quarta-feira, julho 30, 2008
Guerrilha no metrô
X-Men trocam Nova York por San Francisco, a 'capital gay' dos EUA
terça-feira, julho 29, 2008
1858: Impressão digital é usada para identificação
Era irritante! Toda semana Sir William Herschel, que trabalhava na administração civil inglesa em Calcutá, fazia o pagamento dos funcionários indianos. E toda vez era a mesma coisa: havia mais gente para receber do que o número real de empregados. Que situação! William não conseguia diferenciar as pessoas nem pelo nome e muito menos pela aparência. Elas pareciam todas iguais.
Até que, enfim, teve uma brilhante idéia: arquivou a impressão digital de cada um dos empregados. A partir daí, quando eles recebiam o salário, tinham que, além de assinar um papel, deixar a marca dos dedos indicador e médio que seriam comparados à impressão arquivada. A identificação era perfeita e ele nunca mais teve problemas. Sua intenção maior era fazer uma pressão moral e não tanto um apurado trabalho de comparação das digitais. Leia mais
segunda-feira, julho 28, 2008
História dos quadrinhos
No início da década de 1970 a juventude achava que podia mudar o mundo. Nos EUA, os jovens lutavam contra a guerra do Vietnã, contra o preconceito racional e a favor da natureza. Era uma geração politizada, que desprezava os velhotes que mandavam no país. Essa geração adorava os quadrinhos. A perseguição que os gibis haviam sofrido por parte dos setores mais conservadores da sociedade fizeram com que os jovens rebeldes simpatizassem com eles. Além disso, as histórias em quadrinhos da Marvel, com heróis realistas, ídolos com pés de barro, mostravam que os gibis não eram simplesmente uma questão da luta do bem contra o mal.
Foi nesse contexto que surgiu um dos trabalhos mais revolucionários do gênero super-heróis: a série do Lanterna e do Arqueiro Verde.
A idéia começou com um pedido do editor Julius Shwartz ao roteirista Dennis O´Neil para que ele reformulasse a revista do lanterna Verde. O gibi não estava vendendo bem, mas a DC Comics não queria cancelar o título. O´Neil era um desses jovens rebeldes do final dos anos 1960. Além escrever quadrinhos, ele trabalhava como jornalista e já havia publicado um livro sobre as eleições presidenciais. Ele admirava profundamente o novo jornalismo e se perguntava se seria possível fazer algo semelhante nos quadrinhos. Além disso, ele participava de passeatas contra a guerra, assinava abaixo assinados, era fã de Martin Luther King. O convite para reformular o Laterna pareceu-lhe uma oportunidade de colocar essa atuação política no gênero superheroiesco.
Seu princípio básico foi: o que aconteceria se um super-herói fosse colocado num contexto real, para lidar com problemas reais? O Laterna era um policial, um militar, assim como aqueles que batiam em estudantes ou matavam pessoas no Vietnã. Tudo porque nunca haviam questionado as ordens que recebiam. E se o Lanterna começasse a questionar suas ações?
Para ter um contraponto, O´Neil resgatou um personagem menor, que nunca tivera popularidade suficiente para estrelar uma revista: o Arqueiro Verde. Ninguém parecia estar muito preocupado com Arqueiro, do modo que o roteirista teve total liberdade para transformá-lo de Playboy em um anarquista vigoroso, de pavio curto. Era ele que colocaria o lanterna contra a parede, apresentando-o ao mundo real das pessoas que passavam fome, sofriam abusos e eram exploradas.
Para desenhar a história foi chamado Neal Adams. Adams e O´Neil já tinham trabalhado juntos no Batman e feito um ótimo trabalho, tornando-o mais adulto e sombrio. Mas seria nessa série do Lanterna e do Arqueiro que eles fariam sua obra-prima. Os dois artistas não tinham nada em comum. Ao viajarem juntos para uma excursão promocional, descobriam que não conseguiam concordar nem mesmo sobre que canal assistir na televisão. Mas quando produziam quadrinhos, eram perfeitos.
Logo na primeira história, ¨O mal sucumbirá ante à minha presença¨, O Lanterna Verde é confrontado com o fato de que até então ele estivera defendendo capitalistas exploradores contra trabalhadores. Essa primeira história deu o tom da série, que iria abordar alguns dos maiores problemas do mundo, da fome à destruição da natureza.
O gibi foi um sucesso de crítica, sendo mencionada em dezenas de jornais e revistas. Os autores eram convidados para falar em programas de TV e em universidades. Além disso, todo mês chegavam centenas de cartas elogiosas. Apesar disso, a revista foi cancelada no número 13. Os editores alegaram vendas baixas, mas, como essa série é republicada até hoje, sempre com sucesso, o mais provável é que a editora estivesse assustada com o tom crítico que o gibi estava tomando e temesse uma reação conservadora contra os seus quadrinhos.
De certa forma, o fim da revista foi positiva, pois sua continuação levaria O´Neil a vasculhar os jornais, em busca de novas causas: ¨No fim, iríamos degenerar a série até a autoparódia, um gibi de ´causa do mês´¨.
domingo, julho 27, 2008
Batman - cavaleiro das trevas
Neste final de semana aconteceu a segunda edição do curso de Roteiro de produção de Curta-metragens, no SESC. Acima imagens do curta Espelho, espelho meu, um dos dois produzidos. A estréia dos curtas acontecerá na quinta-feira, às 18 horas, na sala Charles Chaplin, no SESC Araxá. Estão todos convidados.
Perfeccionista e visionário, Kubrick faria 80 anos
Perfeccionista, enigmático, controlador, visionário: os adjetivos são insuficientes para definir a importância do cineasta norte-americano Stanley Kubrick (1928-1999), que completaria 80 anos neste sábado. Como nenhum outro diretor de sua época, Kubrick gozou de irrefreada liberdade criativa, destrinchou todos os aspectos da técnica cinematográfica - popularizando novas tecnologias e esgotando seu potencial artístico - e transitou pelos mais variados gêneros da sétima arte (horror, ficção científica, épico, filme de guerra, policial etc.). Respeitado (e imitado) pelos colegas, cultuado pelo público e louvado pelos críticos, Kubrick é visto por muitos como o mais influente cineasta da segunda metade do século XX. Leia mais
sexta-feira, julho 25, 2008
Experiências e Livros
O convite para integrar o especial "Biblioteca Básica" do site Digestivo Cultural me fez pensar em todos os livros que, de uma maneira ou de outra, ifluenciaram minha formação.
O mais remoto deles, parece-me, é pouco conhecido da geração atual. Mas fez as delícias de todos os jovens devoradores de livros da década de 80. Falo de Aventuras de Xisto, de Lúcia Machado de Almeida, publicado na época na coleção Vaga-lume.
Esse foi o primeiro livro que li (não estou contando os pequenos livros infantis dos quais guardo poucas lembranças). Devia ter algo em torno de 10 anos. Pode parecer uma discrepância eu ler meu primeiro livro aos 10 anos, mas há de se considerar que eu cresci em uma família pobre, na qual livros eram um luxo supérfluo.
Só consegui convencer minha avó a me dar o dinheiro para esse livro porque ele ia ser utilizado na escola. Na época vivíamos na pequena cidade de Mococa, no interior de São Paulo.
Eu mesmo fui à livraria, no outro lado da cidade e comprei o livro. Antes que o dia terminasse eu já o tinha lido inteiro. No dia seguinte, dia de frio, coloquei uma cadeira no quintal e, enquanto tomava um sol, li pela segunda vez.
Uma semana depois a professora iniciou a leitura em sala de aula, mas o rapaz responsável por ler o primeiro capítulo não havia nem mesmo aberto o livro. “Alguém já leu o livro?”, perguntou a professora. Eu levantei a mão: “Já li cinco vezes, professora”.
Aventuras de Xisto influenciou meu gosto pela história, especialmente pela história medieval. O clima sombrio e fantasioso também influenciou muito minha literatura. Minha novela O Anjo da Morte é uma espécie de Aventuras de Xisto para adultos. Gostaria de dar destaque também para as ilustrações do livro, de autoria de Mário Cafiero. Sempre imaginei ter uma história desenhada por ele.
Depois disso, eu não tinha mais como convencer minha avó a comprar outros livros e só fui voltar a ler uns quatro anos depois, quando descobri a biblioteca pública e os sebos. Foi época de conhecer Monteiro Lobato.
Não houve um livro específico que tenha me influenciado. Nessa época lia tudo que me chegava às mãos do autor paulista. Curiosamente, li primeiro sua literatura adulta, depois a infantil. Na literatura adulta, Urupês é sem dúvida a obra-prima. Lobato estava menos preocupado em fazer literatura e mais em causar uma impressão no leitor. Lembro que a primeira vez que li me pareceu um livro de terror... Da literatura infantil, História do mundo para crianças é, certamente, a obra que li mais vezes. Lobato era uma dessas inteligências enciclopédicas, que escreviam sobre tudo e em tudo deixavam um gosto delicioso.
Mais ou menos por essa época, tinha um amigo que colecionava a revista Heróis da TV e descobri um sebo que as vendia por um preço irrisório. Eu comprava as revistas e as vendia pelo dobro do preço, e assim conseguia dinheiro para comprar minhas próprias revistas. Antes de vender as revistas, eu passava o final de semana lendo. Só muito tempo depois fui perceber o quanto essas leituras me influenciaram, especialmente as histórias do Mestre do Kung Fu, de Dough Moench (roteiro), Paul Gullacy e Mike Zeck (desenhos).
1984, de George Orwell, foi a leitura que mais influenciou o período da universidade. Quando já estava no final do livro, fui comprar adubo para minha avó (que adora plantas). Como o troco demorasse, encostei no balcão e comecei a ler. Só sai de lá depois de ter lido a última palavra, para espanto dos balconistas. 1984 é um livro que deixa uma marca em quem o lê. É impossível sair dele o mesmo.
Também da época da Faculdade, O Nome da Rosa, de Umberto Eco foi um livro que prendeu minha atenção. Às vezes desconfio que só gostei tanto dele porque a ambientação era quase a mesma de Aventuras de Xisto. Em todo caso, li-o três vezes. Na primeira, o que mais me chamou atenção foram os detalhes sobre a história da Idade Média. Na segunda, os aspectos relacionados às teorias da comunicação (especialmente semiótica e teoria da informação). Na terceira, eu já estava mais interessado em detectar as influencias de Jorge Luís Borges sobre a obra.
Chegamos em Borges. O que mais me marcou no autor argentino não foi um livro, mas um conto: "O Aleph". O texto parecia uma versão literária de meus estudos sobre teoria do caos. A partir daí comecei a devorar tudo que me caía as mãos sobre o autor portenho.
"O Aleph" me foi emprestado por um colega de redação na Folha de Londrina. Foi também ele quem me emprestou Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury. Eu já havia lido Farenheith 451, mas esse parecia uma versão menor de 1984, de Orwell. Crônicas Marcianas tinha vida própria e fez com que eu me interessasse pela literatura de ficção científica norte-americana.
De Bradbury para Isaac Asimov foi um passo. Além das histórias de robôs, sempre me fascinaram seus textos de divulgação científica. Asimov produziu um verdadeiro tijolo, Cronologia das descobertas cientificas, que foi meu livro de cabeceira durante o mestrado.
Uma história em quadrinhos que mudou a minha forma de ver o mundo foi Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Moore virou de cabeça para baixo os comics norte-americanos ao mostrar os super-heróis de uma perspectiva realista. Histórias de heróis cuja vestimenta é uma fantasia sexual se misturam com casos de personagens que deixaram escapar bandidos porque precisavam ir ao banheiro. Pode parecer humorístico, mas a perspectiva não era essa. Moore realizou uma obra profunda sobre a condição humana em meio ao caos. O subtexto baseado na teoria do caos e na geometria fractal passou despercebido pela maioria dos leitores e só se tornou corrente no Brasil após o meu trabalho de conclusão de curso de graduação.
Já que falamos em teoria do caos, Caos: a criação de uma nova ciência, de James Gleick, é outro livro que exerceu grande influência sobre mim ao me mostrar o poder desse novo paradigma para explicar fenômenos não deterministas. Fenômenos deterministas são aqueles que seguem um padrão fixo, como um relógio. Para a ciência clássica, todo o universo era determinista. A teoria do caos demonstrou que esse modelo do universo como um relógio não corresponde à realidade. A maioria dos fenômenos, por mais determinados que pareçam, podem mudar de comportamento de uma hora para outra em decorrência de pequenas alterações, chamadas de efeito borboleta.
A teoria do caos foi uma das bases da teoria de Edgar Morin. Esse autor francês produz tanto que é quase impossível destacar um livro mais importante. Ciência com consciência, Sete saberes necessários à educação do futuro e A Cabeça bem-feita são alguns dos mais famosos. Morin defende uma nova visão de mundo, diversa daquela inaugurada por René Descartes, segundo a qual, para conhecer algo, é necessário dividir esse algo em pequenas partes e estudá-las um a uma.
Para Morin, as partes não podem ser vistas senão em sua relação com o todo. A teoria do caos demonstrou que tudo está relacionado. Uma pequena borboleta batendo suas asas na China pode desencadear uma série de eventos que redundam em uma tempestade em Nova York.
Morin critica a fragmentação dos saberes e defende uma ciência que vê as coisas em suas relações com outras coisas. Pensando bem, isso tem tudo a ver com a filosofia oriental que aparecia nas páginas das histórias em quadrinhos do Mestre do Kung Fu. Talvez tudo esteja mesmo interligado.
quinta-feira, julho 24, 2008
quarta-feira, julho 23, 2008
O Toca de rato é o blog da revista independente Camiño di Rato, de Uberlândia, MG.
3v14 é o blog do quadrinista Pedro Ivo.
Obras de pop art ligadas a HQs são roubadas na Suécia
terça-feira, julho 22, 2008
Festival de vídeo experimental
¨Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento¨.
Pelo projeto, os internautas não poderiam ser mais produtos de informação, mas apenas receptores, o que não espanta, já que a proposta vem de um político. Os políticos sempre tiveram muito medo da internet e sua capacidade de informação livre, já que os internautas não são controlados por grandes grupos de comunicação (os quais pertencem aos políticos), como o rádio e a televisão.
Para assinar a petição, clique aqui.
Os super-heróis brasileiros
Na década de 1960, o sucesso do terror nacional fez com que as editoras incentivassem seus colaboradores a investirem em novos gêneros. Desses, um dos de que tiveram mais sucesso foram os super-heróis. O estudioso Worney Almeida de Souza lista 34 super-heróis brasileiros surgidos antes dos anos 1970, sem contar os super-vilões e heróis não-mascarados.
O sucesso do capitão 7 fez com que a Estrela, maior fábrica de brinquedos da época, encomendasse a criação do capitão estrela, em uma revista lançada pela continental (a mesma do concorrente), que acabou não fazendo sucesso.
O caminho aberto pelo capitão 7 foi explorado por outros artistas, que se aproveitaram do fato de muitos heróis ainda não serem conhecidos no Brasil. Exemplo disso é o Raio Negro, criado por Gedeone Malagola para a editora GEP. Gedeone tinha apresentado o Homem-lua (que depois seria aproveitado), mas como ele não parecia tão super-herói, os editores pediram que ele desse uma olhada no novo Lanterna Verde. Misturando os poderes do Lanterna com o uniforme do Ciclope dos X-men, surgiu o Raio Negro, um dos personagens de maior sucesso da época.
Um dos heróis mais interessantes surgidos no período foi o Golden Guitar, um herói criado para aproveitar o sucesso da jovem guarda. Os donos da editora Graúna queriam licenciar os personagens da série Archie para tentar captar o interesse do público jovem. Como não conseguiram, encomendaram para Macedo A. Torres um herói juvenil inspirado no movimento musical Jovem guarda. O resultado foi um herói psicodélico, que usava como arma uma guitarra, através da qual disparava dardos tranqüilizantes e outras maluquices. Além dos quadrinhos, o gibi trazia letras das músicas de Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa. Essa é atualmente uma das revistas mais raras do período e também uma das mais procuradas pelos fãs.
A estréia dos chamados heróis Shell (os personagens da Marvel foram lançados no Brasil numa campanha dessa rede de postos de gasolina) criou um grande interesse pelo gênero e fez com que surgissem vários gibis nacionais. Eugenio Colonnese criou Mylar, o homem mistério, para a editora Taika.
Outro herói de sucesso foi O Escorpião. Tratava-se de uma cópia descarada do fantasma, feita por Wilson Fernandes a pedido da editora Taika, em 1966. Como a revista começou a vender muito (os dois primeiros números esgotaram a tiragem de 50 mil exemplares), a editora ficou com medo da King features Syndicate, e pediu ao desenhista Rodolfo Zalla e ao roteirista Francisco de Assis que reformulassem o personagem. Assim, o escorpião tornou-se um defensor das selvas amazônicas e continuou sua carreira de sucesso.
Mas nenhum herói do período fez tanto sucesso quanto o Judoka, lançado pela Ebal com roteiros de Pedro Anísio e desenho de vários artistas. O personagem usava um collant com um quimono verde e branco, além de uma máscara. Seu mestre no judô era o sábio Minamoto. Além disso, ele contava com a ajuda de sua namorada Lúcia. A revista pegava a onda ufanista do período militar e exaltava as belezas do Brasil. Para isso, o personagem percorria diferentes pontos do país.
Os heróis brasileiros não resistiram aos anos 1970. uma das razões disso era a censura prévia. As revistas tinham de ser enviadas a Brasília, sendo analisadas por censores, que muitas vezes cortavam cenas, páginas, ou mandavam reformular histórias inteiras. Era mais fácil para as editoras importar quadrinhos americanos, até porque esses não costumavam despertar a atenção dos censores. Além disso, o endurecimento da ditadura e crise econômica foram acabando com o sentimento patriótico e ufanista dos leitores. A moda passou a ser achar bom o que vinha de fora, especialmente dos EUA. Com isso os super-heróis foram desaparecendo. Pior: começou a se achar que esse era um gênero que não podia ser trabalhado por brasileiros, pois tinha pouco a ver com a realidade nacional. De um lado os quadrinhos nacionais de super-heróis eram perseguidos pelos censores da ditadura. Por outro lado, eram perseguidos pelos intelectuais de esquerda, que achavam que eles eram colonialismo imperial norte-americano. Com isso, até hoje, não temos um grande herói nacional dos quadrinhos.
segunda-feira, julho 21, 2008
A cidade dos buracos
domingo, julho 20, 2008
Crônicas de Narnia
Confesso que não gostei muito do primeiro filme das Crônicas de Narnia. Puro preconceito. Pareceu oportunismo da Disney em cima do sucesso de O Senhor dos Anéis e de Harry Potter. O fato de saber que a série tinha sido escrita para divulgar o cristianismo entre as crianças também não ajudou (nada contra a cristianismo, mas dá a impressão de que é uma obra moralista). Como escrevi aqui, gostei mais do Príncipe Caspian, o que me motivou a comprar o volume completo das Crônicas no Submarino. Fiquei impressionado. Muito bom. C.S. Lewis tem uma prosa deliciosa. Mesmo a alegada propaganda cristã não é fanatismo. Na verdade, é uma mensagem que poderia se encaixar em qualquer denominação religiosa, de perdão, bondade e esperança. Estou lendo na sequência, o que tem sido muito interessante. No primeiro livro, O Sobrinho do Mago, vemos a origem do lampião no meio da floresta e do guarda-roupa que, no segundo livro, leva as crianças para Narnia.
quarta-feira, julho 16, 2008
Caso de corrupção expõe 'guerra' na Justiça brasileira, diz jornal
As sucessivas detenções e liberações do banqueiro Daniel Dantas, preso com outras 23 pessoas acusadas de corrupção e formação de quadrilha na semana passada, desencadeou uma autêntica batalha no seio do Judiciário brasileiro, afirma uma reportagem publicada na edição desta quarta-feira do jornal espanhol El País.
O diário destaca a troca de farpas entre o ministro da Justiça, Tarso Genro, que apoiou a operação Satiagraha, da Polícia Federal, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que mandou soltar Dantas duas vezes.
"O Supremo justificou a decisão criticando o fato de que o banqueiro tenha aparecido em frente às câmeras algemado", diz o El País. Leia mais
Comentário: Quem acompanha o caso, sabe que os delegados responsáveis pela operação foram retirados do caso. No Brasil é assim: quem tenta fazer a justiça acontecer, acaba punido. A lição todo mundo já sabe. No Brasil, cadeia só para PPP (preto, puta e pobre).Frases de Stephen King
- "Eu me interesso por pessoas boas em situações ruins, pessoas comuns em situações extraordinárias".
- "...alguém sempre levanta e me faz essa pergunta: Por que você escolheu escrever sobre assuntos tão medonhos? Eu geralmente respondo essa com uma outra pergunta: Por que você acha que eu tenho escolha?"
- "O meu trabalho se resume em duas coisas: prestar atenção em como as pessoas reais se comportam e então contar a verdade sobre o que você vê."
- "As pessoas me perguntam por que eu escrevo coisas tão brutas. Gosto de dizer que tenho um coração de menino - está guardado num vidro em cima da minha escrivaninha".
terça-feira, julho 15, 2008
segunda-feira, julho 14, 2008
Passei alguns dias no sítio do meu sogro no interior da ilha de Marajó. Uma deliciosa volta à natureza (depois vou contar alguns casos aqui). O ruim foi a viagem. Na ida, o comandante do barco resolveu passar antes pela cidade e atrasou a chegada em mais de seis horas. E, pasmem: não havia um único lixeiro no barco. Quando perguntei onde havia lixeiro, um tripulante me respondeu: "Joga no rio!". Como a Capitania dos Portos deixa trafegar um barco que não tem nem mesmo lixeiros? Triste que os amazônidas ainda não tenham aprendido a cuidar desse valioso bem que é a água. Na foto, a casa em que ficamos.
"Me sinto como um jogador de futebol no Brasil", diz Neil Gaiman
Repórter de UOL Diversão e Arte, em Paraty
A Pedagogia Tradicional
A pedagogia tradicional não é fruto das idéias de um filósofo ou pensador específico, mas de uma prática que se estende ao longo dos séculos.
Esse paradigma da educação é altamente influenciado pelo pensamento cartesiano e pela visão mecanicista e determinada do mundo.
Para a pedagogia clássica, a criança era uma tábula rasa na qual o professor imprimia as informações sobre o mundo. Essas informações eram baseadas nas grandes realizações de gênios e pensadores do passado, vistos como modelos a serem imitados.
Entre os seus princípios básicos estão: a estrutura piramidal, o formalismo e a memorização, o esforço e a competição e o respeito à autoridade.
A estrutura piramidal vem do princípio cartesiano segundo o qual, para resolver um problema, é necessário separá-lo em partes e resolve-las uma a uma, indo das mais simples às mais complexas. Esse princípio reza que a criança é incapaz de apreender a complexidade e, portanto, os conteúdos devem ser repassados em pequenos fragmentos.
O formalismo e a memorização são uma das bases dessa prática pedagógica. Uma vez que a pedagogia clássica acredita que o aluno deve seguir um modelo, a memorização é o melhor caminho para faze-lo. Para garantir que o aluno memorizou, o mestre toma a lição do aluno, que deve responder repetindo com exatidão o que foi dito em sala de aula.
O esforço, para esse paradigma, é necessário à educação. Para estimulá-lo, os alunos que conseguem seguir os modelos recebem prêmios (medalhas, distinções, quadro de honra) e os que não conseguem devem ser castigados. Ao aluno não é ensinado a cooperar, mas a competir. As atividades são feitas individualmente (a maioria delas simples reproduções do conteúdo repassado), e não em grupo.
O respeito à autoridade nos diz como a pedagogia tradicional vê a atuação do professor. Ele é um depositário de conhecimentos, uma autoridade, um modelo, que reflete os modelos do passado glorioso da humanidade (os grandes filósofos, grandes cientistas).
A escola é organizada na forma de uma pirâmide em que o aluno encontra-se sujeito à autoridade do professor e este sujeito à autoridade do inspetor e este sujeito à autoridade do diretor, em graus hierárquicos sucessivos típicos daquilo que Marshall McLuhan chamou de Galáxia de Gutemberg, em que a informação classificadora é mais importante que a informação relacional ou a informação relevante.
A principal metodologia de ensino é a aula expositiva e a demonstração do professor à classe, tomada como auditório passivo. Ao aluno cabe apenas receber passivamente as informações transmitidas pelo professor e repeti-las corretamente. Paulo Freire chamou essa pedagogia de educação bancária, pois o professor “deposita”os conteúdos na cabeça dos alunos.
A avaliação é uma forma de verificar se o aluno reteve o conhecimento repassado pelo professor, e não uma oportunidade de reelaborar o conhecimento. Se o aluno não conseguiu decorar o que o professor passou, é punido com uma nota baixa (antigamente a punição incluía até castigos físicos). Na sua versão mais difundida, a avaliação é feita pontualmente, através de prova. Em um único momento, o aluno é testado e seu desempenho no processo de aprendizagem tem pouca importância na avaliação.
A sala de aula é vista como local privilegiado de aprendizado e as experiências exteriores a ela são pouco valorizadas.
Embora venha sendo criticada há mais de um século, a pedagogia tradicional está presente em quase todas as salas de aula. A maioria dos colégios e faculdades, apesar do discurso, ainda privilegia a pedagogia tradicional. Os professores são estimulados a repassarem avaliações tradicionais, o que facilita o processo burocrático interno. Além disso, a maioria das instituições ainda vê a sala de aula como o único local possível de aprendizagem, daí a exigência de cumprimentos de horários na sala, em detrimento das possibilidades exteriores ao ambiente escolar (pesquisas, passeios, participação em eventos). A palmatória se foi, mas a educação tradicional ainda continua arraigada na prática escolar.
sexta-feira, julho 04, 2008
Teorias da conspiração
O interesse pelas conspirações e pelas sociedades secretas surge com a Idade Moderna. O surgimento da imprensa, as grandes navegações, as descobertas da ciência, tudo isso contribui para aumentar o interesse pelo assunto.
Imagine por exemplo que você, seus pais, seus avós, e seus bisavós acreditassem que a terra era chata, que depois da África só existisse um mar povoado de monstros terríveis, que nosso planeta era o centro do universo... e de repente descobrisse que tudo isso não era verdade. Você provavelmente pensaria que estava sendo enganado por alguém que tinha acesso a informações privilegiadas e as escondia. Em alguns casos, isso era verdade. Os templários, por exemplo, sabiam que seriam possível chegar à Ásia contornando a África e tinham mapas nos quais constava o Brasil.
Imagine também que, além dos conhecimentos, também os governos começassem a cair, com a revolução francesa, a revolução americana... e que surgisse toda uma indústria editorial disposta a ganhar cada centavo com isso. Estava criado o clima para as teorias da conspiração.
Um dos primeiros exemplos do sucesso dessas teorias foram os templários. Durante muito tempo eles tiveram tanto poder que chegavam a rivalizar com reis e papas. Dizia-se que eles haviam descoberto um tesouro no templo de Salomão, na terra santa, que lhes teria dado todo esse poder.
Os templários foram perseguidos, presos, torturados e mortos pelo rei francês e pelo vaticano. Seu grão-mestre, Jacques de Molay, morreu na fogueira, acusado de herege, satanista e sodomita.
Muitos se perguntaram o que teria levado a uma perseguição tão brutal. E começou-se a especular que isso tudo teria algo a ver com o tesouro dos templários. Para alguns, esse tesouro, era o santo graal. Para outros, era o santo sudário. Para outros, ainda era a descendência de Jesus, que teria casado com Maria Madalena e deixado uma linhagem real. Finalmente, a versão mais aceita é a de que o tesouro era Baphomet. E aí surge outro problema. O que era Baphomet? Para alguns, era a cabeça de Jesus, embalsamada. Para outros, um símbolo satânico. Como ninguém sabia ao certo o que era, cada um começou a pensar numa explicação.
Esse é um dos aspectos importantes das teorias da conspiração. Quando faltam informações confiáveis, ou quando as informações que existem não são satisfatórias, tem-se um fértil caminho para a especulação.
Os templários, os illuminati (um grupo liberal surgido na Baviera, que antecipou o iluminismo francês) e os rosa-cruzes (uma sociedade secreta surgida de panfletos falsos criados por um pastor protestante, mas que foi levado a sério por muitos e acabou sendo criada de verdade) e a maçonaria começaram a ser vistos como responsáveis por uma série de eventos. Se a revolução francesa derrubou os reis, isso seria uma vingança dos templários. Se a revolução russa derrubou os czares, isso deveria fazer parte de um plano de dominação mundial. Provavelmente dos illuminati. Ou talvez dos maçons. Ou quem sabe dos rosa-cruzes? Se não fosse de nenhum deles, certamente seriam os templários, sempre eles!
O século XX é chamado de século das incertezas. Até na física descobriu-se que as coisas não são o que aparentam. Um século perfeito para especulações e teorias da conspiração. Quem matou Kennedy? Quem financiou os nazistas? Que interesses estavam por trás da II Guerra Mundial? O homem chegou realmente à lua, ou seria tudo uma armação de Hollywood? Sempre existe alguém disposto a responder a essas e outras perguntas e, mesmo quando suas respostas são absurdas, tem sempre alguém querendo ouvir.
Nós também temos nossas teorias da conspiração.
Se os americanos se perguntam quem matou Kennedy, nós nos indagamos quem matou PC Farias, ou quem matou Getúlio. Se os americanos especulam sobre as razões secretas de Hitler, nós brasileiros nos perguntamos quais seriam os verdadeiros motivos do Brasil ter entrado na II Guerra Mundial. Se os americanos têm Roswell, nós temos o ET de Varginha. Se os americanos desconfiam que Bush chegou ao poder de forma fraudulenta, nós nos perguntamos se a tal urna eletrônica é tão confiável assim. Se os americanos têm certeza de que os irmãos Wright inventaram o avião, nós investigamos as invenções esquecidas dos brasileiros. Se os americanos têm medo do terrorismo, nós nos perguntamos qual a relação de Bush, Bin Laden e os charutos cubanos.
Como se vê, temos muito em comum. A única diferença é que nossas histórias em quadrinhos não conseguem fazer sucesso. Mas isso deve ser culpa daquela sociedade secreta que governa os EUA e manda nos sindicates. Disso eu não tenho dúvidas.
Anti-mané liberado
História dos quadrinhos
Uma das inovações da Marvel era o fato de que vilões poderiam se regenerar e se transformar em heróis, o que de fato, combinava com a proposta de realismo das histórias. A espiã Viúva Negra e o Gavião Arqueiro são exemplos disso, mas o vilão-herói mais famoso da editora seria o Surfista Prateado, um personagem tão bom que virou cult, ganhando a simpatia dos setores mais intelectualizados da população. Afinal, o surfista era um herói filósofo.
O surfista surgiu na revista Fantastic Four 48, em 1966, no arco conhecido como Trilogia de Galactus. Stan Lee escreveu uma sinopse sobre um ser super-poderoso que vinha à Terra para sugar a energia do planeta e deu para Jack Kirby desenhar. Quando Jack trouxe as páginas para que Lee colocasse os textos e diálogos, havia uma novidade ali, um personagem que não aparecia na sinopse original. Ele justificou dizendo que um ser tão poderoso quanto Galactus deveria ter um arauto, que procurasse mundos a serem devorados. Stan Lee adorou a idéia e o visual do personagem, que parecia ter uma postura nobre: ¨Quando chegou a hora de estabelecer o seu padrão de discurso, comecei a imaginar de que forma um apóstolo das estrelas se expressaria. Parecia haver uma aura biblicamente pura no nosso Surfista Prateado, algo altruísta e magnificamente inocente¨.
Ao final da trilogia, a editora começou a receber cartas de fãs pedindo uma revista daquele novo personagem, mas Stan Lee e Jack Kirby estavam muito ocupados para pegar mais essa empreitada. Quando Roy Thomas entrou na Marvel como assistente editorial, Lee se viu com tempo para se dedicar ao novo projeto. A revista estreou em 1968 e foi, aos poucos, contando a história do amargurado herói.
Assim, o Surfista é Norrin Radd, um jovem cientista do planeta Zenn-La que aceita tornar-se arauto de Galactus afim de que ele poupasse sua terra natal. Ao se voltar contra seu mestre quando ele tentava devorar a Terra, Galactus condena-o a ficar eternamente preso ao nosso planeta. Isso para ele é uma tortura dupla, pois ele não pode voltar ao seu planeta natal, nem rever sua amada Shalla bal. Além disso, vindo de um local mais avançado eticamente e tendo uma alma extremamente nobre, ele sofre ao ser obrigado a conviver com os ambiciosos humanos, que o caçam por ser diferente.
As aventuras do Surfista permitiram a Stan Lee exercitar o lado humano de seus roteiros ao trabalhar com um personagem angustiado. Para desenhar as histórias ele chamou John Buscema, que era muito influenciado por Jack Kirby, mas tinha uma melhor capacidade para mostrar dramas humanos.
Os monólogos angustiados do protagonista, geralmente no início das histórias tornaram-se a marca da série. Como esse, publicado no número 6 da revista: ¨Até quando devo continuar aprisionado no selvagem planeta Terra? Não! Este não pode ser meu destino eterno! Não foi para isso que renunciei ao meu mundo, minha vida e meu amor! Por certo, em todo o universo não pode haver ironia mais cruel do destino! Eu, que detenho um poder além da compreensão de qualquer ser humano... estou fadado a viver confinado e sem esperanças... tal qual o mais frágil dos animais! Aqui eu sou odiado... e temido... pelos mesmos seres que meu coração só deseja ajudar! Meu coração! Eu disse... coração? Como poderia ser... se não tenho mais coração? Afinal, eu o abandonei no planeta Zenn-la... a inúmeras galáxias de distância... com aquela a quem amarei para sempre! Zenn-la... onde meu mundo começa e termina... ondeu eu deixei minha amada Shalla Bal!¨.
A revista era avançada demais para uma época em que predominavam heróis violentos e fez pouco sucesso, durando poucos números, mas ganhou fãs fervorosos.
Nos anos 1980 o herói virou cult ao ser citado pelo personagem Richard Gere no filme A Força do amor, refilmagem de Acossado, de Godard. Desde então, críticos e fãs redescobriram o personagem, que acabou sendo a grande estrela do segundo filme do Quarteto Fantástico.
quinta-feira, julho 03, 2008
Vale a pena ler de novo
Casamento
Américo só percebeu que se metera numa enrascada quando já estava casado. A esposa era uma megera. Tratava-o por palerma, idiota, desengonçado... Certo dia, como ele encontrasse dificuldade em consertar um chuveiro, a mulher acrescentou um novo adjetivo á coleção:
- Nem pra isso você serve, seu imprestável!?!
Imprestável. Parece que gostou do termo, pois passou a usá-lo em todas as frases dirigidas ao marido:
- Venha jantar, seu imprestável.... faça a barba, imprestável...
Com o tempo, Américo foi abandonando todos os seus prazeres. Deixou de comprar livros (ela sempre reclamava dos gastos com esse tipo de bobagem...), deixou de visitar os amigos e, por fim, desistiu até de assistir seus programas prediletos na TV. Isso porque, sempre que estava assistindo algo, ela o chamava com o pretexto de trocar uma lâmpada, enxugar a louça do jantar ou fazer qualquer outros desses serviços domésticos.
- Você lavou a louça e não enxugou, seu imprestável! - arrematava ela, como agradecimento.
À medida em que o humor da esposa ia piorando, também ia aumentando seu sedentarismo. Até o ponto em que os vizinhos só tomavam conhecimento dela através dos gritos histéricos com que ela recebia o marido todas as noites...
Depois de muitos anos trabalhando sempre no mesmo serviço burocrático, chegando em casa sempre à mesma hora, Américo teve, finalmente, uma atitude que se poderia chamar de autônoma. Chegou em casa com um belo aparelho de som. A esposa que já o esperava pronta para reclamar do atraso, não se conteve:
- Para que isso, seu imprestável? Não sabe que eu não gosto de música?!?
E desatou a reclamar por duas horas inteiras. Américo gravou tudo. E gravou também a reprimenda do dia seguinte, e do outro. Quando achou que já tinha o suficiente, esganou a esposa e enterrou o corpo no porão.
A partir de então chegava em casa toda a noite e ligava o toca-fitas. Depois ligava a TV, ou pegava um livro, e se divertia pelo resto da noite. Os vizinhos, acostumados a só saberem da mulher pelos seus tremendos gritos, nunca desconfiaram de nada. Pelo contrário. De vez em quando algum vizinho pensava consigo:
- Coitado do Seu Américo. Agüenta poucas e boas da sua mulher. Se fosse eu, já a tinha matado...
Compre o livro O melhor da comédia da vida privada no Submarino.
Filmes sobre psicopatas
Sobre a promoção
Ah, concordo com o Fino: o Homem de ferro sempre me pareceu um personagem secundário... e o filme, apesar de bom, carrega na ideologia. A moral da história é de que é bom sim fabricar armas, desde que seja para os EUA.
quarta-feira, julho 02, 2008
Uma de minhas histórias chamada Vácuo mostra um tripulante de uma estação espacial que se revolta e acaba explodindo todo o local. A claustrofobia provocada pelos eternos corredores, pelos ambientes fechados, fizeram com que ele "pirasse". Essa mesma ambientação poderia ter o efeito oposto em outro indivíduo. Sentido-se confortável e seguro dentro de um ambiente fechado, ele poderia se sentir um agorafóbico.
Um exemplo mais famoso: o Batman de Cavaleiro das Trevas é violento porque a Gothan City criada por Frank Miller é violenta.
Também é importante saber o máximo possível sobre o local em que se vai passar a história. Antes de começar a escrever o tenente Blueberry, Charlier viajou para os EUA e visitou toda a região em que se passaria a HQ. Se você for escrever uma história sobre o Egito e não tiver dinheiro para a passagem, a melhor alternativa é entocar-se na biblioteca e ler tudo o possível sobre os hábitos, costumes e acidentes geográficos da região. Alan Moore conta que, antes de começar a escrever Monstro do Pântano, leu tanto sobre a Flórida que acabou descobrindo algumas coisas curiosas: "Eu sei, por exemplo, que os crocodilos comem pedras pensando que são tartarugas e depois não conseguem digeri-las e essa deve ser a razão pela qual eles têm um temperamento tão irascível", diz.
Criar uma história que se passe no futuro, num planeta longínquo, ou em um planeta atualmente desconhecido pode livrar você da visita à biblioteca, mas certamente não vai facilitar as coisas para sua imaginação. É necessário, nesses casos, imaginar todos os aspectos dessa sociedade: quem governa, se é que há governo, como as pessoas vivem, quais são os seus costumes, como elas se alimentam...
Um exemplo fantástico de criação de ambiente é o álbum A Fonte de Cyann, de Bourgeon e Lacroix. Os autores criaram não só uma história para o planeta em que se passa a HQ como, ainda, se preocuparam com detalhes mínimos. Tipo: o lugar da letra O no nome da pessoa determina a classe social.
Em Cyann, quando pessoas importantes morrem, seus corpos são envoltos em barro e jogados no mar. Quanto mais pessoas se unem para impedir a parte final do ato funerário, mais querido era o defunto. Detalhe: a língua falada pelos personagens, embora muito semelhante ao francês, tem suas próprias regras. Para desespero dos tradutores!
Portanto, se você quiser escrever boas histórias de Ficção científica, ou de fantasia, comece a ler desde já livros de antropologia...
Alan Moore sugere que a melhor maneira de começar uma história é pela idéia, ou tema. O tema é aquilo sobre o que a história fala. Dou um exemplo literário: A Causa Secreta, de Machado de Assis, tem como tema a crueldade inata de algumas pessoas que se deliciam com a desgraça ou o sofrimento dos outros.
V de Vingaça é uma história sobre o anarquismo em confronto com o totalitarismo.
A Queda de Matt Murdock, de Miller e Mazzuchelli, é uma história sobre loucura e decadência e sobre a incrível capacidade humana de vencer todas as adversidades.
O tema não é o mesmo que a trama da história. Bom lembrar que a maior parte das HQs de super-herói não possui um tema. No máximo, podem ser história sobre a luta entre o bem e o mal. E, no entanto, os super-heróis apresentam grandes possibilidades de desenvolvimento de temas.
O roteirista Kurt Buziek e o desenhista Alex Ross aproveitaram a saga dos X-Men para contar uma história sobre o preconceito em Marvels.
Talvez seja mesmo mais fácil imaginar um assunto que seria importante desenvolver antes de começar o roteiro. O resultado mais freqüente desse expediente é dar mais consistência ao seu roteiro.