Um dos tesouros improváveis da Netflix é a comédia Thelma
(2024), dirigida por Josh Margolin. Inspirada em uma experiência real vivida
pela própria avó do diretor, a produção acompanha a veterana atriz June
Squibb no papel de uma idosa de 93 anos que, após ser vítima do infame
"golpe do falso sequestro" por telefone, decide fazer justiça com as
próprias mãos e recuperar suas economias. Para levar a cabo sua missão, ela
recruta a ajuda de um velho amigo que, a contragosto, a acompanha a bordo de
uma scooter motorizada.
O grande trunfo da obra reside na sua abordagem narrativa,
estruturada como se fosse uma versão para a terceira idade de Missão:
Impossível. Sob essa ótica satírica, ações simples como caminhar por uma
loja repleta de bibelôs de porcelana, descer de uma cama alta ou atravessar uma
rua movimentada são filmadas como obstáculos milimetricamente calculados e de
altíssimo risco — desafios que a obstinada protagonista precisa e consegue
superar.
Vale destacar também a trilha sonora composta por Nick
Chuba, elemento essencial para ditar o clima de urgência da aventura. As cenas
em que a protagonista pilota a scooter, por exemplo, ganham contornos de uma
perseguição de motos em alta velocidade, efeito alcançado graças à edição
dinâmica e ao casamento perfeito com a música de Chuba. Vale o lembrete
realista: a velocidade máxima de um veículo desses gira em torno de modestos 30
km/h.
Outro ponto alto é a emocionante relação de Thelma com seu
neto. Ele protagoniza uma subtrama paralela, desesperado com o sumiço repentino
da avó enquanto tenta localizá-la pela cidade.
Reflexo direto do carinho de um neto por sua avó, Thelma
é um filme divertido e empolgante que, impulsionado pela performance enérgica e
carismática de June Squibb, lança um olhar terno e necessário sobre a autonomia
e os desafios enfrentados pela população idosa.

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