Acredito piamente que a maioria dos livros da série Perry
Rhodan poderia ser cortada em um terço das páginas sem qualquer prejuízo
para a narrativa. Um ótimo exemplo disso é o volume 245 da série, escrito por K.
H. Scheer.
Na história, os dois telepatas Gucky e John Marshall são
atingidos por uma onda de atividade parapsíquica que os coloca em coma. Não se
trata de um ataque, mas de um pedido de socorro desesperado de um ser que está
sendo torturado, o que leva os terranos a buscarem a origem desse sinal. No
final, descobrem que se trata de um planeta de plasma (um organismo vivo e
inteligente) que é atacado em intervalos regulares por exploradores que mineram
partes de sua massa — o que provoca dores horríveis no ser planetário.
Como se vê, é uma boa premissa, com uma ideia inovadora para
a época (meados da década de 1960). Afinal, não só a concepção de uma entidade
biológica em escala planetária era original, como a noção de que a mineração
poderia ser interpretada como dor física trazia uma camada ética interessante à
Ficção Científica Hard da séroe.
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| |Capa orignal alemã. |
No desfecho, Rhodan descobre que esse plasma é o antepassado
biológico dos Pós-Bis (seres robóticos com componentes orgânicos), aliados dos
terranos. Essa revelação conecta este ciclo ao dos Positronas-Biológicos,
demonstrando um bom planejamento de continuidade e construção de universo.
O problema é que, da revelação do pedido de socorro até a
missão efetiva, passam-se dezenas de páginas de enchimento de linguiça e frases
sem sentido, como: “Pertencia à elite jovem da oficialidade terrana, que
se recusava a ver uma coisa indesejável no pensamento individualista dos homens
que ocupavam diversos graus na escala hierárquica”. Parece que Scheer
estava apenas ocupando espaço para cumprir a meta de caracteres da publicação
semanal.
Assim, o que daria um ótimo conto acaba se tornando um livro
maçante.


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