segunda-feira, junho 08, 2026

Thelma - Missão impossível da terceira idade



Um dos tesouros improváveis da Netflix é a comédia Thelma (2024), dirigida por Josh Margolin. Inspirada em uma experiência real vivida pela própria avó do diretor, a produção acompanha a veterana atriz June Squibb no papel de uma idosa de 93 anos que, após ser vítima do infame "golpe do falso sequestro" por telefone, decide fazer justiça com as próprias mãos e recuperar suas economias. Para levar a cabo sua missão, ela recruta a ajuda de um velho amigo que, a contragosto, a acompanha a bordo de uma scooter motorizada.

O grande trunfo da obra reside na sua abordagem narrativa, estruturada como se fosse uma versão para a terceira idade de Missão: Impossível. Sob essa ótica satírica, ações simples como caminhar por uma loja repleta de bibelôs de porcelana, descer de uma cama alta ou atravessar uma rua movimentada são filmadas como obstáculos milimetricamente calculados e de altíssimo risco — desafios que a obstinada protagonista precisa e consegue superar.

Vale destacar também a trilha sonora composta por Nick Chuba, elemento essencial para ditar o clima de urgência da aventura. As cenas em que a protagonista pilota a scooter, por exemplo, ganham contornos de uma perseguição de motos em alta velocidade, efeito alcançado graças à edição dinâmica e ao casamento perfeito com a música de Chuba. Vale o lembrete realista: a velocidade máxima de um veículo desses gira em torno de modestos 30 km/h.

Outro ponto alto é a emocionante relação de Thelma com seu neto. Ele protagoniza uma subtrama paralela, desesperado com o sumiço repentino da avó enquanto tenta localizá-la pela cidade.

Reflexo direto do carinho de um neto por sua avó, Thelma é um filme divertido e empolgante que, impulsionado pela performance enérgica e carismática de June Squibb, lança um olhar terno e necessário sobre a autonomia e os desafios enfrentados pela população idosa.

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