terça-feira, julho 07, 2026

Mestre do Kung Fu – Chamas do renascimento

 


No início de sua carreira, o escritor Doug Moench demonstrava uma notável insegurança, muitas vezes preenchendo os quadros com legendas desnecessárias e pouco inspiradas, parecendo não saber o que fazer com o texto. Contudo, com o tempo, ele desenvolveu sua técnica, como evidenciado na história publicada em Giant-Size Master of Kung Fu 3, de março de 1975.

A narrativa se inicia com Shang-Chi diante da vitrine de uma loja de brinquedos, em um momento de reflexão: “Meu pai frequentemente me dizia: ‘Um homem precisa ser cuidadoso ao escolher seus inimigos, pois, uma vez que o faça... ele abandona um amigo’. Essa é a conduta sob a qual ele vive, pois ele é Fu Manchu e sua vida é sua palavra”.

O texto de Moench melhorou muito com o tempo. 


Pouco depois, um indivíduo que se apresenta como agente do serviço secreto inglês revela-se um dos capangas do vilão. Ingenuamente, o herói é aprisionado no banco traseiro de um carro com vidros inquebráveis. Neste ponto, Moench e Paul Gulacy forçam a verossimilhança ao mostrar o mestre das artes marciais escapando pelo teto (que é arrebentado com um soco). No entanto, isso é compensado por uma sequência magistral que mostra o personagem saltando do carro em movimento e aterrissando em segurança, capturada em uma série de seis imagens dentro do mesmo quadro.

Gulacy tinha momentos brilhantes de narrativa visual. 


Essa história também marca a introdução de Clive Reston na série. Apesar do nome, fica evidente que o personagem é uma referência a Sherlock Holmes, com seu cachimbo característico e uma fala sobre um tio-avô que consideraria a situação "elementar". O personagem é filho de um agente secreto de sua majestade que possuía "licença para matar". Em outras palavras: Reston é filho de James Bond e sobrinho-neto de Sherlock Holmes.

Além dessas referências literárias, Moench demonstrou estar disposto a transformar a narrativa em um verdadeiro tour turístico pela Inglaterra. Os personagens visitam o Museu Britânico (onde são atacados por neandertais) e, em seguida, o Palácio de Buckingham. 

O vilão é um homem amarelo que usa o cabelo como arma. 


É nos subsolos do palácio que encontramos a sequência mais interessante: o Mestre do Kung Fu é aprisionado a uma pilastra junto com um "espreitador das sombras", um guerreiro que tem maças medievais presas aos cabelos! Convenhamos, é preciso muita habilidade para manter um penteado assim sem se ferir a cada movimento de cabeça.

Este personagem, inclusive, ilustra um dos problemas mais comuns na representação de chineses nas histórias desse período: ele é simplesmente retratado com a pele na cor amarela!

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