Em 1988, Tim Burton era apenas um diretor promissor. Ele tinha feito um filme barato e lucrativo sobre um homem procurando sua bicicleta (As Grandes Aventuras de Pee-wee). Pouco tempo depois, ele se tornaria um imenso sucesso de crítica (com Edward Mãos de Tesoura) e de público (com Batman), mas, antes disso, houve Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice, no original).
O filme gira em torno de um casal recém-falecido que, ao se ver preso na antiga residência, resolve assombrar os novos moradores. Diante do fracasso de suas tentativas iniciais, eles recorrem aos serviços de Beetlejuice. Contudo, tudo foge do controle quando o bioexorcista resolve se casar à força com a filha adolescente dos novos proprietários.
Aqui já encontramos alguns dos temas e situações que seriam tão caros à filmografia de Burton, a começar pela preocupação com a cenografia como elemento narrativo. Isso fica evidente logo na sequência inicial, em que a câmera percorre a cidade até parar na casa dos Maitlands e revelar uma aranha escalando o telhado. É nesse momento que descobrimos tratar-se, na verdade, de uma maquete da cidade construída pelo marido. A cena simula a eclosão do terror em uma pacata cidadezinha norte-americana, mas, quando Adam recolhe cuidadosamente a aranha e a coloca para fora, percebemos que não havia perigo real. Esse é um dos temas prediletos de Tim Burton: mostrar que o bizarro é apenas diferente, e não uma ameaça.
Ainda em termos de ambientação, vale destacar o forte contraste entre a arquitetura interiorana simples e o gosto brega e espalhafatoso dos Deetz, que pretendem remodelar completamente o imóvel comprado. Essa mesma estética pós-moderna e extravagante contrasta ainda mais com os cenários marcadamente expressionistas do plano pós-morte, representado como uma repartição pública burocrática e kafkiana, visitada pelos recém-falecidos na tentativa de resolver suas pendências regulatórias.
Curiosamente, embora fosse uma produção que demandasse muitos efeitos especiais, Tim Burton optou por gastar apenas um milhão de dólares com eles. Essa escolha deliberada conferiu aos efeitos um aspecto propositalmente tosco, que combinou com o clima farsesco da obra e, simultaneamente, homenageou os filmes B de ficção científica e horror amados pelo cineasta.
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| A cena musical é a mais lembrada do filme. |
Não por acaso, uma das cenas mais emblemáticas do cinema pop é aquela em que os Maitlands tentam aterrorizar os novos moradores possuindo-os durante um jantar, fazendo com que a família e seus convidados cantem e dancem ao som da música "Day-O (The Banana Boat Song)", de Harry Belafonte. A sequência sustenta-se totalmente na excelente linguagem corporal e de atuação do elenco, com destaque para Jeffrey Jones e Catherine O'Hara, cujas expressões denunciam o pavor de estarem sendo controlados contra a própria vontade. No roteiro original, os fantasmas apenas arremessavam objetos sobre os presentes, o que evidencia o olhar aguçado de Burton para construir momentos genuinamente memoráveis.
O filme custou 15 milhões de dólares e arrecadou mais de 85 milhões, transformando-se em uma franquia de sucesso que gerou séries animadas, jogos eletrônicos e uma aguardada continuação lançada em 2024.

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