Imagine um mundo em que as plantas possuem consciência e
transformam animais em escravos zumbis. É nesse planeta que caíram os
Ambulantes Cósmicos, parentes de Kalak, e onde Perry Rhodan desembarca em uma
pequena nave com o objetivo de resgatá-los, sem ter ideia do perigo que o
aguarda.
Essa é a premissa do número 253 da série Perry Rhodan
— um conceito instigante que poderia se tornar um livro realmente empolgante
nas mãos de um bom escritor, explorando, por exemplo, o modo de vida dos
sobreviventes em um ambiente de perigo constante. O autor do volume, H. G.
Ewers, no entanto, parece não saber o que fazer com ela.
Ewers inicia a narrativa com uma interação entre Baar Lun e
um astronauta que beira o incompreensível (talvez por problemas de tradução), e
o livro segue nesse ritmo. Há longos trechos em que os personagens discutem as
propriedades do café ou o tamanho do universo. Parece haver um esforço
deliberado do autor para adiar a trama principal; a ação de fato só começa na
página 80 de um livro que possui apenas 99 páginas.
![]() |
| A capa original alemã. |
Para piorar, somos apresentados a um deus ex machina
gritante. Em determinado ponto, os terranos encontram uma nave cujos
tripulantes aparentemente cometeram suicídio ao abrir as comportas de ar. Ao
analisarem os cadáveres, os cientistas descobrem que as células foram dominadas
por organismos vegetais — o que aponta para a solução do problema no volume
seguinte. No espaço infinito, qual a probabilidade de a Crest III
encontrar, por puro acaso, uma nave que sofreu exatamente o mesmo mal que Perry
Rhodan enfrentaria no planeta Bengala? É uma solução extremamente forçada.
Entre conveniências de roteiro e diálogos que nada
contribuem para a trama ou para a compreensão do universo, Avanço no Mundo
das Trevas torna-se um verdadeiro martírio para o leitor que tenta chegar
ao fim.


Sem comentários:
Enviar um comentário