A grande engrenagem por trás do quinto ciclo da série Perry
Rhodan gira em torno de um mistério central: quem são, afinal, os Senhores
da Galáxia? Como esses seres de poder quase divino conseguem controlar
múltiplas galáxias e seus incontáveis sistemas solares sem que ninguém jamais
os tenha visto ou conheça suas verdadeiras identidades? Essa é a complexa
charada que os humanos tentam decifrar no volume 256 da saga.
Escrito por Clark Darlton (pseudônimo de Walter Ernsting), o
livro narra a audaciosa incursão dos terranos no planeta Tefrod, o mundo-sede
dos seres que atuam como os guardiões da área proibida de Andromeda — região do
espaço onde se especula ser o lar dos misteriosos Senhores da Galáxia. Diante
do monumental e implacável sistema de defesa do planeta principal, o próprio
Perry Rhodan chega a cogitar a hipótese de que os tefrodenses e os Senhores da
Galáxia sejam as mesmas criaturas.
Para viabilizar a infiltração em um território tão blindado,
os terranos capturam uma nave tefrodense, submetem seu comandante e alguns
tripulantes a um processo de sugestão hipnótica e assumem a identidade de parte
da tripulação alienígena. Trata-se de uma melindrosa e perigosa missão de
espionagem em um mundo intrinsecamente hostil a estrangeiros.
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| A capa original alemã. |
Darlton utiliza uma estratégia narrativa inteligente para
apresentar ao leitor os detalhes do modo de vida, da cultura e do aparato de
segurança dos tefrodenses: ele conduz essa exposição por meio dos
interrogatórios disfarçados que Rhodan faz ao comandante capturado. Como está
sob o efeito da sugestão mental, o oficial alienígena não estranha as perguntas
e responde detalhadamente a tudo o que sabe. Essa escolha de roteiro permite
fornecer informações cruciais de exposição de cenário de forma orgânica, sem a
necessidade de recorrer às intervenções artificiais de um narrador onisciente.
O volume também introduz uma reviravolta tecnológica que
eleva drasticamente a tensão da empreitada: os habitantes de Tefrod não apenas
dominam habilidades paranormais, como a telepatia e a teleportação, mas também
desenvolveram engenhosas "para-armadilhas" projetadas especificamente
para neutralizar mutantes. O carismático rato-castor Gucky, inclusive, acaba
caindo em uma dessas armadilhas.
Como a presença dos mutantes na tripulação frequentemente
solucionava os impasses de forma muito fácil para os terranos, a introdução
desse novo contra-ataque tefrodense equilibra as forças no tabuleiro, tornando
a atmosfera da história muito mais imprevisível, perigosa e interessante.


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