Uma das razões pelas quais os números 241 e 242 estão entre os mais célebres da série Perry Rhodan é a armadilha inusitada desenvolvida pelo escritor William Voltz.
Na história, um grupo de cinco astronautas segue para um
planeta pantanoso na tentativa de descobrir o transmissor que desperta os mobys,
assassinos siderais capazes de destruir até mesmo planetas. No volume 241, eles
enfrentam várias ameaças típicas de space operas, como monstros
pré-históricos. No final desse volume, surgem os habitantes desse planeta, os Gleamors,
seres esbeltos, com membros delicados.
“As vestimentas dos nativos realmente eram estranhas. A
parte superior do corpo estava coberta por peças de tricô coloridas”, escreve
Voltz. “Dos quadris desciam saias bem apertadas, endurecidas por meio de
bastões, que antes pareciam guarda-chuvas abertos.”
Posteriormente, descobre-se que o objetivo dessas saias é
sustentar os Gleamors em suas incursões pelos pântanos, impedindo que eles
afundem.
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| A capa original alemã. |
Quando surgem, os astronautas – e os leitores – se
perguntam qual é a nova ameaça que eles representam. Afinal, até então, os
terranos haviam sido atacados de todas as maneiras possíveis e imagináveis.
Mas, ao contrário do que se espera, os habitantes locais são muito gentis – gentis
demais, aliás –, pois parecem ansiosos para fazer tudo pelos astronautas,
inclusive carregá-los para cima e para baixo e alimentá-los com comida na boca.
Como isso poderia ser uma ameaça? É exatamente esse paradoxo que Voltz explora
com maestria em seu livro.
Não bastasse a ameaça inusitada, descrita de forma
magistral, o volume ainda se destaca pelo desenvolvimento dos personagens. Até
o Capitão Redhorse, que até então vinha sendo mostrado por diversos autores
apenas como um homem impetuoso propenso a desobedecer ordens, passa por uma
evolução de personalidade que o torna mais maduro.
Apesar de todas as qualidades incontestáveis, tanto o
volume 241 quanto o 242 pecam pelo mesmo motivo de outros volumes dos primeiros
ciclos: a total ausência de mulheres, inclusive entre os alienígenas. A
situação mereceu uma reclamação da leitora Júlia Soares, de Nova Iguaçu: “Pelo
que me lembro, nos duzentos e poucos volumes até agora só aparecem duas
mulheres: Thora e Mory Abro. Nas espaçonaves e bases, não trabalham mulheres,
nem mesmo nas enfermarias, escritórios, nos serviços de comunicação ou de computação?”.


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