Uma das principais estratégias de Alan Moore ao assumir o
título Supremo foi criar uma mitologia completa para o personagem,
fortemente inspirada no Superman da Era de Prata que ele lia na infância. Entre
esses acréscimos fundamentais estava a irmã do protagonista, Suprema,
apresentada na edição número 46.
Na trama principal, que serve como moldura narrativa,
Supremo descobre que, durante sua ausência do planeta, a Terra foi alvo de Gorrl,
a Galáxia Viva. Para salvar o mundo, Suprema voluntariou-se para ser sua
noiva. Esse cenário serve de gancho para uma HQ nostálgica (estilizada como as
histórias dos anos 50/60), na qual Suprema cai em uma armadilha de sua nêmesis,
Satana.
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| A vilã quer arruinar a reputação da heroina. |
A vilã finge ser uma donzela inocente prestes a ser
torturada no Inferno, levando a "Donzela da Dignidade" a oferecer-se
para ocupar seu lugar em um ato de puro altruísmo. Enquanto Suprema sofre as
penas infernais, Satana assume sua identidade na Terra e passa a manchar sua
reputação com atos mesquinhos, como lançar ao espaço um gatinho preso em uma
árvore ou beijar o namorado da identidade secreta da heroína.
Escondida sob essa narrativa aparentemente infantil, Moore
introduz críticas perspicazes. Há uma sátira evidente ao conservadorismo da
década de 1950, no qual até um beijo nos quadrinhos era visto como algo escandaloso.
Outro detalhe fascinante é o demônio de várias cabeças, em que cada face
personifica um vício: a Luxúria baba ao observar o embate físico entre
as mulheres; a Preguiça permanece em sono profundo; e a Cobiça
calcula friamente o lucro daquela situação.
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| Beijo escandaloso e demônios com cabeças de pecado. |
Se a "história dentro da história" emula a
inocência antiga, a moldura narrativa utiliza conceitos científicos
sofisticados e paradoxos temporais. Ao procurar pela irmã, Supremo ultrapassa a
velocidade da luz e cruza com três vultos vindos na direção contrária. Como
descobrimos ao final, as figuras são ele mesmo, o cão Radar e Suprema,
retornando à Terra — um nó temporal clássico da ficção científica.
Moore ainda nos brinda com o vilão Gorrl que, em sua forma
peculiar de cortejo, cria um mundo de fantasia para a heroína dentro de um buraco
negro. O autor expande o cosmos da série ao revelar que existem outras
galáxias vivas, que utilizam quasares como se fossem canções de baleias
em migração galáctica.
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| Galáxias vivas que usam quasares como cantos de baleia: conceitos saídos da mente fértil de Alan Moore. |
A mente de Alan Moore estava claramente em ebulição,
transformando um personagem que era uma cópia genérica do Super-Homem em um
laboratório de conceitos científicos e metalinguísticos.




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