quarta-feira, março 25, 2026

Supreme – Origens Secretas

 


Ao assumir o roteiro de Supreme, Alan Moore aproveitou que o personagem era uma cópia descarada do Super-homem para fazer uma homenagem ao Homem de Aço, ao mesmo tempo em que acrescentava detalhes que o diferenciavam do personagem da DC. Isso já fica patente na segunda história dessa nova versão, Origens Secretas, publicada em Supreme 42.

Na história, Etham Crane volta a Littlehaven, cidadezinha onde passou a infância e a adolescência e começa a se lembrar dessas fases da vida. Moore usa a metalinguagem de forma inovadora ao colocar as lembranças do personagem como histórias em quadrinhos antigas. 

Supreme volta à sua cidade natal e isso provoca lembranças que serão mostradas como quadrinhos "nostálgicos". 


Enquanto a HQ principal é desenhada pelo paraense Joe Bennett, as partes “nostálgicas” são ilustradas por Rick Veitch, um desenhista especializado em mimetizar traços de artistas clássicos ao mesmo tempo em que acrescenta um toque pessoal, como vemos nessa primeira história, que lembra os quadrinhos da Era de Ouro, inclusive em termos de diagramação, com quadros irregulares, quadrinhos que formatos diferentes etc.

O texto de Moore, por outro lado, mimetiza o estilo infantil dos anos 1940: “Atendendo aos pedidos dos leitores, nós trazemos até vocês fatos surpreendentes por trás do Homem-Majestoso na... ORIGEM DO SUPREMO! Quem é ele e como surgiu”.

A história emula os quadrinhos da Era de Ouro, inclusive com quadrinhos irregulares. 


Na história, um garoto de uma cidadezinha de interior vai brincar com um cachorro quando é afetado por um meteorito que o deixa com cabelos brancos, capacidade de voar e outros super-poderes. É uma origem que ecoa diretamente a origem do Super-homem, mas com diferenças fundamentais. Como uma obra pós-moderna, Supreme de Alan Moore revisita e reformula o passado.

Ao visitar um museu local dedicado ao Supreme (administrado por Judy Jordan, uma mulher que, na juventude, foi apaixonada pelo herói), Etham Crane pega um card e isso o leva a outra lembrança-flash back, mais uma vez com desenho de Rick Veitch. Essa já emula os quadrinhos da Era de Prata, inclusive na diagramação mais comportada.

O garoto ganha poderes ao entrar em contato com um meteorito extraterrestre. 


Protagonizada pelo Kid Supreme, a HQ flash back evoca o primeiro encontro do Superboy com a Legião dos Super-heróis. Em uma situação típica das revistas editadas por Julius Schwartz (em que os heróis eram mostrados na capa e no primeiro quadrinho em situações impossíveis), vemos o Supremo jovem, em sua identidade secreta, observando aturdido enquanto um Kid Supremo falso salva Judy Jordan das garras de um robô comandado por Darius Dax. “O que...? como pode o Kid Supremo resgatar Judy se eu sou o Kid Supremo?”. Judy Jordan, Darius Dax deu para perceber que os nomes dos personagens usam aliterações, da mesma forma que nas histórias do super-homem, com personagens como Lois Lane e Lex Luthor.

A HQ-flash back começa no estilo dos quadrinhos do Super-homem da era de prata: com uma situação misteriosa. 


No final, os responsáveis pelo falso Kid Supremo são a Liga do Infinito, heróis de várias eras, incluindo um homem das cavernas, um pistoleiro e uma bruxa, além da Garota do Futuro, desenhada com um uniforme que lembra os da Legião dos Super-heróis. Ou seja, era parecido com a Legião, e ao mesmo tempo diferente.

A Liga do Infinito reúne heróis de várias eras. 


Não bastasse isso, Moore ainda incluiu uma referência literária: o mentor do Kid Supremo, responsável por salvar sua vida quando criança, é o Professor Wells, uma referência ao escritor H.G. Wells.

Ao resgatar, com um novo olhar, histórias clássicas, Alan Moore abriu espaço para a superação da era Image e para outras obras icônicas, como Super-homem, grandes astros, de Grant Morrison.

Sem comentários: