quinta-feira, junho 25, 2026

Perry Rhodan 246 – O Centro de Controle Modular

 


Apesar de ser um marco da ficção científica, a série Perry Rhodan muitas vezes peca ao focar excessivamente na perspectiva dos terranos. Por isso, o volume 246 surpreende ao trazer trechos narrados sob a ótica de um alienígena.

Nesta trama, os humanos investigam a origem de naves kamikazes que estão devastando a galáxia de Andro-Beta. Descobre-se que tais naves são pilotadas por androides rudimentares, feitos do plasma vivo encontrado pela humanidade no volume anterior. Com inteligência limitada pelo seu tamanho, esses seres cumprem uma única diretriz: destruir planetas.

A narrativa alienígena vem do ser que fabrica esses androides a mando dos Senhores da Galáxia. "Se não fosse meu trabalho, essa operação nunca poderia ser realizada. Por uma ironia cruel do destino, fui obrigado a fazer uma coisa que abominava. Constantemente tive que lutar contra a voz da consciência, que queria levar-me a assumir uma atitude de resistência e rebelião", reflete o alienígena. Ele, no entanto, continua obedecendo, com medo de que os Senhores da Galáxia eliminem seu povo.

Essa perspectiva, trazida pelo escritor H.G. Ewers, apresenta uma virada interessante ao mostrar o inimigo não como um vilão, mas como alguém coagido.

Capa original alemã. 


Este livro, como vários outros da série, sofre do mal da "enrolação": a história de fato só engrena mais à frente. Contudo, Ewers consegue preencher as páginas anteriores habilmente, tornando a leitura agradável ao trazer detalhes da vida em outro planeta ou a respeito dos personagens.

Logo no começo, por exemplo, ele nos apresenta o parasita dos cogumelos do planeta Gleam: "Achatado e do tamanho de uma mão humana, precipitara-se sobre o cigarro aceso, envolvendo-o com seus tentáculos venenosos. Os tentáculos terminavam em ferrões finos, mas muito duros, cujo veneno era capaz de matar um homem numa questão de segundos".

Outro destaque é a conversa de Gucky com o alienígena Grek-1, na qual o rato-castor tenta explicar o conceito de humor, terminando com a pérola filosófica: "Senso de humor é o que a gente mostra quando ri apesar de tudo". Como se vê, é um livro que conquista por esses pequenos momentos, e não pela trama em si, que é um pouco esvaziada e demora a acontecer.

No entanto, a obra não escapa de furos lógicos. É difícil engolir a estratégia de Grek-1: sugerir aos Senhores da Galáxia que os invasores são Maahks (seu próprio povo) para proteger os terranos parece um risco desproporcional, que poderia levar à extinção de sua própria raça.

Além disso, há uma contradição tecnológica gritante: o computador da nave é descrito como um colosso de seis andares. Em um universo onde a miniaturização microscópica já é comum, por que os computadores continuariam gigantescos?

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