sexta-feira, julho 17, 2026

Batman: Asilo Arkham – Os Subterrâneos da Loucura



O Batman possui muitas histórias do tipo Túnel do Tempo (Elseworlds), nas quais as narrativas se passam em diferentes momentos históricos. Entre elas, Batman: Asilo Arkham – Os Subterrâneos da Loucura destaca-se pela qualidade.

Escrita por Alan Grant e desenhada pelo argentino Enrique Alcatena, a história se passa na virada do século XIX para o século XX. Bruce Wayne é um rico magnata que resolve usar sua fortuna para acabar com o crime. Mas, em vez de sair pela cidade trocando sopapos com bandidos, ele decide usar os conhecimentos da Psicanálise para regenerá-los. Para isso, ele estuda com Sigmund Freud e abre um asilo para criminosos. O Batman existe nesta realidade, mas aqui ele tem o objetivo de capturar os vilões para poder curá-los em sua identidade civil.

Técnica expressionista: a sombra revela a verdadeira identidade de Jonathan Crane. 


A história começa com Ação, com o herói capturando o Duas-Caras, mas logo pula para uma sessão de terapia com o Crocodilo, que apresenta grande evolução. Entretanto, quando Bruce Wayne tenta capturar o Coringa e é infectado com seu gás do riso, o Doutor Jonathan Crane assume o controle e inicia um regime de medo. O detalhe aqui é a sombra do médico, que revela ser ele o Espantalho, em uma imagem que ecoa diretamente o Cinema Expressionista Alemão. Agora, Wayne precisa curar a si mesmo para consertar as coisas no Asilo.

Bruce Wayne tenta curar os vilões usando a psicanálise. 


Além do roteiro inspirado de Alan Grant, o que chama a atenção é o desenho de Alcatena, perfeito para o clima sombrio e antiquado da história. Ele demonstra uma criatividade ímpar ao utilizar molduras narrativas que funcionam como metalinguagem: as bordas das páginas deixam de ser espaços neutros e passam a refletir os sentimentos dos personagens ou aspectos do enredo. Em momentos de confusão mental de Bruce, as molduras tornam-se sinuosas e orgânicas, enquanto em cenas de opressão elas simulam grades, transformando a própria estrutura da página na prisão psicológica do protagonista.

As molduras refletem aspectos da história ou o sentimento dos personagens. 


De negativo, apenas o fato de que a história acaba rápido demais. Havia ali ganchos para muito mais tramas, talvez uma série. O conflito envolvendo o Espantalho, por exemplo, fica inacabado, deixando um gosto de "quero mais" no leitor.

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