A
mitologia de Jornada nas Estrelas foi sendo elaborada aos poucos, conforme os
episódios isolados iam sendo escritos e produzidos. Mesmo assim, é de uma
riqueza única. Exemplo disso é o episódio Missão de Misericórdia, da primeira
temporada da série clássica.
Esse
episódio introduz os principais inimigos da federação, o império Klingon. Uma
guerra entre ambos parece iminente e um planeta ocupado por fazendeiros,
Orgânia, torna-se essencial nessa guerra graças à sua localização estratégica.
A Enterprise é enviada para o local para tentar convencer os líderes do planeta
a se aliarem à Federação. Enquanto Kirk tenta convencer os habitantes locais de
como será útil essa aliança (e como seria terrível ficar sob jugo de uma
ditadura militar klingon), uma frota Klingon se aproxima e a Entreprise é
obrigada a se evadir, deixando Kirk e Spock no planeta.
A
história é interessante por contrastar a Federação e seus métodos democráticos
e os Klingons e sua sociedade militar (e, nesse sentido, é bem óbvia a crítica
do roteirista Gene L. Com). Mas nem tudo é preto e branco: afinal, a federação
quer o planeta exatamente para ganhar a guerra.
A
dinâmica entre os dois comandantes, Kor (interpretado por John Colicos) de um lado e Kirk do outro é um dos pontos
altos do episódio (Aliás, temos a impressão de que sempre ótimos atores eram
escalados para vilões de Jornada). Kor é mostrado com alguém tão capaz e
inteligente quanto Kirk, embora seus métodos sejam muito diferentes.
Vale
destacar também a inteligência do roteiro, que dribla a falta de recursos com
criatividade. À certa altura, por exemplo, Kor resolve fuzilar 200 organianos,
uma cena que, se filmada, seria proibitiva. O roteiro resolve isso apenas com o
anúncio de que essas pessoas foram mortas.
O final
é outro grande momento desse episódio memorável, no qual fica claro, que,
embora a Entreprise tenha uma estrutura militar, Jornadas é definitivamente um
seriado pacifista.

Sem comentários:
Enviar um comentário