Uma ameaça aparentemente ridícula pode se tornar mortal.
Esse princípio curioso e instigante é o mote do volume 251 da série Perry
Rhodan. Escrito pelo célebre William Voltz, o livro cativa o leitor logo no
início ao "transcrever" um artigo do jornal Terrania sobre a
epopeia humana em Andrômeda:
"Tente fazer desfilar estas imagens diante dos olhos de sua mente, a uma distância de 1.450.000 anos-luz. Você é capaz de fazer isso? O que sente? Pavor? Ou veneração? Medo, entusiasmo ou curiosidade? Ou será que seus pensamentos ficam embotados quando você pensa na distância de 1.450.000 vezes 9,463 trilhões de quilômetros? Será que o destino do homem é superar distâncias que mal consegue imaginar?"
Após essa abertura, que transita entre o filosófico e o
poético, a narrativa mergulha no humor ao saltar para a nave dos
Biodegradadores — um local que está literalmente caindo aos pedaços. O tom
cômico surge, principalmente, do contraste entre a precariedade da embarcação
(com peças soltas e computadores que ejetam bancos de memória em meio a
explosões) e os pensamentos megalomaníacos de seu comandante, Bitzos, que se vê
como um legítimo conquistador do universo.
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| A capa original alemã não tem relação nenhuma com a trama. |
As três naves dos invasores dirigem-se a KA-Barato, o
estaleiro espacial onde está pousada a portentosa Crest III. A situação
das naves atacantes é tão deplorável que seus ocupantes sequer conseguem
controlar o pouso, resultando em um desastroso impacto contra a pista.
Para espanto de Perry Rhodan, os ocupantes se regeneram e
empunham armas com a intenção de subjugar a nave terrana. A visão daqueles
"anões espaciais" portando armamentos ultrapassados é tão caricata
que Rhodan comete o erro fatal de subestimá-los — o que lhe custa sua mais
valiosa espaçonave.
O volume encerra com Rhodan, Atlan, Gucky e Kalak (o dono do
estaleiro) em uma tentativa desesperada de retomar a nave, o que parece uma
tarefa impossível. É uma obra que começa bem, evolui com fluidez e deixa no
leitor aquele "gosto de quero mais". Um roteiro que só poderia ter
sido assinado pela genialidade de William Voltz.


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