É da Indonésia que vem uma das produções mais emocionantes
exibidas pela Netflix nos últimos tempos. Trata-se do longa-metragem Uma
Carta à Minha Juventude, dirigido por Sim F.
O filme acompanha Kefas, um homem bem-sucedido assombrado
por um segredo do passado, o que o torna extremamente protetor com sua filha.
Essa característica é exemplificada logo no início, quando ele corre com a
menina para um hospital em desespero, apenas para descobrir que ela não tem
nada de grave.
O velório de um antigo cuidador de um asilo o faz embarcar
em uma viagem ao passado, e nós voltamos junto com ele, passando a conhecer as
razões de seu comportamento no presente. Kefas perdeu a irmã muito jovem quando
um cuidador, preocupado em roubar a comida do abrigo, negligenciou o socorro
médico. Esse trauma fez com que Kefas passasse a infernizar a vida de todos os
cuidadores que assumiam o emprego posteriormente.
A situação muda quando o senhor Simon é convencido por um
amigo a assumir o cargo. Simon carrega sua própria trajetória de tragédias: seu
filho morreu em um acidente de moto e a esposa faleceu pouco depois. Apático,
seu único plano para o futuro é morrer.
O encontro dessas duas figuras atravessadas pela perda —
inicialmente marcado pelo estranhamento — gera uma mudança mútua que encanta o
espectador. Divertido, emocionante e memorável, Uma Carta à Minha Juventude
transita por diversos gêneros, apresentando desde números musicais muito bem
executados até cenas de ação, destacando-se principalmente pela atuação
magistral do elenco infantil.

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