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| A capa é muito inferior ao miolo. |
Se existe uma história que representa o ponto de virada na série Mestres do Kung Fu (Master of Kung Fu), essa é a trilogia que se inicia no número 29 do título. Esta HQ não apenas marcou a maturidade artística do roteirista Doug Moench e do desenhista Paul Gulacy, mas também elevou a série a uma grandiosidade cinematográfica.
Na trama, Shang-Chi e o grupo de espiões chefiados por Sir
Denis são enviados a uma ilha para impedir que o vilão Carlton Velcro inunde a
Europa e os EUA com drogas. No decorrer da missão, eles descobrem o verdadeiro
e ambicioso objetivo de Velcro: dominar o mundo, para o qual ele se armou com
um arsenal atômico.
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| O desenho de Gulacy oscilava entre o fotográfico e o lisérgico. |
A fortaleza do vilão é um labirinto de perigos. Entre eles,
destacam-se um fosso repleto de panteras famintas e o assassino chamado Punhos
de Lâmina, cuja característica é ter lâminas afiadas no lugar dos braços.
(Apesar do visual interessante, a observação sobre como Punhos de Lâmina usaria
o banheiro sempre gera curiosidade!).
Paul Gulacy assumiu tanto o lápis quanto a arte-final, o
que resultou em uma arte mais refinada. Seu estilo se destacou pelo uso de
sombras chapadas, retículas e imagens que, apesar de "fotográficas" —
Gulacy notavelmente fazia esboços assistindo a filmes de Bruce Lee —, dialogam
com o lisérgico.
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| Como o Punho de Lâmina fazia no banheiro? |
Doug Moench, que nos primeiros números parecia ter
dificuldade com o uso do texto-legenda, aqui o desenvolve como reflexões
internas do personagem que se encaixam perfeitamente nas sequências desenhadas
por Gulacy.
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| O texto de Moench melhorou muito, adaptando-se ao desenho de Gulacy. |
Um exemplo notável ocorre quando o protagonista enfrenta Punhos de Lâmina ao lado de uma estátua. O texto diz:
“Penso na estátua… que nada sente… ao me observar… na força fria do seu silêncio. Minha única defesa… a estátua não profere comentários. Palavras durante a batalha são como veneno em um copo de água. Como a estátua, permaneço em silêncio… enquanto o braço do meu oponente avança em minha direção”.
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| O vilão falava de forma diferenciada. |
Moench também aprimora os diálogos, diferenciando a voz de cada personagem. O vilão, Velcro, por exemplo, fala de maneira rebuscada:
“Jamais grito enquanto estou concentrado, senhor Reston… e a chegada de seu compatriota, Black Jack Tarr, creio que seja seu nome… um nome curioso, no máximo… certamente inspira uma contemplação interna”.
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| A vilã Pavane usava um chicote. |
Moench e Gulacy estruturam a narrativa como um grande filme
de espionagem, em que cada capítulo funciona como um ato. O terceiro ato,
publicado no número 31 da revista, inicia em uma splash page construída
como um cartaz de cinema, destacando Shang-Chi, Reston e Black Jack, com uma
cena de batalha abaixo e a vilã Pavane, com sua roupa sensual e chicote, no
canto superior esquerdo.
A história, repleta de ação e unindo artes marciais e
espionagem, demonstrava potencial para ser facilmente transformada em um filme
de sucesso.
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| Splash page imita o estilo dos cartazes de filmes. |
Depois dessa trilogia, seria difícil para o Mestre do Kung
Fu voltar aos tempos em que as histórias se limitavam a Shang-Chi sendo atacado
por garçons em restaurantes.
Uma curiosidade é que a evolução do traço de Gulacy gerou
uma contradição: o miolo das revistas
era sempre muito melhor que as capas, feitas por outros artistas.







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