Um dos diferenciais que fizeram o sucesso da
Marvel era a forma tridimensional como os personagens eram apresentados. E não
só os heróis, mas também os vilões. Estes não eram maus por serem maus, mas sempre
tinham uma boa motivação por trás de seus atos. E, entre todos os vilões, um
dos mais complexos era o Dr. Destino.
Poucas obras exploraram tão bem essa
complexidade quanto a graphic novel Triunfo e Tormento, escrita por Roger Stern
com desenhos de Mike Mignola.
Na história um eremita chamado Gengis convoca
todos os principais magos do mundo para um desafio. Quem vencer, será
reconhecido como mago supremo.
Curiosamente, o Doutor Destino é chamado.
Embora seja mais reconhecido por suas conquistas tecnológicas, descobrimos que
ele é um mago de relativo poder e muita astúcia, tanto que acaba ficando em
segundo lugar na disputa.
Terminado o torneio, o vencedor deve conceder
uma dádiva ao segundo lugar. E o que o vilão pede ao herói? Para salvar a mãe,
presa no inferno por Mefisto.
Descobrimos então que a mãe do vilão fez um
pacto com o demônio para libertar seu povo, os ciganos, da terrível perseguição
de um barão. Mas não se pode confiar num demônio. Tudo acaba dando errado e a
alma da mulher é aprisionada no inferno.
Cabe agora aos dois doutores descer às
profundezas infernais e resgatar a mãe de Victor Von Doom.
Mignola é um dos desenhistas mais queridos de
sua geração, e não sem razão. Seu traço expressivo, com forte constraste de luz
e sombra é perfeito para essa história de magia e inferno.
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| O desenho de Mignola é perfeito para a história. |
Mas o roteiro é realmente a grande atração.
Roger Stern faz uma história repleta de ação, mas principalmente com ótimo
aprofundamento dos personagens, em especial do Dr. Destino. Conhecemos sua
história e nos surpreendemos ao perceber que sua maior motivação é salvar a
mãe. Por outro lado, durante uma alucinação, o doutor estranho se vê como um
médico arrogante e interesseiro. Aí temos a grande inversão que faz essa
história ser genial: o herói à certa altura é mostrado como alguém que só
pensava em dinheiro e o vilão como alguém cujo maior sonho é salvar a mãe. No
final, bem amarrado, ambos têm um tipo de rendenção.
São histórias como essa que faziam com que a
Marvel fosse uma editora tão especial.
Essa história foi lançada no número 5 da coleção
Graphic Marvel, da Abril, e, mais recentemente, pela Panini.


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