domingo, novembro 28, 2021
O gabinete do Dr. Caligari
Quando a guerra eclodiu, Mayer começou uma batalha com o psiquiatra do exército, pois não queria lutar numa guerra que considerava criminalmente insana. Para não lutar, ele argumentava que era mentalmente desarranjado. Mesmo assim, o psicólogo tentou de todas as formas levá-lo a lutar. Mesmo sendo dispensado por causa de uma lesão no pé, a má experiência o marcou profundamente. O psiquiatra representava a pressão autoritária que era aplicada sobre os jovens alemães e serviria de modelo para Caligari.
Em 1918, Mayer apresentou Janowitz à atriz Gilda Langer, que serviria de inspiração para personagem Jane. Gilda sugeriu que os dois trabalhassem juntos num roteiro cinematográfico, que seria estrelado por ela. Na mesma época eles consultaram uma cartomante que predisse que Janowitz voltaria vivo da guerra, mas que Gilda morreria. As duas previsões se realizaram, mais um acontecimento que teria influência sobre a elaboração do roteiro de Caligari.
Os dois escritores começaram a trabalhar no texto em 1918. A história partiria de duas premissas: 1) a atmosfera de mistério de Praga, cidade em que Janowitz cresceu; 2) um incidente que este observara em uma feira.
O roteirista estava em uma feira em Holstenwal quando viu uma jovem muito bonita e se apaixonou por ela, seguindo-a. Quando ela entrou num bosque, ele acabou perdendo-a de vista, mas não antes de ver que ela era seguida por um burguês. No dia seguinte, leu no jornal que a jovem havia sido morta. Ao comparecer ao seu enterro, viu o burguês escondendo-se atrás de uma coluna. Quando o viu, o homem fugiu. Era o assassino. O personagem Cesare teria sido inspirado num espetáculo assistido em Berlin pela dupla, no qual um homem hipnotizado demonstrava extrema força e fazia previsões sobre o futuro de pessoas da platéia.
Esses dois eventos montaram a espinha dorsal do texto. Mas faltava um nome para o vilão da história. Este surgiu das páginas de um livro raro de Stendhal, no qual ele afirmava ter conhecido um oficial italiano de nome Caligari.
O roteiro contava a história de um hipnotizador, Caligari, que comete vários crimes usando para isso o sonâmbulo Cesare. Mas Cesare apaixona-se por uma de suas vítimas, Jane, e morre por conta disso. No final, descobria-se que Caligari era o diretor de um hospital psiquiátrico, revelando-se assim a face ditatorial e perniciosa da autoridade.
Os dois tinham pressa de vender o roteiro, pois estavam sem dinheiro. A situação era tão ruim que eles tiveram de empenhar suas cigarreiras de prata para poder comer.
Por intermédio do cineasta Fritz Lang, Janowitz conhecera Erich Pommer, chefe de produção da produtora independente Decla Bioscop. Janowitz e Mayer bateram à sua porta e resistiram a todas as tentativas que este fez para se livrar deles. Como não teve êxito, Pommer pediu que eles deixassem o roteiro com ele. Os dois recusaram, insistindo para que o texto fosse lido ali mesmo, por Mayer.
Pommer ficou tão impressionado que decidiu assinar um contrato na hora. Os dois roteiristas tinham decidido que o preço seria 10 mil marcos, mas acabaram aceitando quatro mil. Os dois estavam entusiasmados com as qualidades estéticas da história, mas o produtor ficou mais interessado no fato de que a produção seria barata e chamaria atenção por seu ar gótico.
Fritz Lang (Metropolis) foi o primeiro diretor escalado para o projeto, e, de fato, chegou a trabalhar numa segunda versão do roteiro, mas logo precisou abandonar o Caligari para se dedicar à segunda parte de seu seriado Die Spinnen. Robert Wiene, cujo roteiro para Satanás, deMurnau, já havia demonstrado uma predileção para o fantástico, assumiu a direção.
Se por um lado o produtor via em Caligari uma produção barata com grande chance de se tornar um sucesso, por outro incomodava-se com o fato do filme ser uma denúncia da autoridade. Assim, ele encomendou uma mudança no roteiro. A solução encontrada foi colocar uma moldura, na qual o personagem Francis (namorado de Jane) aparece contando a história para um homem. No final do filme, voltamos à moldura e se revela que o narrador na verdade é um louco. Essa mudança foi feita por Fritz Lang, pouco antes deste abandonar o projeto. Os roteiristas não gostaram da alteração, que exaltava quem deveria denunciar (a autoridade, simbolizada por Caligari) e condenava o seu antagonista como um demente. Eles protestaram abertamente e chegaram a orientar seus advogados a tomar as medidas cabíveis.
Essa moldura é um dos aspectos mais discutidos e criticados emCaligari.
Tal estratégia revolucionária só poderia acontecer em um filme expressionista e, nesse sentido, a atuação dos atores, cenários e até as roupas são essenciais. Esses elementos em conjunto fizeram com que o filme se transformasse numa pintura expressionista em movimento.

Depois do sucesso do filme, todos quiseram ser autores da proposta, até mesmo o produtor, que, segundo a maioria dos relatos, havia sido contra os cenários pintados. Janowitz sempre afirmou que os cenários expressionistas faziam parte da proposta do filme desde o roteiro. Outros creditam a ideia dos cenários ao diretor, e outros, finalmente, ao cenarista-chefe da Decla, Herman Warm.
A quantidade de supostos pais mostra a importância do cenário para esse filme clássico e uma mudança de paradigma: até então os cenários eram apenas um enfeite sem importância narrativa. Caligari mostrou que os cenários eram parte da linguagem do cinema e podiam ser usados para ajudar a contar a história.
Outro fator que salta aos olhos de um observador mais atento é a interpretação expressionista dos atores, em especial dos personagens principais, Caligari (Werner Krauss) e Cesare (Conrad Veidt). Os dois já tinham aparecido no palco juntos no drama expressionista Seeschlacht, dirigido por Reinhard Goering.
Quando chegou para o primeiro dia de filmagem, Krauss se reuniu com os atores e disse: "Temos de usar outra maquiagem. Olhem os cenários!". Assim, ele pediu ao maquiador que fizesse uma linha grossa debaixo de cada olho.
Havia uma loja na cidade, num porão, onde vendiam roupas velhas. Krauss comprou um cobre-nuca e uma cartola, além de uma bengala com punho de marfim, tudo fora de moda e estranho.
Os papéis secundários também revelam detalhes expressionistas, como o secretário da Câmara Municipal em seu tamborete alto, ou os guardas que se movimentam sempre em estranha simetria. Os criados de Jane, ao acordar com seus gritos na cena em que ela é raptada por Cesare, também revelam uma perfeita sincronização, acordando e levantando ao mesmo tempo (um detalhe curioso é que as camas dos dois não estão paralelas, mas inclinadas uma na direção da outra, de forma a destacar o efeito estranho).
Mesmo os personagens mais "certinhos", como Alan (Hans-Heinz Von Twardowski) e Francis (Friedrich Feher) revelam aspectos curiosos de interpretação. Twardowski interpretou seu personagem com rosto estranho e atormentando e Feher fazia movimentos amplos e angulares.
A influência de Caligari pode ser vista até o dias de hoje, em filmes como os de Tim Burton e nas histórias em quadrinhos de terror.
Pijama Selvagem - o site das crônicas humorísticas
Fundo do baú - Além da imaginação
A Noite das Bruxas, de Agatha Christie
Certa vez, tentei ler Agatha Christie em uma edição de banca e odiei. A tradução era horrível, a edição idem e a história parecia fútil. Quando recebi A Noite das Bruxas para resenhar, reclamei. "Faça uma tentativa. Dê uma chance à dama do crime", respondeu-me o editor do Digestivo Cultural. Resolvi seguir seu conselho e não me arrependi. O volume tem tudo que faltava ao meu primeiro contato com a autora inglesa: edição primorosa, com um belo cuidado gráfico, boa tradução e uma história que nos fisga desde as primeiras páginas.
A Noite das Bruxas faz parte de uma coleção que reúne as obras completas de Agatha Christie. São 68 volumes padronizados com a assinatura da autora em alto relevo na capa. É uma tentativa, certamente bem-sucedida de voltar a transformar a dama do crime em um best seller tupiniquim.
O livro em questão conta a história de uma festa de Hallowen. Uma das personagens é Ariadne Oliver, um paródia da própria Agatha. Ariadne também é uma autora famosa de histórias policiais. A escritora resiste à tentação de dar glamour à sua versão literária e a mostra como uma senhora desajeitada e dispersiva. Durante o preparo da festa, uma das meninas, ao saber que a convidada é uma autora de histórias policiais, gaba-se de já ter presenciado um assassinato.
Como não poderia deixar de ser, a garota aparece morta, afogada em um balde de água cheio de maçãs. É quando a senhora Oliver chama à cena seu amigo Hercule Poirot. Daí para frente, a história segue o caminho que já foi eternizado pelo cinema: o inspetor belga deverá investigar todas as pessoas que estiveram na festa e tentar desvendar não apenas um, mas dois assassinatos.
Agatha Christie é a escritora mais bem sucedida do século XX. Seus livros já venderam um bilhão de cópias em língua inglesa e mais um bilhão em traduções para outros 45 idiomas. Algumas de suas muitas histórias foram adaptadas para a TV e o cinema, com destaque para Testemunha de Acusação (dirigido por Billy Wilder, 1957) e Assassinato no Expresso do Oriente (de Sidney Lumet, 1974).
A Noite das Bruxas, apesar de ser uma história policial, tem uma narrativa calma e bucólica. Há uma tendência por parte da autora de ser repetitiva. Na página 75, por exemplo, uma personagem diz: "Bem, era uma mulher rica, muito rica mesmo. Sua morte não foi inesperada, mas foi súbita. Foi tão de improviso que surpreendeu o próprio dr. Ferguson". Alguns parágrafos depois, outro personagem diz: "Sua morte não foi surpresa, dado seu estado de deficiência cardíaca, mas foi súbita". Erro típico de quem produz muito. Mas nem isso tira o prazer da leitura. Um bom livro para um domingo de chuva.
sábado, novembro 27, 2021
Wolverine antes de se tornar Wolverine
A arte fantástica de Arthur Rackham
Arthur Rackham foi um dos mais importantes ilustradores de livros do século XIX. Sua veia fantástica era ideal para livros como Alice no país das maravilhas ou Contos dos irmãos Grim. Ele também ilustrou Rip van Winkle, Peter Pan e até a ópera O anel de Nibelungo. Confira alguns trabalhos desse fantástico desenhista inglês.
Juba & Lula – Operação Super-homem
Na década de 1980 o seriado Armação Ilimitada se tornou o grande azarão da TV. A ideia tinha sido de dois atores surfistas, Kadu Moliterno e André De Biase ao qual se juntou Andréa Beltrão. Os roteiros eram non-sense e a direção de Guell Arraes garantia uma boa dose de metalinguagem e humor.
Essa mistureba fez tanto sucesso que levou a editora Nova
Fronteira a lançar uma versão em quadrinhos dos personagens Juba e Lula. Para
desenhar escolheram o argentino Héctor Gomes Alísio e para o roteiro o desconhecido Régis Rocha Moreira.
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| O roteirista exagerava nos textos, fazendo com que o desenho ficasse apertado entre os balões. |
A história Operação Super-homem mostra a dupla lutando
contra um nazista que pretende criar um super-homem. E qual seria o objetivo de
um nazista ao criar uma pessoa extremamente forte? Montar um exército e reviver
o III Reich? Não, transformar o soro numa droga e vender nas ruas. Era para ser
non-sense, mas é simplesmente algo que não faz sentido, assim como quase tudo
nessa história.
Logo no início, os protagonistas estão chegando na praia
quando quase batem em um carro que está saindo do estacionamento. Algo
relacionado à trama? Não. Apenas uma desculpa para eles conhecerem duas
garotas... que aparecem apenas em um quadrinho! A situação, que parece ser
apenas uma piada solta, sequer é desenvolvida. Aliás, por esse único quadro
fica evidente que Héctor é um excelente desenhista de mulheres. Mas o
roteirista simplesmente não aproveita isso: 90% das cenas tem apenas homens.
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| A história cria toda uma situação para uma paquera que só dura um quadro. |
Junte a isso piadas que não funcionam, diálogos expositivos (os famosos bifes) enormes e um final abrupto, que parece indicar que o roteirista só pensou no final da história na última página.
O escaravelho do diabo
Um dos livros mais célebres da coleção Vaga-lume era O escaravelho do diabo, de Lúcia Machado de Almeida.
A história foi publicada originalmente em capítulos, no ano de 1953, na revista Cruzeiro. Mas se tornou realmente popular quando foi publicada em 1974 pela editora ática, dentro da coleção vaga-lume. Na década de 1980, auge da coleção, tornou-se um dos títulos mais vendidos.
Na trama, a pequena cidade paulista de Vista Alegre é aterrorizada por uma série de assassinatos. Antes das mortes, o criminoso envia para a vítima um besouro – e o nome científico do mesmo indica como acontecerá o crime. O protagonista é um jovem estudante de medicina, Alberto, cujo irmão é a primeira vítima do assassino. É ele quem descobre a relação entre os besouros e os crimes e é quem passa a ajudar a polícia a decifrar o enigma.
Lúcia Machado de Almeida era uma escritora primorosa, cujo estilo marcou a literatura infanto-juvenil brasileira, influenciado muitos outros autores posteriores. Embora seja uma história de crimes, o livro é contado de maneira leve para agradar o público mais jovem.
Uma curiosidade é que esse livro é, provavelmente, um dos primeiros da literatura nacional a descrever um psicopata: “O assassino, certamente um anormal, raciociona com lucidez e possui inteligência fora do comum. De outro modo, jamais planejaria e levaria a cabo crimes tão perfeitos e que não deixam o menor vestígio. Possivelmente deve ser alguém igual a nós, de comportamente, aparentemente normal, alguém que arquitetou um plano e estudou-o com calma e tempo nos seus mínimos detalhes”.
Escrito na década de 50, a obra tem alguns aspectos que parecem estranhos hoje em dia. Motorista de taxi, por exemplo, é chamado de chofer. Em uma sequência, é necessário ligar para a polícia e não há nenhum telefone em todo o bairro, fazendo com que a pessoa se desloque pessoalmente à delegacia. Ainda assim, é um livro prende a atenção, especialmente pelo suspense criado sobre o que está de fato acontecendo. É uma trama que instiga a imaginação do leitor.
Infelizmente, embora a descrição do perfil psicológico do assassino fosse totalmente inovadora e incrivelmente acertada para a época, a descoberta do assassino e da motivação do caso passava longe disso. Compreensível, considerando-se que na década de 50 a psicologia praticamente desconhecia a psicopatia. É de se imaginar como a autora teria terminado o livro se tivesse acesso ao que se sabe hoje sobre o assunto.
Escreva um roteiro agradável de se ler
Batman – Gotham 1889
Lançado no ano de 1989, Gotham By Gaslight: An Alternative History of The Batman trazia uma proposta interessante: o cavaleiro das trevas lutando contra Jack, o estripador, em pleno século XIX.
O nome da série era uma referência aos lampiões de gás que iluminavam as ruas antes da popularização das lâmpadas elétricas.
Dificilmente poderia ser encontrado um artista melhor do que Mike Mignola para desenhar uma história desse tipo. Seu traço repleto de sombras e contrastes casava perfeitamente com a narrativa sombria e vintage.
O roteiro também tinha uma abordagem interessante: mostrava Bruce Wayne contando a Freud um sonho recorrente, o que servia de desculpa para o roteirista contar ao leitor a forma como os pais do herói haviam morrido. Durante anos o milionário vagara pela Europa conhecendo os principais gênios da época, do criador da psicanálise ao detetive Sherlock Holmes. Depois dessa longa preparação, ele volta para Ghotam City, onde estão acontecendo diversos assassinatos de mulheres, repetindo o que aconteceu na Inglaterra.
A história traz referências a outros aspectos do universo do morcego, como quando o inspetor Gordon mostra a Wayne o retrato de um homem que acabara de prender: um psicopata que matava mulheres ricas com estricnina e que tentara se matar com o veneno, o que lhe provocara um eterno sorriso. Era um Coringa desse universo.
Um outro aspecto interessante da narrativa era usar recortes de jornais e até um cartão postal para ajudar a contar a história.
Era, portanto, uma HQ que prometia muito, mas entrega pouco. Apesar de toda a propalada capacidade dedutiva de Bruce Wayne, ele resolve o caso apenas por estar, sem explicação, no lugar certo, na hora certa.
No final, a história valia mesmo pelo visual incrível de Mignola.
No Brasil essa história foi renomeada de Gotham 1889 tanto pela Abril quanto pela Panini, que a republicou no ano de 2018.
sexta-feira, novembro 26, 2021
Informação relevante
“Como faço para conservar meu casamento?”; “De que maneira posso me tornar mais feliz?”; “O que posso fazer para que formigas não ataquem minhas flores?”; ”Que tipo de filme devo assistir no final de semana?”; "Qual o melhor local para viajar no final de semana?".
Como as estrelas na terra
Como as estrelas na terra, filme indiano de 2007 lançado recentemente aqui pela Netflix é uma obra que entrará para qualquer lista de melhores obras sobre a educação.
O filme conta a história de Ishaan Awasthi, um menino de nove anos que já reprovou a terceira série e irá reprovar novamente de ano, o que faz com que os pais o coloquem num colégio interno.
Visto como rebelde e preguiçoso, o garoto na verdade sofre de dislexia. As letras “dançam” na frente dele, o que faz com que ele seja incapaz de ler ou escrever.
A história do garoto muda quando o professor de artes do colégio interno percebe o problema do garoto e começa a ajudá-lo (a sequência em que ele ensina contas usando uma escada é um dos momentos mais interessantes). Mais ainda: o professor descobre que Ishaan não só não é burro, como é um gênio da pintura.
A primeira parte peca por um problema que dizem ser comum nos filmes indianos: o excesso de musicais. Há momentos em que eles funcionam, como quando estão mesclados com animações. Mas chega num ponto de exagero em que tudo vira motivo para um musical. O garoto está triste? Música. A família vai deixá-lo no colégio interno? Música. Entra o novo professor de música? Música com dança.
A história engrena de fato quando o diretor Aamir Khan se concentra em contar a história, deixando as sequências de música mais pontuais.
Descontado esse exagero nos musicais, Como as estrelas na terra é um filme divertido e emocionante que aborda perfeitamente o assunto dislexia.
Fundo do baú - Popeye
Coleção histórica Marvel: Demolidor
Um dos volumes mais interessantes da coleção histórica Marvel é Paladinos Demolidor.
































