K.H. Scheer
é um dos criadores da série Perry Rhodan e também um de seus melhores autores. Somente
ele poderia salvar o volume número 238, no qual não acontece praticamente nada.
A história
gira em torno da tentativa de descobrir um planeta que possa servir de base e
esconderijo para os terranos no sistema Andro-Beta. Há, no começo, um conflito
entre Atlan e Perry Rhodan, já que o primeiro autorizou que uma das naves
saísse em busca de um planeta apropriado quando a Crest ainda estava
presa em uma armadilha dos Duas Trombas. Nessa, como em todas as outras
situações, Atlan tem razão. Aliás, é incrível a quantidade de enrascadas nas
quais Rhodan se envolve por não escutar o arcônida, uma situação que vai se
repetir diversas vezes durante o quinto ciclo.
A nave
pesquisadora inclusive introduz um disfarce, com várias aletas que modificam
seu formato, o que será fundamental mais tarde para disfarçar a presença dos
humanos no sistema.
Mais da
metade do livro é dedicada aos preparativos para ocupar o planeta gelado. O que
salva são as ótimas descrições, a exemplo de: “Um monstro atravessava
velozmente os grandes espaços cintilantes da nebulosa Andro-Beta. A cauda de mil
e duzentos metros de comprimento e quatrocentos metros de diâmetro fazia
chicotear as ondas de impulsos energeticamente condensadas e expelidas em alta
densidade”.
A ação só
começa mesmo no penúltimo capítulo, quando uma frota inimiga aparece nas
proximidades do local escolhido e a nave de Atlan precisa afastá-la dali. Atlan
cria todo um estratagema: uma nave menor, pilotada por piloto automático, é
maquiada e colocada no espaço para simular uma perseguição, dando a entender
que a nave maior apenas passara pelo local em busca de outra.
Scheer
demora muito para começar a ação, mas quando começa, o faz com maestria. Na Segunda
Guerra Mundial, ele tinha sido tripulante de submarino alemão, e isso fazia
dele a pessoa certa para narrar o combate entre naves.
O escritor
chega ao detalhismo de se preocupar até mesmo com a questão do barulho
provocado pelos canhões e pelos impactos dos tiros das naves inimigas. “Os
novatos quase chegavam ao ponto de enlouquecer. Não era por nada que o
regulamento de combate exigia o uso de trajes espaciais que incluíam capacetes
de isolamento acústico e grossos tapa-ouvidos.”


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