quinta-feira, julho 30, 2026
A origem do Batman
quarta-feira, julho 29, 2026
Esses quadrinhos são um caos!
Jornada nas estrelas - A glória de Ômega
Confesso que tenho uma simpatia muito grande pela série clássica de Jornada nas Estrelas, de modo que acabo gostando até mesmo episódios ruins, como o cérebro de Spock. Mas um que me incomodou muito desde o início foi A glória de Ômega, da segunda temporada.
No episódio, a Enterprise encontra uma nave vazia. Ao visualizarem o diário do capitão descobrem que a tripulação morreu em uma praga e que a única forma de sobreviver é descer ao planeta. Como também estão infestados, Kirk Spock e McCoy descem para o planeta, onde encontram o capitão da outra nave. Já começa aí um problema. O vídeo dava a entender que ele também tinha morrido. Como ele descobrira que a superfície do planeta poderia curar a doença? E como só ele tivera a ideia de descer? Furos e mais furos no roteiro.
O capitão explica que todos os habitantes do planeta são imortais e pretende usar isso para ganho pessoal, obrigado McCoy a descobrir o segredo da imortalidade. Além disso, a população local está dividida entre dois grupos, um de brancos considerados selvagens, e outro de asiáticos. O capitão usa sua tecnologia para mudar a guerra a favor dos orientais, quebrando diretamente com a primeira diretriz.
Os problemas continuam. McCoy descobre que a imortalidade dos habitantes locais é decorrente de um processo de seleção natural, o que acaba completamente com a premissa básica do episódio de que o planeta tinha algo que curava doenças.
Para piorar, o episódio termina com uma indisfarçada patriotagem que inclui a bandeira dos EUA e até a constituição, o que é forçar demais o pacto de verissilhanca.
Nada faz sentido nesse episodio e ele nem mesmo engraçado. É apenas ruim.
As tentações de santo Antão, de Hieronymus Bosch
Demolidor – Amor e guerra
Em meados da década de 1980, Frank Miller e Bill Sienkiewicz eram dois dos nomes mais revolucionários dos quadrinhos americanos. Miller tinha assumido o título do Demolidor quando o mesmo estava prestes a ser cancelado e o transformara em um campeão de vendas. Depois, sacudira o mercado com Batman Cavaleiro das Trevas. Sienkiewicz chamara atenção nas histórias do Cavaleiro da Lua e depois brilhara no título dos Novos Mutantes, no qual fazia todo tipo de experimentação gráfica, fugindo do que se fazia até então nos super-heróis.
O resultado da união desses dois talentos foi a graphic novel Amor e Guerra, publicada aqui no Brasil pela editora Abril no segundo número da coleção Graphic Novel.
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| A narrativa era revolucionária. |
Na história, a esposa do Rei está enferma e o vilão contrata um psicólogo para tratar dela. Para garantir que ele se dedicará totalmente ao caso, manda sequestrar a esposa do psicólogo. O problema é que o sequestrador, um tal de Victor, é um homem enlouquecido pelas drogas, que oscila a todo tempo entre o dever de cuidar da jovem e o desenho de violentá-la ou até matá-la.
Esse mote permite a Sienkiewicz usar toda a sua habilidade artística expressionista para refletir o ponto de vista de Victor. Sua imagem reflete a loucura interna: os olhos com pupilas de tamanhos diferentes esconidas no meio do negrume da insanidade, o nariz torto, a boca pequena, a testa imensa. O texto de Miller acentua a loucura do personagem: “Ninguém vai imaginar que eu trouxe uma gata dessas para um covil de viciados. É o meu trabalho saber disso. Ih! Chamei Cheryl de gata. É melhor maneirar meus pensamentos. Ela é um anjo. Do tipo que se venera e nunca se toca! Não fazer nada daquelas coisas. Nada daquelas coisas.”.
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| A imagem do vilão é deformada para demonstrar sua loucura. |
O estilo de desenho reflete cada personagem. A esposa do médico é de uma beleza angelical que mistura impressionismo e Gustav Klint.
Curiosamente, Sienkiewicz parece não se sentir à vontade de desenhar exatamente o Demolidor, preferindo fazer, na maioria das vezes, um borrão, algo que funciona na história e serve para mostrar a velocidade com que o personagem se move.
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| O Demolidor sendo mostrado como um borrão. |
Mas a caracterização que mais me marcou foi a do Rei. Sienkiewicz destaca seu poder desenhando-o com um homem imenso, deformado, cuja imagem ocupa sozinha uma splah page. Provavelmente ninguém conseguiu retratar de forma tão fiel a imponência do vilão.
Aliada a essa visão artística revolcionária de Sienkiewicz, Miller concebe uma trama que se desenvolve em uma constante tensão ao mesmo tempo em que desenvolve os personagens.
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| A caracterização do Rei impressiona. |
Cada página de Amor e Morte é uma verdadeira obra prima.
Perry Rhodan – O regresso de Ernest Ellert
Ernest Ellert era um mutante que tinha a capacidade de viajar, em espírito, através do tempo. Logo nas primeiras edições da série, ele se separou em definitivo do seu corpo e parecia ter desaparecido. No segundo ciclo descobriu-se que sua habilidade de viajar no tempo o levou para a dimensão dos druufs, onde ele se alojou no corpo de um cientista.
A partir dessa descoberta, ficou óbvio que, em algum momento, o mutante retornaria ao seu corpo e isso aconteceu no número 91 da série.
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| A capa original alemã: o capista não conseguia acertar o visual dos druufs. |
Na trama, o corpo começa a entrar em decomposição. Para tornar a situação ainda mais crítica, Onot, o cientista hospedeiro de Ellert, foi preso por traição e poderá ser morto ou poderá revelar a ação dos terranos. Assim, torna-se urgente transportar o mutante para seu corpo original – e isso só pode ser feito levando o corpo para a dimensão dos druufs.
Escrito pelo humanista Clark Darlton, esse livro mostra os druufs de perto, em especial o principal cientista da espécie – e descobrimos que os seres quadráticos são tão humanos quanto nós. Onot chega a dizer que abomina a violência. Darlton, que já quebrara com o paradigma de que alienígena não humanoide é alienígena mal ao criar Gucky, aqui mostra que mesmo o inimigo pode ter integridade.
O seguinte trecho demonstra esse ponto de vista: “As vidas que colocara em perigo não era vidas humanas, mas sempre eram vidas. Toda e qualquer forma de vida tinha direito à existência e não devia ser destruída. Nem mesmo a do inimigo, caso isso pudesse ser evitado”.
O livro também chama atenção por antecipar as câmeras corporais de policiais, que permitia a uma central de controle rastrear tudo que um policial visse. Considerando que em volumes anteriores nenhum dos escritores ter contado com a possiblidade de câmeras de segurança, Darlton parecia muito à frente de seu tempo e até de seus colegas.
Um detalhe curioso sobre as capas desse livro: o capista norte-americano Gray Morrow preferiu fazer uma capa genérica de ficção científica (muito bonita, por sinal). Já o capista alemão, Johnny Buck, embora tenha feito uma cena do livro, não chegou nem perto de acertar a aparência dos druufs, fazendo uma imagem completamente diferente daquela descrita nos livros.
Doutor Estranho contra Drácula
Colocar o mago supremo em rota de colisão contra o príncipe dos vampiros e ao mesmo tempo fazer um crossover entre duas revistas Marvel. Essa foi a ideia que os roteiristas Marv Wolfman e Steve Englehart tiveram em 1976.
A história começou em The Tomb of Dracula 44 e terminou em Doctor Strange 14. Para ilustrar as duas histórias foi chamado Gene Colan, o veterano da Marvel, que, depois de passar por vários heróis da editora, se consolidara, merecidamente, como o ilustrador oficial de Drácula. Colan tinha um traço sujo e constantemente distorcia as figuras humanas, usando e abusando do escorço e de sombras – recursos que o tornavam perfeito para um título de terror.
Na trama, o assistente do Dr. Estranho, Wong, é morto pelo vampiro, o que coloca o mago em seu encalço.
Englehart e Wolfman são dois grandes roteiristas, dois dos principais nomes da era de bronze da Marvel e mostram aqui toda a sua destreza.
O texto de abertura da história escrita por Wolfman já dá o tom sombrio: “Stephen Strange está preocupado! Ele olha atentamente para a névoa cinzenta no interior da esfera brilhante e sabe seu significado! Em breve haverá uma batalha e, antes da noite terminar, o doutor estranho , o mestre das artes místicas encontrará a morte! Nem mesmo o poder contido no supremo cristal poderá salvá-lo quando à meia-noite soarem suas badaladas mortais!”.
A grande questão aí é como um vampiro poderia ser um adversário à altura de um mestre das artes místicas – e a solução encontrada é perfeita. No final da primeira parte, o doutor estranho tomba diante de Drácula.
A segunda parte, já na revista do Dr. Estranho, começa com o herói derrotado, incapaz de voltar ao seu corpo. E aqui a forma encontrada por Englehart para solucionar a situação é igualmente engenhosa.
No Brasil essas histórias foram publicadas pela primeira vez em Superaventuras Marvel 19 e 20.
Roteiro para quadrinhos: o texto
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| A forma diz respeito à abordagem textual escolhida pelo roteirista |
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| Texto em primeira pessoa em Cavaleiro das Trevas |
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| Exemplo de narrador em terceira pessoa |
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| Texto em primeira pessoa |
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| Gerry Conway usava muito o recurso do texto diálogo em sua fase no Homem-araha |
A arte espetacular de Mike Zeck
Mike Zeck é um desenhista norte-americano conhecido principalmente por seu trabalho na Marvel Comics. Seu primeiro trabalho de sucesso para a editora foi o Mestre do Kung Fu.
terça-feira, julho 28, 2026
Kull – O vale as sombras
Escrita por Alan Zelenetz e desenhada pelo filipino Tony De Zuniga, a história O vale das sombras parte de uma premissa interessante: a história se passa em um momento em que o rei está entre a vida e a morte, depois de ter sido ferido em batalha. Várias pessoas à sua volta observam o que parece ser o delírio final (na verdade o rei conversa com a deusa da morte) e, ao mesmo tempo, rememoram fatos da história do rei.
Em uma das histórias, por exemplo, um jovem Kull estava pescando com companheiros quando seu barco é abordado por um navio picto. Todos morrem com o impacto, menos Kull, que passa a caçar cada um dos que o haviam atacado. Em outra sequência, é mostrado como ele foi manipulado para matar o rei e como os manipuladores viram suas esperanças malograrem quando Kull decidiu se coroar rei.
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| O rei está no leito de morte e os seus auxiliares lembram seus momentos mais épicos. |
Seria uma história realmente sensacional, não fosse pelas limitações de Zelenetz. Ele não consegue imprimir à HQ o ar grandioso que ela exigia. Em nenhum momento seu texto vai além do mediano.
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| Enquanto isso, o rei conversa com a deusa da morte. |
Embora De Zuniga seja um desenhista espetacular, é nítido que ele carece de um roteiro mais elaborado guiando sua arte, o que faz inclusive que algumas sequências fiquem de difícil compreensão.
Publicada originalmente em Marvel graphic novel 47 de 1989, essa história saiu no Brasil pela abril em Conan em cores 13.




































