sexta-feira, junho 26, 2026

Perry Rhodan 247 – O Senhor dos Androides

 


Existem alguns números da série Perry Rhodan que apresentam premissas fascinantes e teriam tudo para ser leituras memoráveis, mas que acabam naufragando pela falta de habilidade do autor. É exatamente o que ocorre no volume 247, escrito por H.G. Ewers.

Ewers acerta ao focar boa parte da narração no alienígena Baar Lun. Sequestrado pelos Senhores da Galáxia, Lun é obrigado a produzir androides semivivos, armas biológicas usadas para aniquilar planetas inteiros. O dilema é cruel: se ele não obedecer, seu povo será exterminado.

O planeta Módulo é o centro de produção desses monstros. Por puro instinto, Rhodan decide não destruí-lo de imediato, optando por enviar uma equipe de reconhecimento que, previsivelmente, acaba ficando isolada e presa no local. A partir daí, a história se divide em duas frentes: os terranos tentando sobreviver a ataques de milhares de androides e a narrativa de Baar Lun. É por meio deste alienígena que conhecemos a história de seu povo, banido pelos Senhores de Andrômeda e dividido entre o Mundo dos Cantos (Gleam) e o planeta gelado Módulo.

A capa original alemã. 

Gucky é enviado com a missão de resgatar os terranos, mas decide também convencer o Senhor dos Androides a colaborar com Rhodan. Aqui, a narrativa se torna excessivamente providencial: Ewers decide que todo o povo de Lun foi exterminado pelos Senhores da Galáxia sem qualquer explicação lógica. Esse recurso soa como puro deus ex machina, servindo apenas para vilanizar ainda mais os antagonistas e dar a Baar Lun um motivo imediato para mudar de lado.

Nesta fase da série, K.H. Scheer era o responsável por planejar o ciclo e fornecer resumos estruturais para cada volume. O problema é que Ewers parece ter pego esses resumos e simplesmente despejado os fatos no papel, sem preparo ou transição.

Um exemplo gritante é o conhecimento de Gucky: o rato-castor precisa saber que o produtor dos androides age sob coação? Ewers o apresenta já munido dessa informação, sem mostrar o processo de leitura mental ou a investigação necessária. Da mesma forma, se a sinopse previa que um membro da expedição teria alucinações com um cristal, o autor o lança diretamente no delírio, sem explicar a origem do objeto ou como ele levou o personagem a alucinar.

Essa negligência em preparar o leitor para os acontecimentos retira o impacto emocional da obra. O resultado é uma leitura em que nos sentimos perdidos, transformando o que deveria ser uma aventura prazerosa em um amontoado de fatos desconexos.

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