quinta-feira, junho 11, 2026

Miracleman – A Síndrome do Rei Vermelho


Uma das melhores histórias de Miracleman de Alan Moore é um conto curto publicado na Warrior 17 e desenhado por John Ridgway. A trama se passa em 1961: Gargunza e seu assistente estão monitorando a Família Miracleman enquanto eles dormem e têm sonhos induzidos, nos quais vivem aventuras como super-heróis (sonhos que, em essência, eram as HQs clássicas dos personagens).

Ocorre que o subconsciente de Miracleman percebeu o que estava acontecendo e, como forma de forçar o grupo a acordar para o mundo real, ele induz os amigos a um sonho cheio de inconsistências, que mistura terror e fantasia.

O inconsciente de Miracleman tenta acordar o grupo, mostrando o que realmente está acontecendo.


O trio se vê em um mundo onírico, diante de um castelo onde encontram versões gigantescas de si mesmos, adormecidos e presos com arames e cabos.

Logo depois, eles são atacados por vampiros, que são facilmente vencidos. Em seguida, graças a uma programação de Gargunza, a situação é explicada como sendo um delírio provocado por um vilão, que ataca o trio com sereias do sono — criaturas belíssimas cujo objetivo é fazer os heróis voltarem a dormir. Mas Miracleman resiste e desmonta essa versão, para desespero dos cientistas.

Vampiros em uma história de super-heróis? Isso não faz sentido. 


“Diga-me, Dr. Fabian, já leu Alice no País das Maravilhas?”, diz Gargunza em certa altura. “Já? Lembra-se do Rei Vermelho? Ele dormia e sonhava, e ninguém se atrevia a acordá-lo. Tinham medo, entende, de que todos fossem parte do sonho dele e de que, se o despertassem, toda a existência deles simplesmente desapareceria.”

Moore consegue trazer a referência literária e integrá-la à história sem parecer forçado. O Rei Vermelho é a Família Miracleman que, uma vez acordada, poderá destruir todo o projeto e matar todos os cientistas. A metáfora permite também a interpretação de que vários dos personagens coadjuvantes da família não têm existência real, sendo apenas personagens de um sonho.

É tudo culpa de um vilão. Voltem a dormir.


No final, Gargunza usa a própria história do Rei Vermelho para resolver a situação.

Moore aproveita muito bem a capacidade de John Ridgway para desenhar terror e fantasia, criando uma história tensa, em que a verdadeira ameaça é psicológica e na qual, em algum momento, o leitor acaba torcendo pelo vilão.

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