Existem alguns números da série Perry Rhodan que apresentam
premissas fascinantes e teriam tudo para ser leituras memoráveis, mas que
acabam naufragando pela falta de habilidade do autor. É exatamente o que ocorre
no volume 247, escrito por H.G. Ewers.
Ewers acerta ao focar boa parte da narração no alienígena
Baar Lun. Sequestrado pelos Senhores da Galáxia, Lun é obrigado a produzir
androides semivivos, armas biológicas usadas para aniquilar planetas inteiros.
O dilema é cruel: se ele não obedecer, seu povo será exterminado.
O planeta Módulo é o centro de produção desses monstros. Por
puro instinto, Rhodan decide não destruí-lo de imediato, optando por enviar uma
equipe de reconhecimento que, previsivelmente, acaba ficando isolada e presa no
local. A partir daí, a história se divide em duas frentes: os terranos tentando
sobreviver a ataques de milhares de androides e a narrativa de Baar Lun. É por
meio deste alienígena que conhecemos a história de seu povo, banido pelos
Senhores de Andrômeda e dividido entre o Mundo dos Cantos (Gleam) e o planeta
gelado Módulo.
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| A capa original alemã. |
Gucky é enviado com a missão de resgatar os terranos, mas
decide também convencer o Senhor dos Androides a colaborar com Rhodan. Aqui, a
narrativa se torna excessivamente providencial: Ewers decide que todo o povo de
Lun foi exterminado pelos Senhores da Galáxia sem qualquer explicação lógica.
Esse recurso soa como puro deus ex machina, servindo apenas para vilanizar
ainda mais os antagonistas e dar a Baar Lun um motivo imediato para mudar de
lado.
Nesta fase da série, K.H. Scheer era o responsável por
planejar o ciclo e fornecer resumos estruturais para cada volume. O problema é
que Ewers parece ter pego esses resumos e simplesmente despejado os fatos no
papel, sem preparo ou transição.
Um exemplo gritante é o conhecimento de Gucky: o rato-castor
precisa saber que o produtor dos androides age sob coação? Ewers o apresenta já
munido dessa informação, sem mostrar o processo de leitura mental ou a
investigação necessária. Da mesma forma, se a sinopse previa que um membro da
expedição teria alucinações com um cristal, o autor o lança diretamente no
delírio, sem explicar a origem do objeto ou como ele levou o personagem a
alucinar.
Essa negligência em preparar o leitor para os acontecimentos
retira o impacto emocional da obra. O resultado é uma leitura em que nos
sentimos perdidos, transformando o que deveria ser uma aventura prazerosa em um
amontoado de fatos desconexos.


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