A revista Justice League of America, escrita por Gardner Fox e desenhada por Mike Sekowsky, reunia o que a DC Comics tinha de melhor e de pior durante a Era de Prata. É o que vemos em Justice League of America 5.
Para começar, vale destacar a imensa criatividade de Gardner
Fox, que rotineiramente construía seus roteiros a partir do suspense, propondo
um mistério central a ser resolvido. É o que acontece no início desta história,
quando o Arqueiro Verde é acusado de ser um traidor em um caso que envolve os
principais vilões de cada herói da Liga. Aparentemente, o herói esmeralda havia
provocado explosões que permitiram a fuga dos malfeitores, de modo que é
montado uma espécie de tribunal marcial no qual o Batman e o Superman servem
como juízes. A partir daí, cada membro relata a sua versão dos fatos — e, no
desfecho, temos o depoimento do próprio Arqueiro.
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| O Arqueiro é acusado de traição. |
O responsável por arquitetar a união dos vilões era um
sujeito chamado Monty Moran, um mestre das fugas cujas habilidades devem ter
desafiado a imaginação de Gardner Fox. Ele decide escapar utilizando um pequeno
balão de hélio equipado com uma gôndola minúscula criada a partir de uma caixa de fósforos, algo que é visto pelos
policiais como um mero brinquedo de criança. Mas como vários homens adultos
conseguiriam caber em um brinquedo daquele tamanho?
“Como prisioneiro de boa conduta, Moran tinha acesso ao
laboratório da prisão, onde, usando sucata e miudezas, ele inventou um raio
encolhedor”, explica o texto analítico da edição.
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| Os vilões fogem num balão de brinquedo. |
Essa mistura peculiar de criatividade lúdica, fantasia
científica e verossimilhança levada ao seu extremo mais absurdo era o puro suco
da DC dos anos 1960, residindo aí boa parte da magia da editora.
O problema real da edição estava nos clichês e nos padrões
redundantes que, repetidos exaustivamente a cada mês, tornavam a publicação um
tanto tediosa. Temos aqui, por exemplo, a clássica divisão da Liga da Justiça
em pequenos subgrupos, como se naquela época fosse narrativamente impossível
conceber o grupo inteiro contrapondo uma ameaça de forma unificada.
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| Os vilões criam armadilhas inventivas. uma forma de criar conflito sem cenas de violência. |
O outro grande chavão eram as armadilhas mirabolantes,
provavelmente um resquício direto das diretrizes do Comics Code Authority
— o órgão de censura dos quadrinhos norte-americanos — e de sua severa
imposição para se evitar cenas de violência explícita. Assim, em vez de
atacarem os heróis diretamente, os vilões criavam engenhos complexos de
captura; e, em vez de agredirem fisicamente os vilões, os heróis gastavam
páginas escapando dessas armadilhas. Vale lembrar que, nesse mesmo período, a
Marvel de Stan Lee e Jack Kirby já publicava histórias revolucionárias nas
quais os heróis trocavam sopapos logo no primeiro encontro.
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| Gardner Fox cria uma nova trama e esquece a anterior. |
Quando finalmente o mistério é revelado e descobre-se que o
Arqueiro Verde queria, na verdade, salvar a Liga da Justiça, surge uma nova
ameaça — e aqui deparamo-nos com outro problema estrutural da história. O novo
perigo é introduzido por um vilão chamado Doutor Destino (Doctor Destiny –
não confundir com o personagem da Marvel), que se disfarça de Lanterna
Verde (não dá para compreender exatamente o motivo, já que a troca de
identidade não faz diferença real na trama) e imobiliza o grupo de heróis com
um "raio gravitron" que, simultaneamente, roubava a força de vontade
das pessoas atingidas. Ao iniciar esse novo arco de perigo, Gardner Fox
simplesmente esquece a trama anterior dos vilões fugitivos, deixando o enredo
inicial como uma incômoda ponta solta na história.





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