segunda-feira, maio 11, 2026

Perry Rhodan – O Mistério do Planeta dos Pântanos

 


Uma das razões pelas quais os números 241 e 242 estão entre os mais célebres da série Perry Rhodan é a armadilha inusitada desenvolvida pelo escritor William Voltz.

Na história, um grupo de cinco astronautas segue para um planeta pantanoso na tentativa de descobrir o transmissor que desperta os mobys, assassinos siderais capazes de destruir até mesmo planetas. No volume 241, eles enfrentam várias ameaças típicas de space operas, como monstros pré-históricos. No final desse volume, surgem os habitantes desse planeta, os Gleamors, seres esbeltos, com membros delicados.

“As vestimentas dos nativos realmente eram estranhas. A parte superior do corpo estava coberta por peças de tricô coloridas”, escreve Voltz. “Dos quadris desciam saias bem apertadas, endurecidas por meio de bastões, que antes pareciam guarda-chuvas abertos.”

Posteriormente, descobre-se que o objetivo dessas saias é sustentar os Gleamors em suas incursões pelos pântanos, impedindo que eles afundem.

A capa original alemã. 


Quando surgem, os astronautas – e os leitores – se perguntam qual é a nova ameaça que eles representam. Afinal, até então, os terranos haviam sido atacados de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Mas, ao contrário do que se espera, os habitantes locais são muito gentis – gentis demais, aliás –, pois parecem ansiosos para fazer tudo pelos astronautas, inclusive carregá-los para cima e para baixo e alimentá-los com comida na boca. Como isso poderia ser uma ameaça? É exatamente esse paradoxo que Voltz explora com maestria em seu livro.

Não bastasse a ameaça inusitada, descrita de forma magistral, o volume ainda se destaca pelo desenvolvimento dos personagens. Até o Capitão Redhorse, que até então vinha sendo mostrado por diversos autores apenas como um homem impetuoso propenso a desobedecer ordens, passa por uma evolução de personalidade que o torna mais maduro.

Apesar de todas as qualidades incontestáveis, tanto o volume 241 quanto o 242 pecam pelo mesmo motivo de outros volumes dos primeiros ciclos: a total ausência de mulheres, inclusive entre os alienígenas. A situação mereceu uma reclamação da leitora Júlia Soares, de Nova Iguaçu: “Pelo que me lembro, nos duzentos e poucos volumes até agora só aparecem duas mulheres: Thora e Mory Abro. Nas espaçonaves e bases, não trabalham mulheres, nem mesmo nas enfermarias, escritórios, nos serviços de comunicação ou de computação?”.

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