terça-feira, agosto 25, 2026

Perry Rhodan - Avanço no Mundo das Trevas

 


Imagine um mundo em que as plantas possuem consciência e transformam animais em escravos zumbis. É nesse planeta que caíram os Ambulantes Cósmicos, parentes de Kalak, e onde Perry Rhodan desembarca em uma pequena nave com o objetivo de resgatá-los, sem ter ideia do perigo que o aguarda.

Essa é a premissa do número 253 da série Perry Rhodan — um conceito instigante que poderia se tornar um livro realmente empolgante nas mãos de um bom escritor, explorando, por exemplo, o modo de vida dos sobreviventes em um ambiente de perigo constante. O autor do volume, H. G. Ewers, no entanto, parece não saber o que fazer com ela.

Ewers inicia a narrativa com uma interação entre Baar Lun e um astronauta que beira o incompreensível (talvez por problemas de tradução), e o livro segue nesse ritmo. Há longos trechos em que os personagens discutem as propriedades do café ou o tamanho do universo. Parece haver um esforço deliberado do autor para adiar a trama principal; a ação de fato só começa na página 80 de um livro que possui apenas 99 páginas.

A capa original alemã.


Para piorar, somos apresentados a um deus ex machina gritante. Em determinado ponto, os terranos encontram uma nave cujos tripulantes aparentemente cometeram suicídio ao abrir as comportas de ar. Ao analisarem os cadáveres, os cientistas descobrem que as células foram dominadas por organismos vegetais — o que aponta para a solução do problema no volume seguinte. No espaço infinito, qual a probabilidade de a Crest III encontrar, por puro acaso, uma nave que sofreu exatamente o mesmo mal que Perry Rhodan enfrentaria no planeta Bengala? É uma solução extremamente forçada.

Entre conveniências de roteiro e diálogos que nada contribuem para a trama ou para a compreensão do universo, Avanço no Mundo das Trevas torna-se um verdadeiro martírio para o leitor que tenta chegar ao fim.

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