sexta-feira, março 27, 2026

Perry Rhodan – Comboio para o desconhecido

 


K.H. Scheer é um dos criadores da série Perry Rhodan e também um de seus melhores autores. Somente ele poderia salvar o volume número 238, no qual não acontece praticamente nada.

A história gira em torno da tentativa de descobrir um planeta que possa servir de base e esconderijo para os terranos no sistema Andro-Beta. Há, no começo, um conflito entre Atlan e Perry Rhodan, já que o primeiro autorizou que uma das naves saísse em busca de um planeta apropriado quando a Crest ainda estava presa em uma armadilha dos Duas Trombas. Nessa, como em todas as outras situações, Atlan tem razão. Aliás, é incrível a quantidade de enrascadas nas quais Rhodan se envolve por não escutar o arcônida, uma situação que vai se repetir diversas vezes durante o quinto ciclo.

A nave pesquisadora inclusive introduz um disfarce, com várias aletas que modificam seu formato, o que será fundamental mais tarde para disfarçar a presença dos humanos no sistema.

A capa original alemã. 


Mais da metade do livro é dedicada aos preparativos para ocupar o planeta gelado. O que salva são as ótimas descrições, a exemplo de: “Um monstro atravessava velozmente os grandes espaços cintilantes da nebulosa Andro-Beta. A cauda de mil e duzentos metros de comprimento e quatrocentos metros de diâmetro fazia chicotear as ondas de impulsos energeticamente condensadas e expelidas em alta densidade”.

A ação só começa mesmo no penúltimo capítulo, quando uma frota inimiga aparece nas proximidades do local escolhido e a nave de Atlan precisa afastá-la dali. Atlan cria todo um estratagema: uma nave menor, pilotada por piloto automático, é maquiada e colocada no espaço para simular uma perseguição, dando a entender que a nave maior apenas passara pelo local em busca de outra.

Scheer demora muito para começar a ação, mas quando começa, o faz com maestria. Na Segunda Guerra Mundial, ele tinha sido tripulante de submarino alemão, e isso fazia dele a pessoa certa para narrar o combate entre naves.

O escritor chega ao detalhismo de se preocupar até mesmo com a questão do barulho provocado pelos canhões e pelos impactos dos tiros das naves inimigas. “Os novatos quase chegavam ao ponto de enlouquecer. Não era por nada que o regulamento de combate exigia o uso de trajes espaciais que incluíam capacetes de isolamento acústico e grossos tapa-ouvidos.”

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