quinta-feira, outubro 01, 2026

Supremo: O Melhor de Todos os Mundos

 


Uma das revistas mais emblemáticas da DC Comics na década de 1960 era a World's Finest, que apresentava histórias de parceria entre Batman e Superman, os pilares da editora. Alan Moore homenageou essa publicação no número 47 de Supremo, utilizando um título que não apenas alude à revista da DC, mas também à filosofia de Leibniz, segundo o qual nós vivemos no melhor dos mundos (uma referência direta ao otimismo dos quadrinhos DC na Era de Prata).

Na trama principal, que serve como moldura, Ethan Crane visita a mansão do Professor Meia-Noite (a versão de Moore para o Batman) e o encontra em estado de coma induzido. Parece que as almas do herói e de sua parceira, Sombria, foram extraídas de seus corpos. Esse mistério cria o gancho para a história nostálgica, que une os personagens em um estilo que emula perfeitamente as narrativas de World's Finest.

O plano dos vilões é inverter os poderes dos heróis. 


Fiel à estética da época, a história interna começa com um quadro grande (splash page) apresentando uma situação inusitada e oferecendo um spoiler do conflito central. Os vilões Darius Dax (Lex Luthor) e Jack Almofadinha (Coringa) unem forças para derrotar os heróis usando uma arma capaz de trocar seus poderes.

Enquanto Darius Dax é retratado como o cientista de ideias extravagantes e máquinas pouco funcionais, Jack Almofadinha é a grande atração. Um verdadeiro dândi, ele usa monóculo e destila frases como: “Caríssimo, meu pior inimigo é o tédio. Como sugere que eu me livre dele?”.

Os vilões são muito bem caracterizados, com destaque para Jack Almofadinha. 


Os vilões atraem seus desafetos para uma armadilha e os atingem com um canhão de raios. A reação do Professor Meia-Noite sublinha a ingenuidade típica daquelas tramas: “Você está bem, Supremo? Achei que aquele raio fosse nos desintegrar, mas, em vez disso, eu me sinto diferente...”. Moore reproduz aqui as limitações impostas pelo Comics Code Authority, que proibia a violência explícita, obrigando os roteiristas a criarem métodos inventivos — e muitas vezes absurdos — para gerar conflito. Assim, em vez de ferirem os heróis, os vilões apenas trocam suas habilidades.

Ao final, uma estratégia astuta dos heróis faz com que os vilões acabem ludibriados pelo próprio engodo.

O comics code não permitia violência nas histórias, então era necessário ser criativo para introduzir conflito nas tramas. 


A história funciona como uma crítica de Moore aos quadrinhos infantilizados da DC na década de 1950, mas revela também seu fascínio por essa era. Enquanto isso, na história moldura, Supremo descobre que o Professor e Sombria tiveram suas essências roubadas por um antigo vilão, Huver Danik, o Escravizador de Almas, e começa a reunir o grupo para uma missão de resgate.

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