domingo, novembro 18, 2007


HISTÓRIA DOS QUADRINHOS 12
O Tico-tico


O Tico-tico foi a primeira revista em quadrinhos do Brasil. Conta a lenda, impressa na capa do primeiro número, que um grupo de pirralhos foi até a revista O Malho exigir que fosse criada uma publicação específica para eles.

Na verdade, o dono de O Malho, estava de olho nesse novo e crescente mercado representado pelas crianças. Um mercado, aliás, que durante anos não teria qualquer concorrência.

O primeiro número saiu em 11 de outubro de 1905 e seguia o modelo da revista francesa La Semaine de Suzette. Tinha quatro páginas coloridas. As outras usavam uma combinação de branco com vermelho, verde ou azul.
Custava 200 reis, preço que manteve até 1920.

Embora a inspiração fosse francesa, o personagem principal, Chiquinho, era um decalque de Buster Brown, do norte-americano Richard Outcault, publicado no jornal The New York Herald. O personagem era um garoto travesso que fazia as maiores traquinagens e acabava muitas vezes apanhando. Seu inseparável companheiro era o cão Tige. No Brasil, o desenhista Luís Gomes Loureiro adaptou o personagem, renomeando-o de Chiquinho. O cão virou Jagunço, e logo a série ganhou um coadjuvante, o negrinho Benjamin, retratado com a visão que se tinha do negro na época: descalço, lábios grossos, roupas simples e subserviente. Embora fosse um decalque, a adaptação ficou tão boa que durante muito tempo acreditou-se que Chiquinho era um típico personagem brasileiro.

A descoberta da origem do personagem se deu na década de 1950, quando um grupo de desenhistas novatos comparou Chiquinho com Buster Brown. Entretanto, Chiquinho tem sido reabilitado por ter conseguido se adaptar à realidade brasileira. Além disso, os decalques pareciam ser moda na época. Na Holanda, o garoto virou Sjors, do clube dos rebeldes, uma série reverenciada até hoje e de grande influência nos quadrinhos locais.

Alguns dos mais importantes artistas gráficos do Brasil colaboraram com O Tico-Tico. Entre eles, J. Carlos, um cartunista que conseguiu criar um traço único, tão diferente e simples que seus trabalhos constam no Museu das Caricaturas, na Basiléia. Segundo estudiosos, um desenho seu de um papagaio serviu de inspiração para que Walt Disney criasse o Zé Carioca. Na revista O Tico-tico ele ficou famoso pela personagem Lamparina, uma negrinha do morro que vivia pregando peças nos adultos.

Outro que se destacou foi Luiz Sá. Com seus personagens redondos, ele foi o pioneiro da arte da animação no Brasil, tendo feito um desenho em sequência com mais de cem metros, que nunca foi exibido por falta de patrocínio. Para a publicação, ele criou Reco-reco, Bolão e Azeitona, um trio de garotos que apareceram de 1931 até o fechamento da revista na década de 1960.

Finalmente, Max Yanton foi outra estrela da revista. Ele era especializado em tipos pitorescos, vagabundos e sem família. Sua criação mais famosa foi Kaximbown, de 1908, um aventureiro que nunca pagou seu empregado Pipoca e vivia se dando mal a cada episódio. O personagem ficou tão famoso que Rui Barbosa só chamava o desenhista de Kaxibown.

sábado, novembro 17, 2007

Um abraço pode ser viral? Veja a resposta nesse ótimo vídeo.
Para quem não sabe, o Bar da Boa, da Antartica, começou com um viral. Os publicitários fizeram uma festa de lançamento e, além da grande imprensa, convidaram blogueiros, que entravam com o compromisso de fazerem ao menos uma postagem sobre o evento. Confira os detalhes aqui.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Olha que legal essa ação de guerrilha do Hopi Hari. Não tem como a pessoa não prestar atenção.

quinta-feira, novembro 15, 2007


Ainda agora uma carro passou disparado na frente da minha casa. como tem uma vala atravessando a rua e a velocidade era muito alta, o carro bateu e quase capotou. detalhe: minha rua não é preferencial, então ele iria bater qualquer carro que viesse na preferencial. Sexta-feira passada, a irmã do senador Gilva Borges morreu num acidente assim. Alguém avançou o sinal fechado e bateu no carro dela. Dia desses eu conversava com um ex-aluno que faz fisioterapia comigo. Um carro avançou a preferencial e bateu no carro dele. A coluna dele quebrou ao meio. Os ocupantes do outro carro não tiveram um único ferimento e estão dirigindo até hoje. Detalhe: eles estavam bêbados e, provavelmente, participando de um racha. Há uns dois anos, eu vi uma tentativa de assassinato: um caminhão perseguiu um carro e o arrastou por uma quadra inteira. Todos se lembram do caso do filho do Zé Miguel. O rapaz foi atropelado por um carro a uma velocidade tão grande que o corpo chegou a ser desmembrado.
Em todos esses casos, algo em comum: quem provocou o acidente está impune. Na maioria das vezes não perde nem mesmo a carteira de motorista e pode continuar matando à vontade.
Quando são julgados, o são como homícidio culposo (sem intenção de matar), e não como homício doloso. Ora, uma pessoa que participa de um racha ou que sai para dirigir bêbado, a alta velocidade pode não ter a intenção de matar, mas está assumindo um risco e, portanto, a responsabilidade.
Vai aqui um apelo aos nossos representantes (em especial ao senador Gilvan Borges, que está sofrendo com o problema): lutem para leis mais severas para quem comete crimes no trânsito.
Felizmente, a justiça está fazendo a sua parte. Recentemente o Supremo Tribunal de Justiça mandou a juri popular o acusado de um crime de trânsito.

Compre livros no Submarino e ajude este blog.

Um dos melhores clipes do rock nacional: Raul Seixas cantando Gita.

quarta-feira, novembro 14, 2007


O site Melhores do Mundo fez uma relação das melhores (ou seriam piores?) músicas infantis da década de 1980. Algém aí lembra da Xuxa cantando She ra? Como diz o Zeca Baleiro, meu presente agora é cool, meu passado é que foi trash.

terça-feira, novembro 13, 2007

Música de hoje


"Um Messias Indeciso"

Raul Seixas


Certa vez houve um homem Comum,
como um homem qualquer
Jogou pelada descalço
Cresceu e formou-se em ter fé

Mas nele havia algo estranho
Lembrava ter vivido outra vez
Em outros mundos distantes
e assim acreditando se fez

E acreditanto em si mesmo
Tornou-se o mais sábio entre os seus
E o povo pedindo milagres
Chamava esse homem de Deus

E enquanto ele trabalhava
Na sua tarefa escolhida
A multidão se aglomerava
Perguntando o segredo da vida

E ele falou simplesmente
Destino é a gente que faz
Quem faz o destino é a gente
Na mente de quem for capaz

E vendo o povo confuso
Que terrível, cada vez mais lhe seguia
Fugiu pra floresta sozinho
Pra Deus perguntar pra onde ia

Ahh quantas ilusões
Nas luzes do arredor
Quantos segredos terá

Mas foi sua própria voz que falou
Seja feita a sua vontade
Siga o seu próprio caminho
Pra ser feliz de verdade


E aquela voz foi ouvida
Por sobre morros e vales
Ante ao messias de fato
Que jamais quis ser adorado

A verdade está lá fora


Pilotos militares e civis, que afirmam ter visto objetos voadores não identificados (OVNIs), e cientistas reunidos em Washington fizeram um apelo nesta segunda-feira para que as pesquisas sobre o fenômeno, abandonadas há cerca de 40 anos, sejam oficialmente retomadas. Leia mais

segunda-feira, novembro 12, 2007

Batman guerrilheiro


A agência Saatchi & Saatchi da Nova Zelândia espalhou "batsinais" pelas ruas de Auckland, para promover a estréia do filme "Batman Begins" no canal TV2. Eles pregaram adesivos com o símbolo do morcego em lâmpadas já existentes no calçamento do centro da cidade, criando um efeito parecido com batsinal dos quadrinhos. Mais uma iniciativa interessante de marketing de guerilha.

Garoto-Aranha brasileiro ganha destaque internacional


Por Marcus Ramone (12/11/07) Uma casa em chamas, um bebê em apuros e um heróico resgate realizado pelo Homem-Aranha. O que parece ser a descrição de uma cena já vista em qualquer gibi do personagem da Marvel, é uma história real que aconteceu na semana passada no Brasil, mais precisamente na cidade de Palmeira, em Santa Catarina. Na verdade, o "Homem-Aranha" em questão é Riquelme dos Santos, um garoto de apenas 5 anos de idade, que brincava na rua, fantasiado como seu ídolo dos gibis, quando avistou o fogo no quarto da pequena Andrieli, de quase dois anos. Leia mais

HISTÓRIA DOS QUADRINHOS 11
O Fantasma



Lee Falk foi o primeiro rotei­rista importante dos quadri­nhos. Antes dele já existiam outros como Dan Moore e Das­hiel Hammett que, no entanto, não assinavam seus trabalhos. Já Lee Falk era um pai coruja: Fa­zia questão não só de assinar suas criações, como exigia controle to­tal sobre elas. Uma das poucas vezes em que ele perdeu esse controle foi quando o Fantasma passou a ser publicado no Brasil com a cor vermelha substituindo o azul ori­ginal — isso aconteceu porque a história chegou ao Brasil sem re­ferência de cor e o vermelho pos­sibilitava uma melhor reprodução para as obsoletas máquinas tupiniquins
O primeiro personagem de Lee FaIk foi o mágico Mandrake, em 1934. Desenhado por Phil Da­vis, Mandrake era um mágico ra­cional, inspirado fisicamente no próprio Falk. O personagem, sempre envolvido em aventuras detetivescas, conquistou o público e é publicado até hoje. O grande sucesso de Falk, entretan­to, seria o personagem Fantas­ma, criado em 1936 e desenhado por Ray Moore.
O que diferencia o Fantasma de outros personagens é o seu ca­ráter de mito. Sua história pare­ce uma daquelas remotas lendas passadas de pai para filho: no ano de 1525 o único sobrevivente de um ataque pirata faz um jruamento: "Juro que dedicarei toda minha vida à tarefa de destruir a pirataria, a ganância, a crueldade e a injustiça. E meus filhos e os filhos de meus filhos me perpetuarão". Ele passa a usar, então, uma máscara e roupa colante e a perseguir malfeitores. Como o jura­mento valia também para seus descendentes, o povo da selva começou a pensar que o herói era imortal. Esse aspecto da tira deu um significado maior à história, tornando-a mitológica por excelência.
“O espírito que anda” teve o mérito de ser o primeiro herói de quadrinhos a usar máscara e ma­lha colada ao corpo. Nesse senti­do, todos os super-heróis devem a ele o seu visual. Na primeira his­tória o personagem usava tam­bém uma luva, que abandonou devido à inconveniên­cia de ter de tirá-la toda vez que quisesse deixar a marca do Fantasma em um malfeitor.
O primeiro desenhista a ilus­trar o personagem foi Ray Moo­re. Seu traço sombrio ajudou a criar o clima de mistério que en­volve até hoje o herói mascarado.
Fantasma de Ray Moore era atlético e sensual, com um forte toque “noir” realçado pelo som­breado pesado. Nenhum outro ar­tista conseguiu manter o nível de Moore, que desenhou o persona­gem de 1936 a 1942.
A partir de 1942, seu assisten­te Wilson McCoy pegou o perso­nagem. A princípio, McCoy seguiu a linha de Moore, tentando manter o nível de qualidade, mas com o tempo começou a ca­ricaturar os personagens dando a impressão de que as tiras eram feitas às pressas. Com a morte de McCoy, em 61, o Fantasma pas­sou a ser desenhado por Sy Barry, de traço bastante impessoal. Is­so deve ter ajudado para que ele tivesse uma multidão de assisten­tes - que muitas vezes faziam tu­do na história, tendo Sy Barry só o trabalho de assinar, quando muito.
Em 1977 o Fantasma se casou. A história, embora seja assinada por Sy Barry, foi desenhada pelo brasileiro André LeBlanc, que no Brasil foi um dos principais ilustradores dos livros de Monteiro Lobato, mas foi para os EUA, onde se tornou assistente de Will Eisner no Spirit antes de se juntar à equipe que ilustrava o Espírito que anda.
Lee Falk sabia que os detalhes fariam com que seu personagem ganhasse um aspecto de mito e não economizou neles, a começar pelos apelidos que o povo da floresta dão ao personagem, tais O Espírito-que-anda, o Homem que nunca morre, o Guardião das Trevas Orientais e outros. Os ditados referentes ao personagem também ficaram famoso: “O Fantasma é violento com os violentos”, “Dá medo ver o Fantasma enfurecido”, “O Fantasma atira mais rápido que o olhar”. Os símbolos também ajudam a compor a aura do personagem, como a caverna da caveira (local de sua moradia) e os anéis. O anel da caveira, usado na mão direita, marca os malfeitores, enquanto na mão esquerda fica um anel com a marca de proteção. Aqueles que têm essa marca serão sempre protegidos pelo personagem. Outros destaques são os companheiros animais do personagem, o lobo Capeto e cavalo branco Herói.
No Brasil o personagem fez muito sucesso nas década de 1940 e 1950, contribuindo para que seu editor, Roberto Marinho, ficasse rico o suficiente para montar uma emissora de TV, a Rede Globo. Atualmente, no Brasil, ele tem um público pequeno, mas fiel. Entretanto, em outros países, como a Austrália e a Escandinávia, ainda é o herói de quadrinhos de maior sucesso. Recentemente a revista do personagem alcançou o número 1.500, um recorde mundial.


Fomos assistir Stardust, o mistério da estrela. Na verdade, eu não esperava muito. Fui porque é baseado em uma obra de Neil Gaiman. Mas, surpreendentemente, todo mundo gostou, inclusive as crianças. É o tipo de filme que só precisa de uma chance. Você começa a assistir e embarca na história. Neil Gaiman gostaria que fosse dirigido por Terry Gilliam, que não aceitou por estar cansado do gênero fantástico, depois de Os irmãos Grim. Na verdade, Stardust parece mais crível que Irmãos Grim. O destaque são para cenas de suspense que realmente deixam o expectador sem respirar. Robert De Niro está ótimo como um pirata dos céus e Michelle Pfeiffer , surpreendentemente, convence como uma bruxa que quer matar a estrela para pegar seu coração e voltar a ser jovem. Só achei estranha a escolha de Claire Danes para o papel de estrela. Alguém aí já viu um filme em que a bruxa é mais bonita que a heroina?

sábado, novembro 10, 2007

Propostas dicordantes no jornalismo

Na história do jornalismo percebemos que nem todos leram pela cartilha da objetividade e da pirâmide invertida.Alguns movimentos e publicações discordavam abertamente do atual modelo de reportagens e apresentavam propostas de mudanças.Uns se contentaram em mudar a pauta, realizando publicações sobre assuntos pouco enfocados pela imprensa estabelecida. É o caso da imprensa alternativa.
Outros propuseram uma mudança radical até mesmo no jeito de fazer jornalismo. Eu as chamei de “propostas discordantes”. Tais propostas colocaram em xeque nossa idéia de imprensa e nos fizeram perguntar o que realmente caracteriza o jornalismo.

New journalism

A proposta de aproximar o jornalismo da literatura não é nova. Muitos escritores transformaram reportagens em obras literárias. Exemplo disso é o livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, um verdadeiro marco tanto da imprensa quanto da literatura brasileira.Mas o grande mentor dessa relação foi o norte-americano Truman Capote. Ele acreditava que a reportagem poderia ser uma arte tão requintada quanto qualquer outra forma de prosa, tais como o ensaio, o conto e a novela.
Para provar sua tese, ele procurou o tipo mais baixo de matéria jornalística: a entrevista com astros.
Os brasileiros sabem o quanto é descartável esse jornalismo praticado por revistas como Contigo, Caras e Quem.
Capote queria transformar esse tipo de matéria em uma arte autêntica, provando que o jornalismo poderia ser um gênero literário.
Para isso ele procurou o ator Marlon Brando, então no auge da fama. Capote passou uma noite com Brando em um apartamento em Kioto, no Japão, onde o astro estava filmando Sayonara, de Joshua Logan.
Os dois conversaram a noite inteira, sem que Capote gravasse ou fizesse anotações. Ele acreditava que esses recursos criam um clima artificial e destrói a naturalidade por parte do entrevistado.O resultado foi publicado na revista New Yorker em 1956 com o título de “O Duque em seus domínios”.
Estava criado o New Journalism.

O texto mostrava o ator de maneira até então inédita e antecipava até mesmo a gordura de Brando (que chegou a pesar, nos anos seguintes, 120 quilos). O ator admitiu, entre outras coisas, que se sentia ofuscado pelo sucesso: “Um excesso de êxito pode arruinar um homem tão irremediavelmente quanto um excesso de fracasso”.
Brando aceitou seu perfil como fidedigno, mas disse que se sentiu traído: “Aquele pequeno canalha passou a metade da noite me contando seus problemas. Achei que o mínimo que poderia fazer era contar-lhe os meus”.
Em 1959, ao saber que quatro membros de uma família de fazendeiros haviam sido assassinados brutalmente (eles foram amarrados, amordaçados e receberam tiros na cabeça), Capote rumou para a cidade em que havia acontecido o crime, Garden City, decidido a chegar ao ápice de seu projeto de narrar a realidade como ficção.
Passou cinco anos pesquisando. Entrevistou, perguntou, levantou os menores pormenores do caso, tornou-se amigo dos policiais e até dos criminosos, dois assaltantes de nome Perry Smith e Dick Hickock.
Antes de publicar o relato, ele passou o texto para checadora da revista, Sandy Campbell, que verificou todas as informações. A história foi publicada em capítulos no New Yorker e depois reunida no livro A Sangue Frio, um marco do Novo Jornalismo.A idéia dessa proposta discordante era dar ao leitor algo mais do que os fatos: a vida subjetiva e emocional dos personagens. Isso fazia com que os autores incluíssem no texto até mesmo o pensamento dos personagens.
Outra técnica do new journalism era a composição: fundir a história de várias pessoas e apresentá-las em uma personagem só, fictício. Além disso, essa corrente defendia o jornalismo investigativo: as histórias deveriam ser exaustivamente pesquisadas e checadas nos mínimos detalhes.
No Brasil o auge do Novo Jornalismo foi a revista Realidade, da editora Abril, que dourou de meados da década de 60 a meados da década 70 e só acabou por causa da censura.
Embora raramente, alguns exemplos dessa proposta discordante pode ser encontra na revista Caros Amigos.

Jornalismo gonzo

O nome mais importante do gonzo jornalismo é o norte-americano Hunter S. Thompson.Na década de 70 ele foi mandado pela revista Rolling Stone para cobrir uma corrida de motos. Gastou todo o dinheiro que haviam lhe dado com drogas, carros, fez contas em hotéis e saiu sem pagar, arranjou problemas com a polícia e, para piorar, só chegou na corrida de motos quando esta já havia acabado. Ao invés de ser demitido, virou celebridade e acabou criando uma nova forma de fazer jornalismo: o gonzo. O batismo foi feito pelo repórter Bill Cardoso. Ao ver os textos de Hunter, ele comentou: “Não sei o que está fazendo, mas você mudou tudo. Isso está totalmente gonzo”.
Hunter continuou produzindo reportagens, sempre sob o lema: “Quando as coisas ficam bizarras, os bizarros viram profissionais”.O gonzo, por suas próprias características, não é uma fórmula que possa ser aplicada a um texto. É muito mais uma atitude diante do mundo e do jornalismo.É possível, no entanto, perceber algumas características no gonzo jornalismo.

A primeira delas é um ataque radical à teoria da objetividade jornalística.Para os adeptos do gonzo, o discurso da objetividade quer criar confiança, convencer o leitor de que é isenta, livre de desejos, ideologias, medos e interesses de quem escreve.


Ou seja, a objetividade é um discurso de mascaramento da ideologia que permeia o jornalismo. Não interessa ao gonzo se essa ideologia é neo-liberal ou marxista. O importante é o princípio da objetividade serve para esconder o fato de que nenhuma linguagem é neutra.
O gonzo tira essa máscara e daí surge sua primeira característica formal: os textos são sempre escritos em primeira pessoa. O objetivo não é apenas narrar fatos, mas relatar a experiência de um determinado indivíduo com eles.
O fato de haver um mediador entre a experiência e o leitor é destacada, e não escondida.
O gonzo também quer ir contra a imagem que os jornalistas fazem de si mesmos, de sérios e respeitáveis (exemplo disso é o âncora da Record, Boris Casoy).Tal imagem contribui para transformar o jornalismo em “discurso autorizado”. O jornal é a expressão da verdade, e não de “uma verdade”.
Em contraste, os gonzo-jornalistas não pretendem ser nem sérios nem respeitáveis.A carta de princípios da irmandade Rauol Duke (pseudônimo utilizado por Hunter para evitar problemas com a polícia) nos diz que o repórter “deve se envolver na história e alterar ao máximo os acontecimentos dentro da media do Impossível, de forma a transformá-la não em um mero RELATO do evento, mas sim em uma história ENGRAÇADA e CÁUSTICA”.
Entretanto, a ficção pura e simples não serve ao gonzo. Ainda segundo a mesma carta, “o conteúdo dos textos deve ser JORNALÍSTICO, ou seja: um fato precisa estar acontecendo necessariamente”.
Para fazer jornalismo gonzo não é necessário procurar fatos bizarros. Aliás, o ideal é abordar fatos normais, banais, sob ponto de vista bizarro e pessoal.Exemplos de jornalismo gonzo estão se tornando cada vez mais freqüentes na imprensa brasileira. Arthur Veríssimo, da revista Trip, foi o primeiro a celebrizar esse estilo no Brasil. Em uma de suas matérias mais antológicas, ele passou um dia como animador de festas infantis.
A revista Zero, recentemente lançada pelas editora Pool e Lester, também traz características gonzo.O número de estréia trouxe uma matéria sobre as deusas-vivas do Nepal. O título e subtítulo deixam claro o distanciamento que a procura manter do jornalismo convencional: “É DURO SER DEUSA – No Nepal, o dom divino já nasce com data de expiração. Luiz Cesar Pimentel passou uma tarde na casa de uma ex-deusa viva e mostra a realidade casca-grossa das divindades locais”.
O texto é em primeira pessoa e não esconde o ponto de vista do repórter:Por mais que eu tenha me esforçado no parágrafo anterior para dar a real dimensão da discrepância de uma deusa dormir em um sofá-cama e possuir um vira-lata (que parece uma mistura de poodle com nada) como campainha, a cena para quem passa um período no país não é tão assombroso assim. No Nepal, todas as situações têm uma forte tendência ou a não funcionar ou a funcionar de um jeito totalmente estapafúrdio. E, como você deve imaginar, dá tudo certo no final. Ou quase.
Até mesmo a grande imprensa tem se rendido à bizarrice do jornalismo gonzo, embora de maneira mais comportada.É na, até pouco tempo sisuda, revista Superinteressante que encontramos um exemplo típico de jornalismo gonzo.Na matéria “Puro Rock’n’roll”, publicada na Superinteressante, número 8, ano 15 de agosto de 2001, o repórter Dagomir Marquezi se disfarçou de saxofonista do grupo Jota Quest e participou de show em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo. Como uma típica matéria gonzo, o jornalista também é personagem e o texto é em primeira pessoa:Não bastava tocar: um trio de metais que se preze também dança. Lembrava-me dos muitos shows de James Brown que assistira. “Um passo para a direita, junta os pés. Um passo para a esquerda, junta os pés”. Eu operava a coreografia e meus colegas de metais não se agüentavam de vontade de rir da minha picaretagem artística. O baixista PJ e o tecladista Márcio Buzelin, entre risadas disfarçadas, também faziam sinais de que estava me saindo bem.

Para ir além

CLARENC,Claudio A.. . Truman Capote: A sangre fría. Disponível em: http://orbita.starmedia.com/~claudio157/Capote.htm
Truman Capote. In: Instituto Gutemberg. Disponível em: http://www.igutenberg.org/newjorna.html

Bizarrice profissional: Ainda não entendeu o que é jornalismo gonzo? Disponível em: http://www.eduf.com.br/gonzo.php?Tid=92

Desaforismos gonzológicos: Perguntas que você não teve a bobagem de fazer. Disponível em: http://www.eduf.com.br/gonzo.php?Tid=37.
Ensaios de gonzologia: A ilusão de escrever em primeira pessoa. Disponível em: http://www.eduf.com.br/gonzo.php?Tid=36Gonzologia: Gonzo pode dar mais ao mundo do que somente jornalismo? Disponível em: http://www.eduf.com.br/gonzo.php?Tid=35

sexta-feira, novembro 09, 2007

Karl Popper


Para Karl Popper, a ciência é caracterizada pelo falseamento. Ou seja, uma teoria só é científica se for possível provar que ela está errada.
Assim, seria não-científico afirmar que vai chover amanhã. É certo que amanhã vai chover em algum lugar do planeta, em algum horário.
É científico dizer que vai chover amanhã às 17 horas em Macapá, pois essa afirmação é passível de falseamento.
A ciência não aceita formulações vagas, que não podem ser falseadas, características dos videntes e cartomantes: “Você vai viver um grande amor”; “Um grande reino vai cair”. É impossível provar que essas afirmações são falsas. Em algum momento a pessoa vai viver um grande amor e em uma guerra, inevitavelmente um reino irá ser derrotado.
Para Popper, O cientista não deveria procurar fatos que comprovassem sua tese, mas fatos que o falseassem, que provassem que ela é falsa.
Imaginemos que estejamos estudando as galinhas. Pesquiso uma e descubro que ela bota ovos. Encontro outra galinha e observo o mesmo comportamento. Por indução, chego à conclusão de que todas as galinhas botam ovos. Para Popper isso não é científico, pois se eu encontrar uma única galinha que não bote ovos, minha tese cai por terra.
Para Popper, a indução é falha e a única maneira de sermos científicos é usarmos a dedução.
Assim, eu crio uma lei geral: todas as galinhas botam ovos. Então pego uma galinha ao acaso e verifico se ela bota ovos. Se isso ocorrer, a tese está correta, por ora. Se um dia aparecer uma galinha que não bote ovos, a tese será falseada.
Popper nos ensinou que as verdades científicas são provisórias. São apenas hipóteses esperando pelo falseamento.

Meu filho me perguntou porque no século XX houve mais descobertas e invenções do que em toda a história da humanidade. Realmente, essa é uma pergunta interessante. Antes o avanço da tecnologia e da ciência se dava em ritmo aritmético (1,2,3,4...). No século XX esse avanço se deu em ritmo geométrico (1,2,4,8...). Se eu pudesse creditar isso a uma única invenção, que teria alavancado todas as outras, essa seria a metodologia científica. Foi a metodologia científica que permitiu tantas descobertas e tantas invenções. Até mesmo a administração só avançou quando incorporou elementos de metodologia científica. É a chamada ¨administração científica¨, de Taylor, Fayol e Ford. O método hipotético-dedutivo, de Popper, teve um papel fundamental nesse avanço.

quinta-feira, novembro 08, 2007


O amigo Sandro Souza inaugurou seu site, com portfolio de seus trabalhos na área de desenho. Sandro ficou conhecido por desenhar Os Cabuçus, mas também tem trabalhos em outras áreas. Confira.

Há algum tempo eu falei aqui da campanha do Toscanni para uma empresa de roupas que falava da anorexia. Finalmente achei os outdoors. Essa campanha, como todas do Toscanni, provocou tanta controvérsia que chegou a ser proibida em algumas cidades da Itália.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Cola não cola




Existe uma espécie de guerra não declarada entre professores e alunos: os alunos estão sempre procurando maneiras mais eficientes de colar e os professores estão sempre bolando uma forma de acabar com a graça dos estudantes.
Quando eu era mais jovem, tinha um colega de cabelo black power que era particularmente útil nos dias de avaliação. Ele transformava o assunto em pequenos rolinhos de papel e enfiava na cabeleira. Na hora da prova, era só tirar o papel e fazer uma breve consulta. Como os rolinhos sempre voltavam para a cabeleira e ele nunca lavava a cabeça, o cabelo daquele rapaz era uma verdadeira enciclopédia de assuntos escolares.
Uma forma óbvia de colar é colocar as anotações debaixo da prova. Mas é também a mais perigosa. Uma vez percebi que uma aluna estava usando esse estratagema e me postei ao lado dela, esperando o descuido. O descuido não veio, mas também ela não fez mais nada. Ficou suando e olhando o tempo todo por cima dos ombros, coitada. Tive vontade de dizer: “Ei, pode usar essa cola!”, mas o instinto sádico falou mais alto.
Tem aquela de colocar a cola no meio das pernas, uma situação particularmente constrangedora. Dois professores estavam passando uma prova quando um perguntou ao outro: “Você viu a cola no meio das pernas daquela aluna?”. E o outro: “Mudou de nome?”.
Mas a minha lembrança predileta de colas aconteceu quando passei uma prova em uma turma particularmente famosa por usar colas. Elaborei quatro tipos de provas, mas fiz marcação cerrada, andando entre os alunos, para que eles não desconfiassem. No final, quando só havia uma aluna na sala, os outros acharam que todos já tinham terminado e entraram perguntando: “Professor, tinha mais um tipo de prova?”. A outra levou as mãos à cabeça e gritou: “Mais de um tipo? Ai meu Deus, estou ferrada!”.