terça-feira, outubro 01, 2024

Homem Aranha encontra Noturno

 

Em 1976 os novos X-men ainda eram uma novidade. Personagens como Ororo, Colossus, Wolverine e Noturno eram ilustres desconhecidos. Len Wein, que tinha escrito a primeira história do novo grupo – e depois entregou o título nas mãos do estagiário Chris Claremont - aproveitou que estava escrevendo o gibi mais vendido da Marvel para promover os novos personagens.

Assim nasceu a história Vigilante Noturno, publicada em The Amazing Spider-Man 161.

Na história um personagem misterioso está matando pessoas aleatórias na tentativa de incriminar o Justiceiro. O Homem-aranha está num parque quando uma das pessoas é morta e, quando vai investigar, se depara com um personagem misterioso, que parece um demônio. Era Noturno.

Existe uma regra não escrita na Marvel de que a primeira vez que dois heróis se encontram, algum tipo de equívoco faz com que eles lutem entre si e nesse caso não seria diferente. Noturno acha que o homem-aranha é o autor de disparos e o amigo da vizinhança tem a mesma desconfiança com relação ao X-men. Posteriormente, o Justiceiro vai ter essa mesma suspeita com relação aos dois.

Pode não parecer, mas Noturno e Homem-aranha são dois personagens que têm muito em comum. Ambos são, de certa forma, párias da sociedade. Ambos são estranhos - quando Stan Lee teve a ideia de criar o Homem-aranha, o chefão da Marvel, Martin Goodman foi totalmente contra: “As pessoas odeiam aranhas!”.

E é um encontro inspirado desde a capa, com uma belíssima imagem em perspectiva dos dois lutando num parque, oferecimento do grande Ross Andru, um cara que sabia tudo sobre como usar a perspectiva para dar ação e movimento para uma imagem. E a diagramação dinâmica, como os personagens saindo do quadro, funciona muito bem para dois heróis acrobatas. Não é à toa que Garcia-Lopez diz que aprendeu muito sobre narrativa com Ross Andru.

A história tem seus problemas, como um ou outro deus ex-machina. É incrível a quantidade vezes em que os personagens estão nos locais certos no local certo para que a trama se desenvolva. Além disso, o aracnídeo procura o jornalista Joe Robertson e ele sabe tudo que está acontecendo, inclusive o fato de que estão tentando incriminar o Justiceiro. Muito conveniente para o roteiro.

Ainda assim, é um daqueles encontros memoráveis dos quadrinhos.



A versão da Abril (acima) e a versão do RGE (abaixo). A REGE ampliava quadros, refazendo a diagramação. 

Essa história foi publicada na revista 38 de revista Homem aranha da RGE e no número 34 da Teia do Aranha, da Abril.

Uma curiosidade é, embora muitos leitores hoje reclamem muito das alterações na história feitas pela Abril, elas eram pequenas na comparação com as alterações da RGE, que aumentava quadros pequenos, muitas vezes transformando-os em splah page. Nessa história uma cena corriqueira de Peter Parker numa lanchonete ganha destaque a ponto de ocupar metade de uma página. Como resultado, as 17 páginas se transformaram em 20 na versão da RGE.

Homem animal - A hora da fera



Uma das inovações de Grant Morrison no Homem-Animal foi trazer a política para o título. Não que outros roteiristas não abordassem o assunto na DC, mas era sempre de forma simbólica, não direta, como parábola. 

Morrison meteu o dedo na ferida ao abordar o apartheid sul africano no número 13 da revista. 

A história trata do bárbaro sistema separatista da África do Sul. 


Na trama, um jovem Negro tenta passar para um repórter um rolo com fotos dos abusos perpetrados pelo regime. Ele é pego e torturado e tudo leva a crer que será morto. 

Paralelo a isso, o Homem-Animal encontra no aeroporto o Fera Bwana, que lhe informa que passará o cargo para outra pessoa, escolhida através de um ritual. 

Sempre que soids heróis se encontram, eles brigam. 


A conversa entre os dois traz uma sequência interessante, na qual o roteirista crítica a regra Marvel importada pela DC segundo a qual sempre que dois heróis se encontram pela primeira vez, eles devem brigar.

Só o colo de uma virgem pode aplacar a ira de um unicónio. 


Morrison introduz na trama uma informação relacionada ao unicórnio: “Era uma fera indomável, o unicórnio”, conta o torturador. “Oh, parecia maravilhoso e inocente, mas aquele terrível corno foi feito para matar! A única coisa que podia aplacar o unicórnio era uma virgem! Uma moça imaculada! A fera deitaria a cabeça em seu corpo, iria entregar-se à sua proteção... e então, quando o unicórnio estivesse indefeso, caçadores atacariam!”. Essa citação, aparentemente aleatória, será a base do desfecho.