sábado, agosto 15, 2026

Perry Rhodan – O Exército dos Biodegradadores

 


Uma ameaça aparentemente ridícula pode se tornar mortal. Esse princípio curioso e instigante é o mote do volume 251 da série Perry Rhodan. Escrito pelo célebre William Voltz, o livro cativa o leitor logo no início ao "transcrever" um artigo do jornal Terrania sobre a epopeia humana em Andrômeda:

"Tente fazer desfilar estas imagens diante dos olhos de sua mente, a uma distância de 1.450.000 anos-luz. Você é capaz de fazer isso? O que sente? Pavor? Ou veneração? Medo, entusiasmo ou curiosidade? Ou será que seus pensamentos ficam embotados quando você pensa na distância de 1.450.000 vezes 9,463 trilhões de quilômetros? Será que o destino do homem é superar distâncias que mal consegue imaginar?"

Após essa abertura, que transita entre o filosófico e o poético, a narrativa mergulha no humor ao saltar para a nave dos Biodegradadores — um local que está literalmente caindo aos pedaços. O tom cômico surge, principalmente, do contraste entre a precariedade da embarcação (com peças soltas e computadores que ejetam bancos de memória em meio a explosões) e os pensamentos megalomaníacos de seu comandante, Bitzos, que se vê como um legítimo conquistador do universo.

A capa original alemã não tem relação nenhuma com a trama. 


As três naves dos invasores dirigem-se a KA-Barato, o estaleiro espacial onde está pousada a portentosa Crest III. A situação das naves atacantes é tão deplorável que seus ocupantes sequer conseguem controlar o pouso, resultando em um desastroso impacto contra a pista.

Para espanto de Perry Rhodan, os ocupantes se regeneram e empunham armas com a intenção de subjugar a nave terrana. A visão daqueles "anões espaciais" portando armamentos ultrapassados é tão caricata que Rhodan comete o erro fatal de subestimá-los — o que lhe custa sua mais valiosa espaçonave.

O volume encerra com Rhodan, Atlan, Gucky e Kalak (o dono do estaleiro) em uma tentativa desesperada de retomar a nave, o que parece uma tarefa impossível. É uma obra que começa bem, evolui com fluidez e deixa no leitor aquele "gosto de quero mais". Um roteiro que só poderia ter sido assinado pela genialidade de William Voltz.

Sem comentários: