para baixo com o uniforme de herói e de máscara, uma cena no mínimo inusitada. Mas Diana precisa terminar um trabalho na ONU e deve ficar nos EUA, enquanto seu noivo precisa voltar para a selva, o que leva a uma verdadeira comédia de erros.

A história tem toques de humor. 

Quando eles estão separados, Diana decide ter o bebê na Caverna da Caveira, enquanto o Fantasma acha que ela decidiu ter o bebê em um hospital. “Os tempos mudam! As mulheres da cidade vão para hospitais! É mais seguro!”, afirma o herói. “Seguro? Do que tem medo? Feras? Algum inimigo?”, pergunta um bandar.

A sequência mostra que, além da aventura, Lee Falk dominava também o humor.

O correio dos macacos atrasa graças a um imprevisto. 


Os desencontros, que começam na comédia, incluindo Diana chegando na África e todos achando que ela é louca por querer ter o filho na floresta, vão se transformando em tragédia quando ela é deixada no meio da floresta, mas a mensagem que anuncia sua chegada atrasou por um motivo peculiar: o macaco que a levava foi atacado por um leopardo e teve que se abrigar no meio de uma lagoa. “Conseguirá Diana sobreviver aos ataques dos chacais e abutres?” é a pergunta bem ao estilo das tiras de jornais.

É menino ou menina? 


Resolvido o impasse, a trama passa a girar em torno do parto e das preocupações do pai. Lee Falk faz um tremendo suspense a respeito do sexo do bebê, um suspense que deve ter funcionado nas tiras dos jornais, mas foi totalmente estragado pela RGE com um spoiler logo na capa: no final a esposa do Fantasma teve um casal de gêmeos – o que deixa uma nova dúvida: quem assumirá o manto do herói, tornando-se o 22º Fantasma? O menino ou  a menina?

É menino e menina. 


Essa trama pueril e caseira torna-se encantadora, símbolo de um tempo em que os quadrinhos eram principalmente diversão.

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