No início de sua carreira, o escritor Doug Moench
demonstrava uma notável insegurança, muitas vezes preenchendo os quadros com legendas
desnecessárias e pouco inspiradas, parecendo não saber o que fazer com o texto.
Contudo, com o tempo, ele desenvolveu sua técnica, como evidenciado na história
publicada em Giant-Size Master of Kung Fu 3, de março de 1975.
A narrativa se inicia com Shang-Chi diante da vitrine de
uma loja de brinquedos, em um momento de reflexão: “Meu pai frequentemente me
dizia: ‘Um homem precisa ser cuidadoso ao escolher seus inimigos, pois, uma vez
que o faça... ele abandona um amigo’. Essa é a conduta sob a qual ele vive,
pois ele é Fu Manchu e sua vida é sua palavra”.
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| O texto de Moench melhorou muito com o tempo. |
Pouco depois, um indivíduo que se apresenta como agente do
serviço secreto inglês revela-se um dos capangas do vilão. Ingenuamente, o
herói é aprisionado no banco traseiro de um carro com vidros inquebráveis.
Neste ponto, Moench e Paul Gulacy forçam a verossimilhança ao mostrar o mestre
das artes marciais escapando pelo teto (que é arrebentado com um soco). No
entanto, isso é compensado por uma sequência magistral que mostra o personagem
saltando do carro em movimento e aterrissando em segurança, capturada em uma
série de seis imagens dentro do mesmo quadro.
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| Gulacy tinha momentos brilhantes de narrativa visual. |
Essa história também marca a introdução de Clive Reston na
série. Apesar do nome, fica evidente que o personagem é uma referência a
Sherlock Holmes, com seu cachimbo característico e uma fala sobre um tio-avô
que consideraria a situação "elementar". O personagem é filho de um
agente secreto de sua majestade que possuía "licença para matar". Em
outras palavras: Reston é filho de James Bond e sobrinho-neto de Sherlock
Holmes.
Além dessas referências literárias, Moench demonstrou estar disposto a transformar a narrativa em um verdadeiro tour turístico pela Inglaterra. Os personagens visitam o Museu Britânico (onde são atacados por neandertais) e, em seguida, o Palácio de Buckingham.
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| O vilão é um homem amarelo que usa o cabelo como arma. |
É nos subsolos do palácio que encontramos a sequência mais interessante: o Mestre do Kung Fu é aprisionado a uma pilastra junto com um "espreitador das sombras", um guerreiro que tem maças medievais presas aos cabelos! Convenhamos, é preciso muita habilidade para manter um penteado assim sem se ferir a cada movimento de cabeça.
Este personagem, inclusive, ilustra um dos problemas mais
comuns na representação de chineses nas histórias desse período: ele é
simplesmente retratado com a pele na cor amarela!




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