O budismo surgiu para nos ensinar a lidar com o sofrimento e
a dominarmos nossa mente. Buda percebeu que, embora o sofrimento físico seja
inevitável em algum momento de nossas vidas, podemos lidar com ele de forma
correta, sem caírmos no desespero ou na alienação.
Um bom exemplo disso é o filme 13 vidas, de Ron Howard,
lançado pela Amazon Prime Video. O filme, ambientado na Tailândia, conta a
história real de 12 garotos e seu treinador que ficaram presos em uma caverna
depois que ela alagou durante uma tempestade. O local em que conseguiram abrigo
estava a quilômetros da saída e o resgate representava um mergulho de seis a
oito horas, passando por locais tão estreitos que o mergulhador tinha que tirar
o tubo de oxigênio para poder passar.
Quando os primeiros mergulhadores chegam ao local em que
estão os meninos, espantam-se com as boas condições físicas e psicológicas dos
mesmos. Afinal, eles estavam ali, presos, no escuro, sem comida há dez dias. Um
dos garotos explica: “Nosso treinador nos ensinou a meditar para suportar a
fome”. Em determinado trecho do filme, quando surge o medo de que não serão
resgatados, o treinador afirma: “O medo é um produto de nossa mente” e os
coloca para meditar. Surpreendentemente os garotos conseguem ficar sem se
desesperarem 15 dias isolados em situações de extrema tensão em que o próprio
resgate aconteceria de forma absolutamente tememária e assustadora.
Não por acaso, a Tailândia é um país de maioria budista (95%
da população local professa o budismo). O que o técnico estava fazendo com os
meninos era a mesma coisa que Buda fez há milhares de anos: ensinando como a
atenção plena pode nos ajudar a lidar com situações de adversidade e escapar
das armadilhas da mente.
No final do filme, tudo isso compensa: todos os 13 foram
resgatados da caverna.

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