terça-feira, junho 23, 2026

Perry Rhodan: Pedidos de Socorro Vindos do Nada

 


Acredito piamente que a maioria dos livros da série Perry Rhodan poderia ser cortada em um terço das páginas sem qualquer prejuízo para a narrativa. Um ótimo exemplo disso é o volume 245 da série, escrito por K. H. Scheer.

Na história, os dois telepatas Gucky e John Marshall são atingidos por uma onda de atividade parapsíquica que os coloca em coma. Não se trata de um ataque, mas de um pedido de socorro desesperado de um ser que está sendo torturado, o que leva os terranos a buscarem a origem desse sinal. No final, descobrem que se trata de um planeta de plasma (um organismo vivo e inteligente) que é atacado em intervalos regulares por exploradores que mineram partes de sua massa — o que provoca dores horríveis no ser planetário.

Como se vê, é uma boa premissa, com uma ideia inovadora para a época (meados da década de 1960). Afinal, não só a concepção de uma entidade biológica em escala planetária era original, como a noção de que a mineração poderia ser interpretada como dor física trazia uma camada ética interessante à Ficção Científica Hard da séroe.

|Capa orignal alemã. 


No desfecho, Rhodan descobre que esse plasma é o antepassado biológico dos Pós-Bis (seres robóticos com componentes orgânicos), aliados dos terranos. Essa revelação conecta este ciclo ao dos Positronas-Biológicos, demonstrando um bom planejamento de continuidade e construção de universo.

O problema é que, da revelação do pedido de socorro até a missão efetiva, passam-se dezenas de páginas de enchimento de linguiça e frases sem sentido, como: Pertencia à elite jovem da oficialidade terrana, que se recusava a ver uma coisa indesejável no pensamento individualista dos homens que ocupavam diversos graus na escala hierárquica. Parece que Scheer estava apenas ocupando espaço para cumprir a meta de caracteres da publicação semanal.

Assim, o que daria um ótimo conto acaba se tornando um livro maçante.

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