quinta-feira, outubro 15, 2026

Perry Rhodan: No Reino dos Guardiões do Centro

 


A grande engrenagem por trás do quinto ciclo da série Perry Rhodan gira em torno de um mistério central: quem são, afinal, os Senhores da Galáxia? Como esses seres de poder quase divino conseguem controlar múltiplas galáxias e seus incontáveis sistemas solares sem que ninguém jamais os tenha visto ou conheça suas verdadeiras identidades? Essa é a complexa charada que os humanos tentam decifrar no volume 256 da saga.

Escrito por Clark Darlton (pseudônimo de Walter Ernsting), o livro narra a audaciosa incursão dos terranos no planeta Tefrod, o mundo-sede dos seres que atuam como os guardiões da área proibida de Andromeda — região do espaço onde se especula ser o lar dos misteriosos Senhores da Galáxia. Diante do monumental e implacável sistema de defesa do planeta principal, o próprio Perry Rhodan chega a cogitar a hipótese de que os tefrodenses e os Senhores da Galáxia sejam as mesmas criaturas.

Para viabilizar a infiltração em um território tão blindado, os terranos capturam uma nave tefrodense, submetem seu comandante e alguns tripulantes a um processo de sugestão hipnótica e assumem a identidade de parte da tripulação alienígena. Trata-se de uma melindrosa e perigosa missão de espionagem em um mundo intrinsecamente hostil a estrangeiros.

A capa original alemã. 


Darlton utiliza uma estratégia narrativa inteligente para apresentar ao leitor os detalhes do modo de vida, da cultura e do aparato de segurança dos tefrodenses: ele conduz essa exposição por meio dos interrogatórios disfarçados que Rhodan faz ao comandante capturado. Como está sob o efeito da sugestão mental, o oficial alienígena não estranha as perguntas e responde detalhadamente a tudo o que sabe. Essa escolha de roteiro permite fornecer informações cruciais de exposição de cenário de forma orgânica, sem a necessidade de recorrer às intervenções artificiais de um narrador onisciente.

O volume também introduz uma reviravolta tecnológica que eleva drasticamente a tensão da empreitada: os habitantes de Tefrod não apenas dominam habilidades paranormais, como a telepatia e a teleportação, mas também desenvolveram engenhosas "para-armadilhas" projetadas especificamente para neutralizar mutantes. O carismático rato-castor Gucky, inclusive, acaba caindo em uma dessas armadilhas.

Como a presença dos mutantes na tripulação frequentemente solucionava os impasses de forma muito fácil para os terranos, a introdução desse novo contra-ataque tefrodense equilibra as forças no tabuleiro, tornando a atmosfera da história muito mais imprevisível, perigosa e interessante.

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